Opiniões – Mário Silva

O próximo ataque do ME à reputação dos docentes

Através do ‘Iavé’, o ME vai atacar a reputação dos professores no próximo mês de julho. Como? Quem acompanha os exames nacionais, detetou que houve alterações na estrutura deles e nas cotações (aumentaram nas questões de escolha múltipla). Estas alterações têm potencial para piorar as classificações dos exames e obviamente que isso será usado para atacar os professores com a falácia ‘estão-a-ver-esta-gente-a-reivindicar-que-lhes-paguem-as-progressões-e-afinal-os resultados-foram-piores’.

O ME que se arvora o protetor dos ‘coitadinhos-dos-estudantes-que-são-prejudicados-pelos-professores’, depois insidiosamente promove ações que prejudicam os mesmos estudantes nas suas médias de classificação final, usando subrepticiamente como ‘bode expiatório’ a classe docente; nem Maquiavel conseguia ser mais ignóbil…

“Os alunos concordaram que a derradeira questão da prova era a mais complicada e estavam também alinhados no principal assunto de quase todas as conversas: a estrutura do exame deste ano. Ao contrário do que vinha sendo habitual nos anos anteriores, o exame nacional de Matemática A foi dividido em dois cadernos.

«Nós somos sempre as cobaias do Iave», queixa-se Ana, já fora da escola. «Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia», explica.

Jornal Público (25/06/2018)

lampadinha21

23 thoughts on “Opiniões – Mário Silva

  1. Ainda te vão chamar visionário. Não faz mal. Uma coisa é certa, o Miguel Sousa Tavares tem uma herança cultural enorme e não lhe fica nada bem deitar abaixo as pessoas que zelam pela mesma. Pela mesma fonte. Bla bla bla. Pronto. Bj.

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  2. Não concordo nada com esta opinião,pois a estrutura já estava prevista a exemplo do que se faz nos níveis mais baixos do ensino.
    É inadmissível que alunos do secundário não saibam a tabuada nem formulas muito básicas que era possível contornar pelo uso das máquinas gráficas.
    Quanto às questões de escolha múltipla,estas até favorecem os piores alunos,pois poderão acertar por via aleatória.

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  3. Só quero chamar a atenção para o seguinte: alterar a cotação de 5 pontos para 6 pontos numa escolha múltipla, não é displiscente; a consequência é que no 1º caso, se por hipótese o estudante só errar uma questão, fica com média arredondada de 20 e no segundo caso com 19. E isto também tem consequência na média final do secundário…

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    1. Também outro ‘pormaior” que passou despercebido nos exames dos anos anteriores, foram os critérios de correção a que só se tem acesso após o exame: por exemplo, no exame de Biologia e Geologia, as questões de resposta aberta tinham a cotação de 10 ou 15 pontos, e normalmente os alunos sabiam que tinham de apresentar 2 ou 3 tópicos, respetivamente. A alteração sem aviso prévio foi que as questões de 10 pontos passaram a ter 2 ou 3 tópicos e as de 15 pontos 3 ou 4 tópicos, dificultando imenso para os alunos destrinçar qual esse número de tópicos e levando a potenciais perdas de pontuação.
      Mas este tipo de situações não são objeto mediático e só quem nelas é envolvido é que se apercebe das suas consequências; para a opinião pública apenas emerge as eventuais descidas de médias mas é silenciado este tipo de causa.

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  4. Já existem há anos exames com essa estrutura/cotação de questões fechadas.
    Em 2006 e 2007 na Biologia e Geologia, código 702, as fechadas tinham de 6 a 10 pontos
    de 2008 a 2017 passaram a ter 5 pontos, vamos ver este ano …
    daí todos os anos haver tantas queixas da 702 de alunos, pais e professores

    E não, nem todos os alunos que fazem a prova 702 querem ser médicos
    aliás, cada vez menos querem ser médicos

    O problema nem são as cotações das fechadas são os critérios de correção mesquinhos e maldosos de algumas questões abertas. Esses tem merecidos inúmeros reparos, que o IAVE nem quer nem saber

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    1. por isso é que questiono há anos para que servem os coadjuvantes, se o ‘Iavé’ os ignora e desconsidera tecnicamente…
      esses critérios de correção são um imbróglio avaliativo que levam à esquizofrenia do corretor e penalizam muitos alunos de forma mesquinha…mas também até hoje nunca assisti à Confap a ter uma posição sobre o assunto, contrariamente em relação à luta laboral dos docentes, da qual tem sempre muito para opinar depreciativamente…

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  5. No 623, o “tiro ao boneco” passou de 5 para 10 pontos… a questão de desenvolvimento de 50 para 20… ou seja, o IAVE borrifou-se para o trabalho de 3 anos por parte de alunos e professores… que adianta prática de trabalho colaborativo e mais não sei quê se depois é esta trampa ??
    Os bons alunos são claramente prejudicados !!

