O Regresso A 2008, A Maria de Lurdes Rodrigues e ao “Estudo” de João Freire, Só Faltando Mesmo O Retorno dos Titulares

E tudo isto tem a benção, ao que consta, da ala “moderada” à ala “esquerda” (o que quer que isso signifique) do PS. A que se juntarão o PSD e CDS, não tenho qualquer dúvida.

A convicção de que não vai ser possível sair do impasse sobre a contagem do tempo de carreiras dos professores sem lançar uma discussão sobre a necessidade de alterar as regras das progressões na carreira docente está a ganhar cada vez mais força no Governo socialista. Na ala mais moderada, mas também entre a chamada ala mais à esquerda do PS, é já amplamente reconhecido o argumento de que uma progressão em apenas quatro anos é “insustentável” do ponto de vista orçamental, na expressão ouvida esta semana pelo PÚBLICO de uma fonte do núcleo mais político dos socialistas.

Aliás, basta ver como o delfim surfista de Maria de Lurdes Rodrigues explicita a ameaça de um modo claro e que não deixa qualquer margem para dúvidas (só falta aparecer o livre Rui Tavares em 2º plano a acenar que sim, que “não há recursos”):

Neste sábado, no Expresso, o ex-dirigente socialista e comentador, Pedro Adão e Silva, deixava porém um alerta para dentro do partido: “O PS, seja por estar traumatizado pela relação com os professores na anterior passagem pelo poder, seja por não querer espantar o eleitorado num contexto pós-troika, (…) partiu para esta legislatura sem uma posição clara sobre o que fazer com o sempiterno tema das carreiras dos professores. A timidez nas propostas está a sair cara. (…) As carreiras dos professores têm de ser revalorizadas, mas é também imperioso reformular uma carreira que suscita questões de equidade no contexto dos trabalhadores do Estado e que onera como nenhuma outra o erário publico. (…) [A continuar assim, como hoje] mais cedo do que tarde chegaria o momento de um novo congelamento”.

Qual é a aposta? É que os professores sejam assustados – com a colaboração até ao momento da Fenprof  – com o papão do regresso da “Direita” ao poder.

Claro que ao director do Público não ocorre sequer contestar o valor dos 600 milhões que andam por aí a papaguear e alguns adoptam como sendo sua e, por certo, “fidedigna” verdade.

É esta uma situação de “cerco” aos professores de carreira, deixando-os praticamente sem qualquer esperança de solução? Com a perspectiva de 70 anos de carreira, em nome da “equidade” com outras carreiras? Mas então as carreiras são intermutáveis? Exigem o mesmo tipo de habilitação? Têm o mesmo nível de desgaste?

Ou então levam com um novo congelamento em cima que é para se domesticarem à força?

Quase… com a agravante de isto ser barro atirado a paredes propícias a que ele fique agarrado, através da multiplicação de informação manipulada.

Se o PS está traumatizado, não parece. Apenas se nota uma razoável cobardia do “núcleo político”. Ou seja, nada melhor do que renovar-lhe a dose certa do “trauma”, antes que tenham tempo para se vingarem, como parece ser o plano desde sempre. Porque tiveram o cuidado de deixar qualquer compromisso assinado nesta matéria e o PCP e o Bloco quando decidiram entrar na geringonça sacrificaram os professores, porque têm outro tipo de causas prioritárias. Afinal, os professores fazem “trabalho intelectual” e os que estão na carreira nem são “precários”.

A “Direita” não é melhor. Neste momento, tanto se me faz. Realmente, só falta que nos apontem a porta da rua para que possam recrutar um agradecido lumpen bolonhizado e dócil.

Repito: é importante que antecipemos uma clarificação deste tema e que, de uma vez por todas a ILC chegue às 20.000 assinaturas, forçando o debate parlamentar antes da campanha eleitoral. Faltam pouco mais de 3000, tomemos nas mãos pelo menos parte do nosso destino profissional. Porque já percebemos que os do costume foram “granadeirados”.

ILC 16700

 

6 thoughts on “O Regresso A 2008, A Maria de Lurdes Rodrigues e ao “Estudo” de João Freire, Só Faltando Mesmo O Retorno dos Titulares

  1. “Somos ENGANADOS pelo mesmo patrão com o qual assinámos um contrato para cumprimos 36 anos de serviço (32 na monodocência) e que a meio do “jogo” alterou as regras unilateralmente obrigando-nos a trabalhar cerca de mais 10 anos até perto dos 67 de idade.” CS

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