Contra O Arianismo (Cosmético) Militante

Texto enviado por uma coordenadora de departamento de uma escola deste país. É longo, mas nem todos podemos ficar pelos títulos e sons que mordem e fogem.

Caros colegas, como sabem, a flexibilização curricular está na ordem do dia.
Antes de mais convém esclarecer que a flexibilização curricular não é obrigatória para tudo e para todos. Ela está pensada desta forma:
1.º Ciclo: matriz de 25 horas em todos os anos, incluindo intervalos, com 5 horas para expressões físico-motoras e artísticas. 
 2.º e 3.º ciclo: clarificação de matrizes de 45’ e 50’; Introdução de TIC e área de Desenvolvimento Sustentável e Cidadania.
 Secundário: permeabilidade entre cursos Científico-Humanísticos e entre cursos CH e Profissionais. 
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Antes de agir é preciso pensar e pensar não é para todos. Neste país ainda só alguns o podem fazer com direito a plateia doméstica/domesticada e com o bónus de serviços de informação prévia. É preciso saber pensar e nisto, como noutras coisas, ninguém pode dar aquilo que não tem. Os Arianos de Arius apenas não acreditavam na consubstanciação, mas não consta que acreditassem em deusas, nem tão pouco em “deias”. Contudo, todos temos iDEIAS e ainda bem porque, se assim não fosse, partia-se do princípio que éramos todos iguais e não somos. Somos todos diferentes, felizmente! A simetria e a uniformização são uma monotonia…Só é pena que nem sempre se RESPEITE A DIFERENÇA…e se leve às cordas quem não se submete à lógica do rebanho e assumidamente seja “politicamente incorreto”.
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Arengando assim, será que a flexibilização é positiva? Cada escola tem realidades diferes.
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Pois…mas, na realidade, nem sou a favor, nem sou contra a flexibilização. Acho (tenho alguma formação e experiência para começar por “acho”) que nestas questões respeitantes à educação é preciso ter muito cuidado porque é a área predileta para o exercício de formatações e é do futuro que se fala, ou seja, dos mais novos.
 
Para se fazer flexibilização curricular, vejo as seguintes dificuldades:
 