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    1. Sim, este exame de História qualifico de vergonha. Para além do que aponta, já de si lamentável (uma pergunta de desenvolvimento vale 20 pontos e tiro ao boneco 10, o que é fantástico) alterou-se a forma de enunciar as perguntas. Ou seja, andamos a preparar os alunos com base nos exames de anos anteriores e depois é isto. Já no ano passado alteraram a forma de correção da pergunta de desenvolvimento. Agora alteraram os critérios novamente e não dão informação nenhuma. Provavelmente esta nova tipologia foi ensaiada com os professores que fizeram a formação (em plena atividade letiva e ao sábado, pois somos missionários), mas será tão difícil assim informarem as escolas das alterações? Será que os professores são todos uns mentecaptos que não sabem ler e interpretar as informações e precisamos de formação sobre estas coisas??? Isto tudo é lamentável e quem sofre são os alunos. E no meio disto tudo vejo outras associações profissionais reclamarem dos exames das suas áreas (como a de Matemática e Física) onde anda a APH??? e a CONFAP não vê isto???

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  6. Se de facto os exames fugiram à matriz que estava estipulada (por exemplo, na alteração da valorização de componentes, na variação do número de temas alternativos), não percebo como aos responsáveis do IAVE ainda não lhes foi mostrada a porta da rua. Desde logo, invalida qualquer avaliação dos resultados a longo termo. Trata-se de uma manipulação dos exames inadmissível. Pais, professores e alunos estão a encarar isto com surpreendente calma.

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  7. No caso da Matemática A há muito que se sabia destas normas e os alunos foram alertados para as situações.

    Parece-me que haverá aqui uma tentativa de aproveitamento da comunidade escolar do ambiente hostil na Educação para justificar alguns insucessos.

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    1. sabiam de normas anti-pedagógicas e não se manifestaram…
      (não poder alterar respostas no 1º caderno depois de entregue, se entretanto o estudante concluiu que se enganou, é inadmissível; aliás, é incompreensível porque tem de se entregar o 1º caderno. Nunca vi fazer isso em testes de avaliação nas escolas.)

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  8. Qual a necessidade do aumento de dificuldade nos exames? Não encontro resposta, alias só acho mesmo desnecessário. Muitas vezes no ensino superior os conteúdos irão ser repetidos.
    Um qq Exame deverá testar conhecimentos essenciais, o resto são tretas. Os egos que incham ao elaborar exames estão ao rubro.

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  9. O Manuel tem razão, a estrutura em 2 cadernos NÃO pode ser apontada, pois consta da informação-prova da prova 635 publica desde novembro 2017 (por aí). Ninguém foi apanhado de surpresa

    Além disso estes alunos, do 12º ano, já foram alunos do 9º… já aí a prova de Matemática (código 92) tem 2 cadernos e recolha das calculadoras e “intervalos técnicos”… o Prof Hist nunca vigiou 9ºano? Leu a informação-prova publica? Não podemos ser todos MST pois perdemos credibilidade!

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    1. o Prof Hist leu e explicitou junto dos seus alunos a informação-prova 623… nela não constava qualquer alteração de fundo … se desqualificar uma pergunta de desenvolvimento que valia 50 pontos para 20 e de comparação de 25 para 15, passando a sobrevalorizar escolhas múltiplas que só beneficiam os alunos pouco estudiosos… quem é MST ? Eu ou apbaz ?

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    2. não poder alterar respostas no 1º caderno depois de entregue, se entretanto o estudante concluiu que se enganou, é inadmissível; aliás, é incompreensível porque tem de se entregar o 1º caderno. Nunca vi fazer isso em testes de avaliação nas escolas.

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  10. eliminaram a cotação de 15 pontos.
    quando os critérios específicos forem divulgados aos corretores, é que se verão quais as consequências dessa alteração.

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