No Público de Hoje

Um dos textos de início de ano que mais me divertiu escrever, talvez por já não ter grande esperança nas palavras e actos de quem tem o poder de mando.

A normalidade como algo excepcional

Está tudo “normal”, dentro daquilo que acaba por ser uma espécie de insanidade anual.

(…)

O ano lectivo de 2018-19 começa dentro da “normalidade”, sou obrigado a concordar, se quiser enquadrar-me com o espírito dos tempos. Porque vivemos um tempo marcado pela “velocidade”, pela “incerteza”, pela “mutação permanente” e por um “novo paradigma”, em que as “novas competências para o século XXI” obrigam à redefinição do “perfil de desempenho” dos indivíduos e ao reforço da sua adaptabilidade a um “mundo em mutação”, numa perspectiva de “inclusão”, em que é redefinida a noção de “sucesso” de acordo com a “capacitação” de cada um e não a partir de uma “parametrização” ditada por uma concepção educacional oitocentista, recusando a visão imobilista e conservadora que encara as escolas como um espaço limitado por paredes físicas e conceptuais e condicionada pela avaliação dos produtos da aprendizagem e não pela diferenciação dos processos de ensinagem.

Agora, por favor, releiam o último parágrafo de um só fôlego e tentem não sorrir tanto quanto eu ao escrevê-lo.

PG PB

15 thoughts on “No Público de Hoje

  1. Tu querias era um estrado na sala, livro único, bata a condizer, bico calado, aulas a partir do feriado do 5 de Outubro, calor no Verão e frio no Inverno!
    E depois, ríamos de quê? Seu retrógrado que não entende as idiossincrasias da língua, o mundo novo, o futuro radioso e os amanhãs que cantam!

  2. É daquelas peças que a pessoa imprime e guarda. E fotocopia e oferece, sem medo. E que faz comprar jornais, vários. Noutros tempos, aparecia logo afixada nos placares das salas dos professores 🙂

  3. Grande Paulo !!!!!

    … “Só que vivemos tempos em que o primeiro-ministro considera ser um “sucesso” o facto do maior incêndio florestal até à data (afirmações de 10 de Agosto) não ter causado vítimas mortais como se, de novo, se considerasse como critério de excepcionalidade o que deveria ser apenas normal. “…

    Tantas verdades !

  4. Muito Bom.

    O último parágrafo foi de “levar às lágrimas de gargalhada” pelo “Nada com Muito” e ao arrepio pelo “velho com embrulho novo”.

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