1-Os professores estão cansados de “experiências” do ministério da educação.
2-O ministério da educação não motiva os professores (salários, progressão carreira, idade reforma, trabalho burocrático).
3- O corpo docente está envelhecido.
4-Os alunos chegam à escola com menos competências, sobretudo ao nível do saber estar. Provavelmente já procedem do seio familiar com esse handicap.
5-Os programas escolares são longos e todos têm de os cumprir. Ainda bem que existem programas porque a escola não é uma comissão de festas, não é uma empresa de organização de eventos e muito menos deve dar aos alunos uma mão cheia de nada.
6- Continuam a existir exames e até “acho” que alguns devem permanecer, pois a dimensão do país e a ética humana não justificam  a “balda” completa.
7- As condições físicas das escolas deixam a desejar, nomeadamente a nossa.
8. O 1º período escolar é excessivamente longo.
9. O 3º período escolar é excessivamente curto.
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Na escola, o “tubo de ensaio” para este tipo de projetos, vejo as seguintes mais-valias:
1. O corpo docente contém pessoas dedicadas, experientes e com boa qualificação.
2.   Os alunos gostam de atividades “extracurriculares”, provavelmente pelo excesso de carga letiva do sistema educativo português e pelo desafio criativo e de sociabilidade que são.
3.   O meio envolvente é tranquilo, aprazível e a comunidade escolar aqui no Minho é colaborante. “O povo  é sereno”, seguro e de “brandos costumes”.
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Antes de se flexibilizar é preciso não pisar o campo das epistemologias e nem todos têm sensibilidade e formação para tal. Isso exige grande bagagem teórica ao nível científico e histórico-filosófico, por isso flexibilizar é como pisar um campo de minas. Nessa questão, como noutras, nunca devemos “colocar sapateiros a tocar rabecão”. Devemos é colocar os sapateiros, com todo o mérito, a fazer os bons sapatos e os músicos, com todo o mérito, a tocar rabecão.
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Quando às elites reinantes (por ciclos de 4 anos visivelmente, embora existam as elites silenciosas transversais) começam sempre por nos dizer que a escola de hoje está mal…que os alunos não gostam dela. No entanto, esquecem-se que a escola é e sempre foi um campo de confronto geracional que ensina a ler, escrever e contar. Já foi mais, é certo. Hoje há mais tolerância,  menos rigidez e o peso da tradição é menor…
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Não nos podemos esquecer que a seguir à flexibilização de certeza que vão querer acabar com os exames que, nesta altura, a meu ver, são muitos, mas considero que tem de existir alguns, talvez só 2 no 4º, no 6º, no 9º e no 12º ano e nada de provas de faz de conta, como as de aferição.
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Também não nos podemos esquecer que a seguir à flexibilização vão querer que a escola seja um mero festival de flores folclóricas e que vão querer que os conhecimentos passem a terceiro plano nos critérios de avaliação. Ou seja, vão pretender valorizar as atitudes e as capacidades em detrimento dos conhecimentos. Só que ninguém desenvolve capacidades e atitudes a partir do NADA, ou do éter. Os conteúdos continuam a fazer falta, os conhecimentos são a forma mais objetiva de avaliar alguém, apenas porque as atitudes são de avaliação subjetiva e os valores também são relativos. Além disso, também as capacidades só se podem medir com grande dose de relativismo, pois se até o conhecimento científico É RELATIVO! É só ler Karl Popper, ou Thomas Kuhn, referindo apenas dois, mas há mais pessoas discretas com muito mérito. Basta olhar para as escolas para sabermos que na humanidade assim é. Bons professores e bons alunos não são showoff porque são sólidos e não precisam de iludir ninguém.
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Como vamos avaliar as capacidades? Tem que haver conhecimentos na base do desenvolvimento dessas capacidades. Ou será que cada escola decidirá que capacidade vai desenvolver? Se assim fosse talvez no colégio se optasse por desenvolver a capacidade de investir na bolsa e na escola do bairro se optasse pela capacidade de “abrir” portas. Pois se cada escola puder flexibilizar com o material humano que tem e de forma a ir ao encontro dos interesses do seu público alvo! LoL (“laughing out loud”).
E já pensaram que talvez se esteja mesmo a caminhar para a tal uniformização?
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Ouvimos dizer que o conhecimento está todo na internet…(LoL).
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A internet não respeita fronteiras nem identidades e ainda é uma boa arma de propaganda para radicalismos. É preciso que se continue a ensinar a ler, escrever e calcular. É e continuará a ser necessário professores para ensinar. E nisto também ninguém dá aquilo que não tem. Como poderá um professor ensinar se ele próprio não tiver formação académica e não se cultivar? Continuaremos a ter necessidade de gente a ensinar a selecionar e organizar informação, a ensinar a fundamentar, a pesquisar, a ensinar a comparar fontes, a desenvolver o sentido crítico a incentivar à tolerância e ao respeito pelas ideias dos outros. Caso contrário, tudo estaria em autocultivo narcisístico porque o ser humano é prodigioso, mas também é muito perigoso. A internet não tem todo o saber, claramente!
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Sou uma mera professora “zeca” com experiência de docente há praticamente 30 anos, PENSO e EXISTO. Tenho estado  ao serviço de escolas de diferentes contextos, no ministério da educação português e só com base nisso e no PENSAR e EXISTIR proponho-vos que antes de flexibilizar se respeitem alguns princípios: 
  • . Privilegiar o sucesso escolar e a qualidade das aprendizagens dos discentes;
  • . Assegurar equidade e acesso de todos os estudantes aos saberes (ser, fazer/estar;
  •  .Valorizar os Saberes , o Conhecimento e os métodos para alcançá-los porque este evoluiu;
  • .Preservar as cargas horárias das diferentes disciplinas evitando relativismos de caráter epistemológico;
  • . Dar primazia à flexibilização das atividades a realizar no âmbito do PAA;
  • .Evitar a inviabilização do cumprimento dos programas das diferentes disciplinas; 
  • .Criar, ou fazer renascer a “semana cultural” com visitas de campo, oficinas e palestras. Sugiro que se efetue a meio do 1º período (o mais longo), com interrupção de atividades letivas e 2 dias dedicados a preparação de exposições, peças teatro, mostras de experiências laboratoriais, declamações, recitais, concursos, feiras, competições desportivas…e 3 dias para as apresentações com abertura à comunidade e uma festa a ela dedicada no último dia da semana. Finais de outubro. Pode ser uma semana cultural por ano ou duas semanas culturais por ano…
  • .Apostar no ensino profissional, pois reconhecidamente é necessário e produtivo. Além disso permite canalizar talentos.
 
