Colega Director Filinto, Muito Mal!

A “rapidez” é o critério decisivo para resolver o “problema”? A legalidade que se lixe, é isso?

“O Ministério da Educação tinha que vir a terreiro dizer alguma coisa, isto não se podia perpetuar. Esta foi a estratégia que o Ministério encontrou para a resolução rápida do problema criado com as greves”, disse à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

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Camarada Mário, Muito Bem!

Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considerou “inaceitável” o conteúdo da nota informativa enviada pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) às escolas e disse que esta irá merecer queixas às entidades competentes.

“Posso dizer que essa nota está já em apreciação nos nossos advogados, essa nota irá merecer uma queixa na Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), amanhã [terça-feira] mesmo já será concretizada, mas também junto do Ministério Público. E no plano político iremos enviar a nossa posição para todos os grupos parlamentares, porque o que está aqui a ser feito é ilegal”,disse Mário Nogueira.

O Governo, pela esquerda baixa da DGEstE, cometeu um enorme erro táctico a vários níveis. Espero que a Fenprof perceba isso e ao seja preciso muito tempo para os advogados reagirem do ponto de vista jurídico.

A outro nível, ainda é muito cedo para explicar porque esta Nota Informativa foi um enorme tiro no pé da tropa fandanga do ME que parece ter feito renascer tudo o que de pior teve o socratismo-rodriguismo, incluindo o galamba mais novo a escrever como antigamente, depois de receber a cartilha da central de informação e propaganda.

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É Nesta Altura Que a ANDE e a ANDAEP Têm Uma Excelente Oportunidade…

… para tomarem posição acerca da ilegalidade que a DGEstE está a sugerir aos directores, porque é de uma ilegalidade evidente que se trata. Não sei se o Conselho de Escolas se reúne acerca destas coisas ou se tem, sequer, tempo, mas também gostava de saber se apoiam o estrito cumprimento da Lei ou deste tipo de “notas” a fazer recordar os tempos do gualter.

É nestas alturas que precisamos de saber se…

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Expectável

A ida dos alunos a exame “à condição” era algo previsível. Mais complicado será o bloqueio da divulgação das notas finais.

E assim a greve até contribuiu para um aparente sucesso interno a 100% 🙂 que certamente satisfará a confápe. Todos a exame, incluindo o pessoal que tinha negativa a tudo. De certa forma, este é que é o castigo mais cruel para alguns alunos…

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A Segunda Chantagem Governamental Esbarra na Couraça da Minha Indiferença (Pessoal)

Agora é a ameaça – em nome de uma mítica “equidade” que nunca se aplica a outras situações e que é teorizada por Paulo Trigo Pereira (no Observador, claro) de um modo “técnico” mas tão labiríntico que induz uma narcolepsia fulminante – de aumentar os escalões da carreira docente para 7 anos em vez dos 4 actuais.

Ora bem: se acabarem com o sistema de quotas e nos devolverem os 9.4.2, a mim tanto se me faz.

Explico: cheguei com 53 anos ao 6º escalão. Mesmo que ultrapasse as quotas de acesso ao 7º escalão, chegarei ao 9º escalão na melhor das hipóteses aos 65 anos e nunca atingirei o nirvana celestial do 10º. Se me devolverem o tempo de serviço que querem apagar, passarei para o 3º ano do 8º escalão e poderei chegar ao 9º com 61-62 anos.

Portanto, por mim… se for essa a contrapartida, nada tenho a perder, vejam lá.

Portanto: acabem com as quotas e devolvam o tempo de serviço que até posso trocar umas ideias sobre esse assunto.

Só que – exactamente por questões de “justiça” e “equidade” não definidas por conveniências político-partidárias circunstanciais – acho que essa solução é apenas uma vingança política servida com a raiva e a bílis contida em algum PS desde a perda da maioria do “engenheiro” (aquele que só abjuraram à força, depois de durante anos terem ignorado tudo o que se passava mesmo à frente dos olhos de todos).

