Isso Não!

Uma pessoa já se rebaixa o suficiente a rebater demasiadas coisas, mas voltar a dar importância a um moitadedeus é atingir níveis de baixeza que me recuso. Que ele fale, muito bem, é “liberdade de expressão”, mas não me apanham mais no peditório que lhe dê popularidade junto das lolas&mituxas.

Turd

(uma poia da linha não deixa de ser uma poia)

A Escalada Verbal Entre a “Cobardia” e a “Traição”, Passando Pela “Imoralidade”

A melhor forma de destruir uma discussão racional sobre seja o que for é começar a hiperbolizar as acusações e a adjectivar sem nexo aqueles que se querem combater. Sim, eu também gosto das minhas adjectivações, mas a maioria delas tem uma base factual. Chamar “surfista” ou “delfim da MLR” a um dado político/opinador baseia-se em factos e não em opiniões. Considerar que outros opinadores revelam uma enorme ignorância sobre aquilo que escrevem ou falam ou que truncam informação é apenas uma constatação da evidência. Até mesmo um ocasional “idiota” ou “mentiroso” se justifica, acho eu, plenamente, quando há gente com responsabilidade a afirmar que os professores andam a reclamar anos de retroactivos. Porque afirmam mentiras e são pessoas com acesso a informação mais do que suficiente para saberem que estão a mentir.

Outra coisa são as acusações de “cobardia” por parte de alguém que fala sobre a avaliação de professores, mas que eu nunca vi ser avaliado e sobre quem, com base factual, poderia tecer considerações desconfortáveis (ou mesmo deselegantes) quanto ao trajecto de “investigação”, par a par com assessoria político-partidária.

Outra coisa são acusações de “traição” por parte de alguém que é sindicalista a tempo inteiro desde que eu dou aulas e a quem sou obrigado a ter como “representante” vitalício, dirigidas a colegas de um outro sindicato por ter convocado uma greve a que a própria Fenprof considerou aderir. Sobre o que ele diga sobre a nossa Iniciativa Legislativa estou-me nas tintas, porque é uma pessoa na qual não tenho qualquer confiança política ou pessoal, baseada em factos e não apenas em juízos de valor. Para além disso, basta lembrar o que fez em 2013, desconvocando uma greve quando achou que sim, sem qualquer consulta às “bases” a que gosta de falar se for apenas da sua cor e empoleirado na carrinha.

Outra coisa ainda é um político menor em todos os aspectos (a ideia não é fazer piadas com o tamanho), um aparelhista político desde a juventude, transformado em facilitador de acordo com uma investigação bem documentada, alguém pago para fazer mexericos políticos em prime-time afirmar que a reivindicação dos professores quererem que o seu tempo de serviço seja contabilizado é “imoral”.

A melhor forma de destruir qualquer tipo de diálogo, de tornar o ambiente absolutamente tóxico é enveredar por este tipo de linguagem despropositada, agressiva no pior dos sentidos, imperdoável na forma como se fazem análises de carácter a partir de posições particulares de enorme fragilidade ética.

Sim, já percebemos que ninguém quer resolver verdadeiramente o problema dos professores, uns porque os detestam, outros porque os desprezam, outros ainda porque precisam do clima de conflito para justificarem a sua própria relevância.

Alcatrao2