Não podemos é cair nas falácias que já andam a denegrir a classe docente na comunicação social. Não vamos comprar tudo que nos querem vender como se fossemos  acéfalos e acríticos.
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Se repararem já andam por aí no youtube, nos artigos de jornais e nas reportagens televisivas concepções minimalistas e maniqueístas que dizem que a escola antes da flexibilização (isto é, a escola de hoje) é antiquada,  que não é necessária porque está tudo na net, que a escola de hoje produz por lotes com base na memorização e na repetição, que a escola de hoje não valoriza a criatividade, a autonomia e o trabalho de grupo. E tudo isto só é verdade para aqueles que não estão no terreno, que vivem da criação de má imagem para a escola, que querem cumprir ordens, que estão ao serviço de razões ocultas, que querem manter as pessoas separadas por elites que mandam e obreiros do tipo Admirável Mundo Novo.
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Quem não se lembra da área escola? Quem não se lembra da área de projeto? Só quem está na educação portuguesa há menos de 10 anos e esses são raros, raríssimos/raríssimas até!
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Quem nunca organizou visitas de estudo, feiras, exposições, atividades do plano anual da escola? Quem nunca articulou para abordar questões da área da cidadania? Quem nunca resolveu conflitos na sala de aula? Quem nunca usou meios informáticos? Quem é que só deu aulas expositivas nos dias de hoje? E a resposta a todas estas questões é _ NINGUÉM, como o romeiro do Almeida Garrette!
Quem é que já fez projectos de trabalho de turma? Quem é que já fez coadjuvâncias? Quem é que já fez reuniões e substituições? Quem  é que já fez Planos individuais de trabalho (PIT)? Quem é que já fez planos de educativos individuais(PEI)? Quem é que já fez adequações curriculares individuais (ACI)? Quem é que já fez planos de apoio pedagógico individualizado  (PAPI) para diferentes alunos? Quem é que já conversou com os pais dos alunos e com os alunos? Quem é que já reforçou positivamente as aprendizagens dos seus alunos? Quem é que já ouviu os seus alunos? Quem é que já incentivou e motivou os seus alunos? E a resposta a estas questões é….TODOS, como os mosqueteiros do Dumas!
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Face a isto, como é possível falar-se tão mal da escola de hoje! Ainda custa mais ouvi-lo daqueles que se dizem professores…
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Se a escola de hoje fosse uma linha de montagem do sistema industrial, também Einestein e Churchill seriam subprodutos industriais! E, no entanto, foram excepcionais!
A tecnologia permite aprender tudo? Essa só cabe na cabeça dos fat trumpistas da américa profunda. Quem é que não viu rapazes lavadinhos do ocidente alistarem-se no daesh e irem sujar-se no deserto por causa da “tecnologia”, por causa do sentimento de vazio, ou da falta de conhecimentos sólidos?
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As crianças de hoje não estão apáticas nas salas de aula. Elas absorvem as novidades e novos ensinamentos. Absorvem, desenvolvem, criam, trabalham em equipe…  Há muito mais sucesso que insucesso e as estatísticas comprovam-no! Claro que gostaríamos que ainda estivessem mais participativas, mas com regras. Claro que nenhuma participa espontaneamente e produtivamente quando não come, nem dorme a horas, ou quando não vê e não conversa com os pais porque emigraram ou estão a trabalhar. Claro que também não o fazem se o único meio de acesso à cultura que têm à sua disposição é a televisão ou  o facebook e se a única coisa que consomem é fastfood.
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Dizer que a parque escolar dotou o país de boas escolas é campanha política porque todos sabemos que o ar condicionado e o aquecimento não funcionam por limitações orçamentais e também é falácia porque nós trabalhamos numa escola do tempo do amianto que está há quase cinquenta anos à espera de obras, aquecimento ou ar condicionado. Não entendo é porque razão os pais que hoje em dia são tão zelosos do bem estar material dos seus filhos nada fazem quando eles congelam e ficam com gripes no inverno…e isto já não tem a ver com conforto, mas sim com humanidade.
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“Não se está como em Moçambique”. Pois, em Moçambique, o que as crianças querem é ir à escola! E essa é a prova irrefutável  de que a desmotivação na escola não vem da escola em si, vem é do meio ou vem de casa, mas muitas vezes do genes, da poluição e da desestruturação familiar e até da alimentação tóxica. As crianças admiráveis de Moçambique, como as crianças admiráveis de todo o mundo, têm é sede de conhecimento!