Há quem, estando no 1º e 2º escalão com 40 anos e mais, tenha de viver até aos 100-110 anos para chegar ao 10º escalão, em nome da “justiça” e da “equidade”. Mas esse é o sonho que anima o PS na Educação desde que em 2005 a “reitora” encomendou ao seu mentor académico o estudo sobre a forma como destruir a carreira docente. E estes são os seus herdeiros, sendo que o Tiago passa por ser ministro, mas, em boa verdade, é outra coisa.

Tongue

(penso que de todas as múmias políticas falantes, só nos falta aparecerem o assis e o cavaco a escrever ou falar sobre os professores…)

 

Isso Não!

Uma pessoa já se rebaixa o suficiente a rebater demasiadas coisas, mas voltar a dar importância a um moitadedeus é atingir níveis de baixeza que me recuso. Que ele fale, muito bem, é “liberdade de expressão”, mas não me apanham mais no peditório que lhe dê popularidade junto das lolas&mituxas.

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(uma poia da linha não deixa de ser uma poia)

A Escalada Verbal Entre a “Cobardia” e a “Traição”, Passando Pela “Imoralidade”

A melhor forma de destruir uma discussão racional sobre seja o que for é começar a hiperbolizar as acusações e a adjectivar sem nexo aqueles que se querem combater. Sim, eu também gosto das minhas adjectivações, mas a maioria delas tem uma base factual. Chamar “surfista” ou “delfim da MLR” a um dado político/opinador baseia-se em factos e não em opiniões. Considerar que outros opinadores revelam uma enorme ignorância sobre aquilo que escrevem ou falam ou que truncam informação é apenas uma constatação da evidência. Até mesmo um ocasional “idiota” ou “mentiroso” se justifica, acho eu, plenamente, quando há gente com responsabilidade a afirmar que os professores andam a reclamar anos de retroactivos. Porque afirmam mentiras e são pessoas com acesso a informação mais do que suficiente para saberem que estão a mentir.

Outra coisa são as acusações de “cobardia” por parte de alguém que fala sobre a avaliação de professores, mas que eu nunca vi ser avaliado e sobre quem, com base factual, poderia tecer considerações desconfortáveis (ou mesmo deselegantes) quanto ao trajecto de “investigação”, par a par com assessoria político-partidária.

Outra coisa são acusações de “traição” por parte de alguém que é sindicalista a tempo inteiro desde que eu dou aulas e a quem sou obrigado a ter como “representante” vitalício, dirigidas a colegas de um outro sindicato por ter convocado uma greve a que a própria Fenprof considerou aderir. Sobre o que ele diga sobre a nossa Iniciativa Legislativa estou-me nas tintas, porque é uma pessoa na qual não tenho qualquer confiança política ou pessoal, baseada em factos e não apenas em juízos de valor. Para além disso, basta lembrar o que fez em 2013, desconvocando uma greve quando achou que sim, sem qualquer consulta às “bases” a que gosta de falar se for apenas da sua cor e empoleirado na carrinha.

Outra coisa ainda é um político menor em todos os aspectos (a ideia não é fazer piadas com o tamanho), um aparelhista político desde a juventude, transformado em facilitador de acordo com uma investigação bem documentada, alguém pago para fazer mexericos políticos em prime-time afirmar que a reivindicação dos professores quererem que o seu tempo de serviço seja contabilizado é “imoral”.

A melhor forma de destruir qualquer tipo de diálogo, de tornar o ambiente absolutamente tóxico é enveredar por este tipo de linguagem despropositada, agressiva no pior dos sentidos, imperdoável na forma como se fazem análises de carácter a partir de posições particulares de enorme fragilidade ética.

Sim, já percebemos que ninguém quer resolver verdadeiramente o problema dos professores, uns porque os detestam, outros porque os desprezam, outros ainda porque precisam do clima de conflito para justificarem a sua própria relevância.

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