Parece Que É Irritante…

… que exista quem olhe para o que está em seu redor e tente fazer um retrato minimamente fiel, sem ser pelos olhos de cartilhas pré-definidas ou fidelidades organizacionais. Parece que não há espaço entre as trincheiras.

Confesso… nas últimas semanas segui a práxis determinada pela Plataforma Sindical, tanto em calendário como grelhas para escalas e fundos de greve (esta parte é mais complicada, parece que há quem só tenha ido à sua escola contribuir uma vez para a fotografia). Não fui “radical” como o pessoal do S.TO.P. e não desalinhei um fio da “estratégia” da ortodoxia.

Mas parece que não me é permitido, depois de declarada a trégua estival na luta por parte dos poderes dominantes, manifestar o que penso ou acho.

Fico em terra de ninguém entre os pragmáticos do “as coisas são assim a luta só pode ir até onde pode ir e agora só pode ir até aqui” e os radicais do “vamos até às últimas consequências”.

Em relação a ambas as posições tenho dúvidas em razoável quantidade, mas deixo apenas uma para cada facção, no sentido de me ser respondido com alguma objectividade por quem sabe por certo mais disto do que o sniper de serviço (parece que ganhei outra alcunha… pelo menos já não é só “o fdp do gajo/gordo/guinote”, para ficar pela letra g)

Em relação aos pragmáticos que tanto dizem que a “solução” já está na lei do OE para 2018 gostaria de saber o que farão se até aprovação do OE para 2019 essa tal pretensa lei não for cumprida e se sequer faz sentido ter andado a fazer greves se a coisa “já está na lei”.

Quanto aos radicais gostaria de saber se ir “até ao fim/às últimas consequências” significa fazer greve até 31 de Julho ou se há algo mais para dia 1 de Agosto. Porque a 13 ou 31 de Julho estará decidido exactamente o mesmo, ou seja, nada.

Muit’agradecido e escusam de me explicar – em especial as pessoas sobre as quais nada sei sobre o que fizeram até hoje de concreto para além dos guiões recebidos – que eu só não sei as respostas porque sou muito burro e carente de formação na arte superior da negociação político-sindical que tantas vitórias nos tem dado desde 2005. A minha burrice e escassez de conhecimentos é por demais conhecida por todos vocêses.

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22 thoughts on “Parece Que É Irritante…

  1. Sabemos bem que há quem ache irritante os outros pensarem, porventura por uma falta de compreensão e empatia. Percebe-se que é actividade que não apreciam (ou de que não são capazes?) e ser seguidista dá menos trabalho.

    Podemos discordar, mas para até para discordar como deve ser é preciso pensar, raios partam.
    Por isso, sugiro-lhe humildemente que mande tais criaturas para onde elas merecem estar, um conhecido local cujo nome, por respeito pelo seu espaço, não vou aqui escrever 😉

  2. o limite é 1 de Setembro! é a única data que faz mossa…aí sim! depois de saírem as listas e dos colegas contratados já estarem, ao tempo, “no olho da rua” (muitos ainda nem sabem quando há-de marcar as férias) então sim seria bonito de se ver… é que isto já seria suficientemente caótico se fossemos TODOS Qe/Qas…o problema é que não somos!

  3. No meu agrupamento, realizou-se hoje uma reunião onde os docentes (todos) declararm querer continuar a greve às avaliações até 31 de julho. Portanto, entendeu-se que os sindicatos que ontem estiveram na reunião com o ministro não nos representam, nem defendem os nossos interesses e que nós, os professores, continuamos a exigir os nossos 9A 4M e 2D. Sem políticas, sem arranjos, sem hipocrisias. Assim.

  4. Amanhã vamos reunir na minha escola para decidir o que fazer. Em principio, caso o STOP mantenha a greve, é para ir até ao fim. Se for 1 de Setembro, o STOP é quem mais ordena.
    Já sei de muitas escolas a desmobilizar, os agentes sindicais já estão ativados, vamos ver.