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“A escola é uma chatice hoje”, ou a escola sempre foi uma chatice? É e há-de ser, o Einestein e o Churchill que o digam…A realidade é que todos sabemos que a escola é um bem necessário que agradecemos quando somos adultos e que desprezámos nas idades em que nos é imposta. Só a começámos a adorar quando temos maturidade suficiente para fazer escolhas específicas nas nossas áreas de interesse ou quando escolhemos o curso que queremos fazer. Era bom se pudéssemos colocar o Einestein e o Churchill a depor sobre a importância da escola nas suas realizações e ouvi-los-íamos destacar a sua importância e a valorizá-la.
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Portanto, até me parece que flexibilizar já nós flexibilizámos há muito tempo e que não se fazem reformas no ensino pro buono. Todos os professores e alunos deste país fizeram maravilhas no tempo da “área escola” e na “área de projecto”  e sabem que o fizeram graças aos conhecimentos, à investigação séria e ao sacrifício da sua vida pessoal, pois a maioria dos projectos fez-se com a carolice e empenho extra-horário de todos. Contudo, qualquer ser tem direito a sossego, a vida pessoal e a vida familiar, pois também é usual ver os professores descuidar os próprios filhos por estarem muito absorvidos com as coisas da escola. Nenhuma entidade patronal tem o direito de explorar a custo zero. O TEMPO é um bem demasiado precioso para nos deixarmos manipular. Todos temos direito ao nosso tempo para ler, fazer exercício, meditar, brincar, namorar, estar com a família, investigar, escrever,  estar com os amigos, fazer voluntariado… enfim, todos temos o direito de usufruir da nossa natureza humana.
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Sem que se estudem impactos e se façam balanços de medidas anteriores, todos os que chegam aquele sacrossanto ministério da educação querem deixar a sua marca. E se há medo que devemos assumir como real é o da ignorância. Todos os outros medos que nos incutem desde a infância não têm de existir porque como seres humanos que somos temos um potencial que é amordaçado por programas ou sistemas de crença que se auto-sustentam com o pânico alheio. Nesta vida temos de fazer limpezas, cultivar e investir em nós mesmos, cada um escolhendo o seu próprio caminho.
Grandes reformadores no ensino português felizmente existiram: Sebastião José de Carvalho e Melo, alguns republicanos, Veiga Simão e Roberto Carneiro. Foram poucos num espaço de tempo longo “no país mais antigo da Europa” e infelizmente nem todos os que ambicionam inscrever-se na história têm a envergadura destes homens nem beneficiam dos contextos em que eles vingaram. Somos todos diferentes, somos todos fruto de um tempo, de um contexto e ninguém pode, mais uma vez, dar aquilo que não tem! A humildade e o conhecimento do self são importantes para se poder evoluir, pois aquele que já se acha perfeito não vê necessidade de se melhorar. Humildade não é o mesmo que subserviência, pois essa é perigosíssima, prejudica a humanidade, perpétua injustiça, gera revolta e maleita.
Todos os que chegam aquele sacrossanto ministério da educação querem deixar a sua marca e o filme é sempre o mesmo: 
  • take one _ diabolizar os professores;
  • take two _ diabolizar a escola; 
  • take three _ domar os media;
  • take four _contratar teóricos;
  • take five _escrever e disseminar ideias fáceis e demagógicas que galvanizem alguns, sobretudo o senso comum;
  • take six _ contar com a inevitabilidade do apoio da indústria do ensino para produzir novidades;
  • take seven_revogar leis parcialmente, para a confusão na cabeça dos professores ser maior (convém que eles tenham medo e que morram cedo), 
  • take eight _criar nova legislação mantendo alguma da antiga (ajuda a anestesiar os professores mais críticos)
  • e ,at last, but not least, 
  • take nine _publicar em diário da república e impor aos serviçais (para isso é que eles existem!).
Nine nove vezes fora= NADA: uma mão cheia de nada! Mas  muito, muito sururu, muito, muito papel, muita, muita reunião, muita, muita gente exausta/cansada e outros a assistir da bancada! 
Como não há bom filme sem Happy End… para o ramalhete ficar mais composto ainda se produzem mais necessidades como as de mudar exames, perfis, programas, etc.,  só para garantir ad eternum feudos para todos os que estão IN. 
É uma “never ending story” .
JÁ VIMOS ESTE FILME! Pim, pam, PUM!
 
