Juntas Políticas Fraudulentas

Eu percebo a necessidade extrema em arranjar nesta altura notícias para amesquinhar os professores, na velha escola comunicacional do ME, mas a verdade é que há pessoas a serem enviadas para as escolas sem quaisquer condições para assegurarem o seu horário e não por questões de “fraude”. Os casos estão bem à vista, todos os conhecemos, assim como Juntas Médias que funcionam de um modo burocrático, completamente desumanizado e sem qualquer atenção às condições concretas das pessoas. Todos conhecemos pessoas perfeitamente incapacitadas (do ponto de vista físico em psicológico) para dar aulas que uns shôres doutores da mula ruça se acham no direito (ou na obrigação imposta por quem os manda) de enviar para as escolas com prejuízo de todos, a começar pelos alunos.

Mais de metade dos trabalhadores do setor da educação que estavam de baixa por doença tiveram de regressar ao trabalho depois de passar por uma junta médica, uma vez que se concluiu que as baixas eram fraudulentas. Os dados constam do relatório da Comissão Europeia sobre a oitava avaliação a Portugal após a saída da troika do país publicado esta terça-feira.

Para mim, “fraude” é ter Juntas Médias que parecem ter quotas a cumprir no sentido de “chumbarem” quem está de baixa médica. Para mim, “fraude” é ter “Juntas Políticas” com gente que nem consegue olhar nos olhos quem manda trabalhar, sem qualquer respeito pelos princípios éticos que deveria cumprir na sua profissão, em vez de optar por ser uma espécie de comissário político para a Saúde.

Os tempos andam negros, negríssimos e em alguns aspectos esta trindade do ME, por acção, omissão ou pura e simples cobardia, cada vez faz mais lembrar a de há uma década. E não se escondam atrás da Segurança Social ou da Saúde.

Shame

37 thoughts on “Juntas Políticas Fraudulentas

  1. Uma vergonha, nada mudou, é claro que o caminho escolhido é continuar a arrastar o nome dos docentes na lama, indiscriminadamente, para os proletarizar totalmente. Desconhecem a realidade das escolas e nem querem saber. Para tão porca política nem o português mais vernáculo é qualificativo suficiente.

  2. MISERÁVEIS os comentários da fne e do comissário filinto. Foi necessário o bastonário da ordem dos médicos para responder à altura.
    INQUALIFICÁVEIS aqueles dois
    ex-professores.

  3. Os professores são uns malandro, principalmente quando exigem a contagem integral do tempo de serviço como aos outros trabalhadores da Função Pública. Ainda se lembram das 7 milhões de faltas que os professores deram no tempo do Valter e em véspera de uma greve? E o caso daquela baixa “fraudulenta” da professora que tinha cancro na garganta e foi mandada ir dar aulas! Tenham um mínimo de vergonha meus senhores e pouco mais de respeito pelos professores.

  4. O ataque continua. Até a Comissão Europeia manda recados para manipular a opinião pública. A reportagem da SIC continua a bater na mesma tecla, a contagem integral do tempo de serviço custa 635 milhões. Não há um pingo de rigor, depois dos sindicatos e do próprio governo, virem desmentir esses números. Tudo serve para denegrir a imagem dos professores e manipular a opinião pública. Daqui a pouco vão dizer que não há aumentos na Função Pública porque temos de pagar aos professores em 8 anos ou que os combóios estão avariados porque o dinheiro é para os professores, vergonha!!

  5. Penso que todos conhecemos um ao outro(a) professor(a) que só não estará de baixa nas interrupções letivas.

    Mas, a avaliar pela cada vez maior exigência e desgaste profissional, amplo leque salarial na remuneração,existência de 2 crivos muito limitativos às progressões na carreira e ao aumento da idade da reforma , é expetável que o nº de baixas médicas tenha uma tendência de evolução crescente.

    A diabolização da classe docente continua.