  5. Eu respondo sem rendilhados: greve por tempo indeterminado.

    Tal como defendi, com os serviços mínimos, a desobediência coletiva à coisa.

    Sobre ortodoxos, desde os tempos do pseudo-engenheiro desprezo e ignoro o grande líder oriundo do PCP. Sobre o coitado do Dias… adiante.

  6. Os partidos comunistas foram os primeiros a ter guia de marcha na Europa. Depois disso já feneceram socialistas, sociais democratas e democratas cristãos em vários países europeus. Por aqui a renovação ainda nem chegou aos primeiros. O atraso vai-nos custar caro. Quando os nossos populistas tomarem o poder a sociedade já estará tão anquilosada que se passarão décadas até haver novamente alguma participação cívica.

  7. “que eu só não sei as respostas porque sou muito burro e carente de formação na arte superior da negociação político-sindical que tantas vitórias nos tem dado desde 2005.”

    Sinto-me igualzinho. “Semos” ignorantes mesmo… até demonstração em contrário! Com tantas vitórias dos sindicatos, o defeito deve ser da minha carteira mesmo (estará rota certamente) ou dos meus óculos (que estão desfocados com tanto estrabismo, miopia e afins).

    Por isso é que quando o márinho convida à “luta” eu aponto-lhe a porta como serventia da casa.

  8. Espero q nunca lhe falte o argumentário e a perspicácia para analisar a situação, como tem sido, aliás!!!!Eu agradeço e os outros docentes também, espero.

  9. O Stop e muitos independentes dos sindicatos têm sido uma pedrada no charco de um sindicalismo podre de uns quantos senhores ( MN E DS) e os seu acólitos que só querem preservar os seus lugares uma vez que entrar numa sala com 26 alunos dói… Felizmente que esse senhores estão destacados nos sindicatos os nossos alunos agradecem porque nada sabem fazer numa escola. Não é verdade Francisco Almeida de Viseu? Em 38 anos de “serviço” quantos dias efetivos tens ?? Um mês ? Desculpa exagerei…

  10. A desvalorização, o desprestígio, a degradação e mesmo a humilhação dos professores tornou-se uma evidência para quem viveu a carreira e as lutas dos professores nos últimos 50 anos. O mal-estar docente e o burnout ganharam proporções não apenas preocupantes, mas também comprometedoras da saudável evolução da sociedade portuguesa. Sem educadores motivados e competentes não pode haver educação de qualidade.
    Como foi possível chegar aqui? Porque é que os professores perderam prestígio e estatuto, em contraciclo com o aumento da escolaridade obrigatória, com a expansão do ensino superior, com a educação ao longo da vida, com uma população incomparavelmente mais escolarizada?
    Salientaria três causas principais:
    1) o Estado não soube gerir a massificação da educação e dos professores. O pós 25 de abril identificou bem a necessidade de mais escola para todos, mas não soube criar as condições para a melhoria da escola;
    2) os sindicatos dos professores mais representativos, dirigidos por burocratas partidários, radicalizaram-se em torno dos partidos e conduziram as lutas dos professores para o campo das guerrilhas político-partidárias em vez de as centrarem na melhoria da qualidade da escola e da educação;
    3) como consequência, as lutas dos professores estão hoje totalmente deslocalizadas e desfocalizadas dos objetivos centrais da educação, das escolas e dos próprios professores.
    Para o Estado a filosofia é clara: para professor qualquer serve.

    José Afonso Baptista, professor aposentado. Doutorado em Ciências da Educação, foi diretor regional de educação do centro e professor da Universidade Católica Portuguesa