Já que neste país (que é bom) tudo se muda por decreto, e uma vez que, no 1º ciclo se flexibilizará  a 25 horas (reparem no caricato que é flexibilizar 25 horas _ então flexibilizar não será o contrário de rigidez?), vamos assumir as nossas responsabilidades com profissionalismo.
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Todos sabemos da importância de um bom professor na vida de uma criança, por isso, se há ciclo importante, é este. Se um aluno tiver uma fraca primária, será sempre mau aluno. Aquele que tiver um bom professor primário/basilar/alicerçante poderá sempre voar mais alto. É fundamental continuar a ensinar com qualidade a leitura, a escrita, o cálculo e a arte. O professor primário deveria ser o mais qualificado de todos os professores e aquele que sentisse mais vocação para o ensino, porque também nisto, como em tudo, o QE tem a sua influência e todos somos bons naquilo que fazemos, se gostarmos daquilo que fazemos. Mais uma vez, o Einestein e o Churchill que o digam…e diriam se pudessem! 
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Se se vai flexibilizar que não seja mais uma vez à custa de sacrifício de professores, alunos e pais. Há que dar tempo às crianças. Elas precisam de brincar, ler, jogar, conviver, subir a árvores, fazer rodas, contar lendas, cantar lengalengas, dançar, ouvir música, fazer exercício, pois já é demasiado penalizador para as crianças passar tanto tempo na escola, longe do carinho dos pais porque também eles estão num sistema maior que os obriga a trabalhar muito e segundo preceitos economicistas.
 