  6. Aprendamos a ser mal-amados!
    Afinal, à escala de quem contacta connosco, que é a que mais me importa, não me parece que sejamos assim tão detestados…

  7. Post muito oportuno (como sempre). Só não vê quem não quer qual a intenção desta notícia. Por acaso, também gostava de saber se é da política comum europeia as pessoas em situação de baixa médica receberem 40 ou 45% do vencimento e sem receberem nos primeiros 3 dias… De pouco serve dizer-se que é assim para qualquer trabalhador. Será (?) mas não é correto. Para mim, é chocante que em situação de fragilidade e em que as despesas aumentam, quem está inscrito na SS ( na CGA o regime é menos duro) fique numa situação destas. Por acaso, a realidade que conheço é bem diversa da que vem nesta notícia (que não li na íntegra, mas que dá bem para perceber o seu timing)… O que conheço é colegas em situação de doença que retornam ao serviço antes do tempo de recuperação medicamente aconselhável por não poderem fazer face às necessidades de sobrevivência. O que conheço é colegas em situação de doença oncológica que não têm direito a qualquer redução de horário, quando têm atestado x% de incapacidade. Ao que parece só vale em algumas profissões (mas não a de professor) ou dependerá das direções… E o receio é tanto que quem está nesta situação nem se atreve a falar disso. É normal??? O que conheço é colegas (no plural, sim) com doença oncológica, em tratamentos de quimioterapia, agressivos e com efeitos secundários incapacitantes, terem de regressar à escola para cumprirem um horário letivo integral, porque ultrapassaram o limite do tempo de baixa médica findo o qual o não regresso ao serviço nestas condições deixa apenas como hipótese a licença sem vencimento ou a reforma em condições indignas. Está na lei? Está. Está certo? Não. Mude-se a lei que é bem recente. Gostava também que discutíssemos sobre isso, que esse assunto estivesse em cima da mesa. Dirão que não é pior do que a falta de apoio aos pais que têm filhos com doença oncológica. Não é. Não é pior do que os subsídios atribuídos em caso de deficiência. Não é. Mas precisamente por isso, por estarmos a assistir a uma sociedade cada vez mais desumanizada, é preciso não deixar cair no silêncio o que mais importa. Os documentos referência da Educação falam de uma sociedade humanista, nomeadamente o Perfil do Aluno, e tudo caminho ao inverso, inclusivamente quando as disciplinas que mais diretamente visam o desenvolvimento do pensamento crítico, criativo e divergente, a capacidade de compreender o mundo, de se comprender a si enquanto humano e de analisar problemas veem cada vez mais diminuída a carga curricular. O Guinote tem falado da História, eu poderia falar-lhe da Filosofia. Cuidar do corpo é tão importante como cuidar da mente. Um corpo são vale tanto quanto uma cabeça bem feita. Contas de outro rosário? Nem por isso…

  8. No tempo da MLR era tudo mais claro Era muito mau, e sabíamos. Esta gente sinuosa, de sorriso afável e ar cordato é mais perigosa. É o vale tudo. Vendem-se mentiras sobre os professores todos os dias. E todos as compram.

  9. Manipulação pura e dura. E por setor da educação, devem estar a referir-se a dados de docentes, assistentes administrativos e assistentes operacionais (afetos ao MEC e autarquias), embora não esteja mencionado.

  10. Luísa, felicito-a pelo comentário humano, sensível, ‘não-demagógico’ e esclarecido!
    Infelizmente, alguns professores são os primeiros a ‘apontar’ o dedo e a acompanhar este tipo de (des)informação.
    A generalização é não só o caminho mais fácil como também o mais injusto e perigoso, julgo eu.
    Bom ano para todos, principalmente para aqueles que se encontram com problemas de saúde!

  11. Os quadros sindicais da fenprof de todo país desfilaram hoje m na Praça do Comércio. NÃO ao apagão!
    Um passarinho disse-me que esta reunião tem tb a ver com um acontecimento muito especial… palpites?

  12. Mas e o dito relatório onde está? Quero lê-lo para ver o que diz. Já se sabe que estes jornalistas inventam quanto podem. E a notícia completa alguém arranja também?