  11. Boa noite Paulo Guinote! O meu muito obrigada pela coragem com que nos tem defendido. Não é fácil… lidar com a injustiça de tantas inferências… com tantas palavras descontextualizadas… perdidas do sentido da caminhada. Assinei e fiz assinar algumas das pessoas de quem gosto. Professores? Nem todos. Estive atenta à contagem crescente… não era minha e apoderei-me da sua força. Acreditei na possibilidade. Olho para a luta diária. Sou professora há quase um quarto de século. Vou permanecer no quarto escalão, duplamente penalizada – pelas cotas para atribuição da nota que me permitiria não ficar a aguardar – e pelo aguardar no tempo, pelo tempo de permanência, acrescido do tempo de abertura da vaga. Ena! No tempo, pelo tempo, do tempo… só não é “o” tempo certo. Acresce-se o “Horário zero”. Quase todos os anos, mudo de escola. Estamos quase em agosto e… estou de novo de partida. Crio laços, crio pontes mas sei que no final de cada ano letivo tenho de prosseguir. Para onde vou? Saberei, com sorte, em meados de setembro. Porque até o meu grupo de recrutamento…. não é do tempo certo. A velha história: de dois passou para um.

  12. Caro Paulo Guinote

    Por que é que 31/Jul é diferente de 13/Jul, na minha opinião:
    – porque ao pararmos com todas as greves a 13 parece que estamos a concordar com o silenciamento desejado tanto pelo governo como pelos sindicalistas de profissão;
    – porque ao pararmos a 13, parece que depois de nos terem sovado, repetida e longamente, finalmente nos acertaram na cabeça e caímos inanimados (exaustos destes dias de luta, de argumentação, de respeitar escrupulosamente todas as pessoas e opiniões, de todas as reclamações feitas e apresentadas);
    – se fizermos greve só mais 1 dia (o que só poderá ser feito ao abrigo do pré-aviso do S.TO.P, segundo julgo perceber, pois cada professor individualmente não pode fazer um pré-aviso de greve), se conseguirmos que as reuniões continuem a não se fazer no dia 16 ou no dia 17 estaremos a mostrar à plataforma dos sindicatos que não ficámos satisfeitos com o desfecho destas negociações e da partida para férias (a 13/Jul!…) dos sindicalistas profissionais;
    – estaremos igualmente a mostrar ao Ministério (caso alguém lá fique e não vá de férias) que a nossa luta é nossa e não é uma questão de bandeiras de sindicatos;
    – estaremos a mostrar a toda a gente que, apesar de sovados, ainda não estamos inanimados, ainda não desistimos.

    Ocorreu-me por estes dias, e defendi-o perante colegas, que deveríamos manter a greve pelo Agosto fora, pelo Setembro dentro, para obrigar o Ministério a ceder ou a ter que encontrar uma solução (certamente onerosa) para garantir a presença de todos os professores em reuniões em Setembro, mesmo os que não estiverem colocados na altura ou que estejam colocados noutros concelhos/distritos. Tinha, nesse momento, como pressuposto que o nosso direito às férias é inviolável, e que não poderiam ser marcadas tarefas nesses momentos.
    Mas, aparentemente, este direito não é tão inviolável como supomos.

    E assim, acho que mais 1, 2, 3 dias é muito importante; mas já não acho que se deva ir além de 31/Jul. São muitos os colegas que têm férias marcadas, com as suas famílias, férias já pagas, férias a que têm direito. Prolongar as reuniões para dentro do Agosto, seria prejudicar esses colegas: a somar a todo o prejuízo que já sofreram (pelas decisões/desconsiderações do governo, pelo dinheiro que deixarão de receber pelo facto de já terem feito greve; pelas desconsiderações dos Pais/EE).
    Mais uns dias ainda pode fazer diferença.
    Obrigada.

  13. Obrigada a todos aqueles que vão continuar a mostrar a revolta que é também minha. Eu não poderei continuar a fazê-lo: conseguiria suportar os olhares e os comentários de muitos colegas mas – porque praticamente sozinha – financeiramente, é-me inviável. Infelizmente, o delegado sindical da Fenprop, docente da escola – colega que brevemente transitará para o décimo escalão e que leciona apenas UMA TURMA – “evaporou-se”, logo no início da contestação, não a organizando, nem motivando os colegas para a mesma, e permitiu, com a sua presença no único Conselho de Turma de que faz parte, que a reunião do mesmo se realizasse a 5 de julho! Belo exemplo!!! Obrigada a todos, obrigada a Paulo Guinote, também pela clareza, pela classe com que expõe e argumenta.

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