Como sempre, teremos de ser nós os verdadeiros professores de carne e osso a ser conscienciosos, a não alinhar em modas só por serem modas e a filtrar o que nos é imposto, aproveitando o que pode ser útil e, sobretudo, não deixando de ENSINAR e de apostar nos nossos alunos, pois a nossa responsabilidade social é grande. Não podemos cortar as pernas às gerações futuras. Elas têm de aprender a ler, a escrever, a contar, a saber e a contemplar o BELO para poderem crescer indo cada vez mais longe. 
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Assinado: +1prof-zeca
Ariana1

38 thoughts on “Contra O Arianismo (Cosmético) Militante

    1. Tenho quase 40 anos de serviço no primeiro ciclo com muito orgulho e desde o estágio nas anexas ao magistério primário que uma boa planificação tinha que refletir a interdisciplinaridade. Logo chega de Ariana vendilhona…

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  1. Na minha escola, uma das piloto nesta chachada, perguntei se ia haver uma avaliação do que correu bem e menos bem neste ano letivo a respeito da Flexibilização Curricular. Pergunta estúpida da minha parte, pois como me disseram não vai haver avaliação nenhuma. Imparáveis rumo ao sucesso! Isto faz-me lembrar o Grande Salto em Frente do Mao…

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    1. Nunca se avalia verdadeiramente nada.
      Ou não se avalia porque não é permitido, ou não se avalia porque não é promovido.
      Ou não se avalia porque se tem medo de ofender os entusiastas, ou porque se tem medo de passar por estúpido, ou porque, definitivamente, ninguém quer saber de avaliações…

      Mau, mau, é o colega destacado para promover a revolução pedagógica em curso e que, cego de tanto se esgatanhar contra o obscurantismo, declara para uma plateia de zecos que querem ver se percebem alguma coisa do que se está a passar no meio do espójinho do vendaval revolucionário:

      ‘-Não tenho uma receita, não há receitas… venho para que aprendamos uns com os outros.’

      Isto, não é brilhante… é só profundamente cabotino.

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      1. M e Margarida,

        Não penso assim. Pode ser?

        No “zec@” está implícita uma auto-desvalorização e uma auto-flagelação que foi criando raízes nos últimos tempos.

        A colega que escreveu este texto é tudo menos isso.

        Somos professores.

        Ponto.

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    1. Colega F,

      Não concordo com essa forma de “ver ” . Pode ser ?
      Quando a autora, resolve assinar ” +1prof-zeca ” tem algo implícito.
      Revela não pretender dissociar-se ,afastar-se da sua classe profissional. A classe dos Professores.
      Como bem sabe ,há ” ilustres” da nossa praça que referem depreciativamente — “classe dos professorzecos”.
      A autora pretendeu ser solidária com os seus colegas Professores.
      E por isso assinou assim.
      Diz-se ” dar estalo com luva branca “.

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      1. F,
        Veja lá o texto ,sff.
        … ” Sou uma mera professora “zeca” com experiência de docente há praticamente 30 anos, PENSO e EXISTO. Tenho estado ao serviço de escolas de diferentes contextos, no ministério da educação português e só com base nisso e no PENSAR e EXISTIR proponho-vos que antes de flexibilizar se respeitem alguns princípios: “…
        Já tinha lido ?
        Aposto que não.
        É intencional ! Ainda n concorda ?
        Não é só no final,tb no meio !
        O cloro n existe na piscina que frequento ( de vez em quando ) isso é de outras épocas .Do antigamente . Cloro ? Hoje ? Talvez no lago do Jardim do Campo Grande !

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  2. Ao ler este texto entrou-me uma lufada de ar fresco pelo cérebro a dentro! Eu também quero ser +1prof-zeco. Alguém consegue fazê-lo chegar aos MST.s, Porfirios… deste país?

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  3. Muito Bom.
    O Pensar… o Conhecer… o Articular… a Diligência… a Memória… a Crítica…
    Como tudo poderia ser diferente se a maioria fosse assim.

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  4. Muito bom texto.

    Eu ainda pedi que me enviassem a fundamentação teórica da “flexibilização”, porque gostaria de a poder ler.
    Escusado será dizer que ainda hoje estou à espera 😉

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  5. Muitos parabéns à colega pelo conteúdo deste texto. Os “iluminados do ministério” precisavam de refrescar as suas ideias lendo e absorvendo algumas aqui tão bem descritas.