  13. Esta notícia e o aviso da UE sobre o descongelamento da carreira docente são jogadas sujas. Uma vergonha. A desilusão só não é maior, porque há muito que já não temos ilusões. Jogadas sujas.

  14. Parabéns pelo post e pela verdade.
    Com muita dor, na minha última junta médica, para retorno ao serviço, vi um colega doente oncológico na fila de espera. Doeu, doeu muito, até porque o meu pai morreu com aquela doença, que também a minha mãe teve/tem, mas noutra localização.

  15. À data do seu post estava a acabar de gozar as minhas férias pois tive alta da Junta Médica, em agosto, com indicação de regresso ao serviço para “outras funções”. Está na lei…está. Esta semana quando regresso à escola é-me comunicado que me irão distribuir serviço letivo…porquê? Porque há horas do meu grupo disciplinar para atribuir e a “plataforma” onde as Direções “requisitam” professores lhes “responde” que não podem solicitar professor para aquelas horas pois têm um professor no Quadro do Agrupamento que não tem componente letiva atribuída. Sou EU. Verbalmente é-lhes comunicado que têm que me dar componente letiva…eles são pressionados e a seguir pressionam-me a mim. O mexilhão!
    Quero fazer valer a decisão da Junta Médica! Então não é definitiva??! Afinal, para quê comparecer perante uma junta médica?? Poderá alguma Direção sobrepor-se a uma decisão da Junta? Ou algum parecer dos Servições Centrais??
    Acudam-me! Mas, após ter dado ao sistema (sem arrependimentos) os meus melhores 26 de vida, vejo-me na circunstância de burnout…e depois?? “Vá trabalhar, que isso há-de passar!!!”
    Vou bater o pé!

    1. A mim aconteceu-me o mesmo. A junta médica deu-me alta com a indicação de regresso ao serviço, sem componente letiva, exercendo “ outras funções”. Apresentei-me no dia 6 de agosto, gozei alguns dias de férias e apresentei-me no dia 3 de setembro. No dia 11 de setembro, recebo um telefonema do diretor da escola a pedir-me que entregue um atestado de 30 dias para poderem colocar alguém para o meu suposto horário. Dia 12 de outubro irei apresentar outro atestado de 30 dias para ser convocado para nova junta médica.

  16. Pois eu, se aguentar, não hei-de entregar um atestado médico. Já estive de baixa, já descontei o que tinha a descontar. Se agora estou apta para “outras funções”, é porque tenho capacidade para o fazer (e bem preciso, a bem da minha recuperação…). A conversa de “só se entregares um atestado médico” não me convence. Possa eu ter força mental para aguentar e resistir a esta situação mas, vou tentar!

  17. Cara colega,

    A minha mulher está na mesma situação! Não sabe o que fazer, pois ainda nem sequer pode voltar a meter atestado, apenas dia 10 de outubro, facto que nos parece ridículo! Por que motivo acha que não se fala disto na comunicação social? Se calhar, era bom juntarem-se todos os professores nesta situação e resolverem esta questão com um bom advogado, que lhe parece? Mais não a posso ajudar, porque também não sei como posso ajudar a minha mulher. Os sindicatos não querem saber desta situação, estão apenas preocupados com os 9A 4M e 2D e manifestações! Não sabemos para onde nos virar! Já mandei e-mails para todo o lado, jornais inclusive e nada! Aguardo informações suas e darei as minhas logo que as tenha!

  18. Por enquanto, a escola ainda não me comunicou a intenção de me atribuir horário por escrito…se e quando o fizer, logo verei. No entanto, já fui ao sindicato e foram prestáveis, claro que têm que ter parecer do advogado deles para me responder mas, para já parece-me que foram prestáveis. Quando tiver informações novas também lho direi.

    1. Obrigado, colega, pela partilha de informação! Também ainda não recebi nada por escrito, aliás, nem sei se vamos receber?! E se recebermos a mandar-nos dar aulas, mas vale não mandarem! Até lá aceite os meus cumprimentos.

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