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      1. Sim, claro, da colega, um erro, é absolutamente normal ter lapsos, não saber tudo, distracções! Deixei-me levar. Estava a pensar noutras coisas e saiu-me. Culpado, … somos ninguém 🙂

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  6. Concordo e subscrevo!
    Relativamente ao take seven_revogar leis parcialmente para criar confusão, estamos na presença de mais uma sequela!
    O Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, revogou o Decreto Lei 139/2012, de 5 de julho, e os artigos 4.º e 5.º do Decreto Lei n.º 176/2014, de 12 de dezembro. Este DL 176 define, no seu Anexo II (a que se refere o seu artigo 6.º, artigo não revogado), os tempos mínimos para as disciplinas do 1CEB: 7h para PORT, 7h para MAT, 3h para EM, 3h para EA+EF e 1,5h para Apoio ao Estudo. Contudo, tenho visto reorganizações curriculares que não observam os tempos mínimos relativos ao AE atribuindo-lhe, por exemplo, 1h em cada ano de escolaridade do 1CEB. Em que ficamos? Cumprem-se os tempos mínimos ou não? No ensino secundário estão, tanto quanto me apercebo, estão a ser observados os tempos mínimos dos Anexos I,III, V, VII da Portaria 243/2012, de 10 de agosto. Il y a ici quelque chose qui cloche, n’est-ce pas?
    Não sou advogada e nem me arvoro em tal. Assim é possível que tenha perdido o fio à meada aquando de alguma alteração do alterado na sua redação atual ! Eu sei que há quem pense, nos estados de incontinência legislativa, que este estilo hermético confere um … um certo « je ne sais pas quoi » !
    Já nada me surpreende. Por exemplo, no ponto 3 do anexo XII da Portaria 243/2012, de 10 de agosto (avaliação do ensino secundário), nunca ninguém no ME se deu ao trabalho de corrigir esta verdadeira pérola da eficiência legislativa destes senhores, e cito: “Para a elaboração da PEA é constituída uma equipa de dois professores, em que pelo menos um deles tenha lecionado a disciplina nesse ano letivo. Para o desempenho desta função não está prevista qualquer dispensa de serviço docente. Ou de componente letiva?” [fim de citação]. Às tantas nunca deram por ela!
    Enfim!
    Colegas, BOAS FÉRIAS E BOM DESCANSO !

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  7. Perfeito!

    A flexibilidade é um “déjà vu” que alguém pouco iluminado e sem grande experiência de escola, de estar no terreno, tenta apresentar como inovador…

    Os MEs das últimas décadas querem deixar uma espécie de “pegada” que se perpetue, mas, na realidade o que nos têm mostrado é que apenas têm feito uma autêntica “ca*ada” no que à educação diz respeito…

    Cá para mim, tudo isto não parece ser mesmo para levar muito a sério!

    A nossa educação já entrou na “silly season” há um bom par de aos…

    Nos tempos que correm já está instalado um verdadeiro “dolce far niente” educativo…

    Enfim… em Setembro estão previstos mais takes…

    Victor

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  8. A Ariana distribui a palha por este país fora, os senhores diretores, que só querem sucesso, comem e como não querem comer a m… sozinhos obrigam as professoraszecas a comer também.. enfim é quem não alinhar pela mesma bitola é um enfeitado..

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    1. Há cataventos entre os diretores, há cataventos na Inspeção, há cataventos nos ministérios e há cataventos na sala de professores, ao nosso lado…
      O catavento -diga-se- não é tão volúvel como pensamos: ao fim e ao cabo, fixo no seu telhado, só espera que o vento mude, para mudar com ele. Isto é coerência, isto é a sua vidinha e a sua razão de ser.

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  9. Na minha terra utiliza-se uma expressão para as pessoas que têm dificuldade em “andar no carreiro”, que é a seguinte: aquilo é gente que não foi parida, foi c@g@d@!
    Nunca simpatizei com esta expressão, mas a vox populi é certeira!

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