Amanhã, Nada de Significativo…

… sairá das negociações entre o ME e a Plataforma Sindical.

Danca

Mas, pelo que vou ouvindo a muitos colegas, de sul a norte, a mim já daria alguma satisfação que nas escolas não se estivesse a perder por completo a solidariedade e o cuidado devido aos mais frágeis, alunos e professores, quantas vezes por acção de quem menos faz, mas muito enuncia intenções maravilhosas.

 

Mas, Por Outro Lado…

… temos aquela infelicidade – tragédia mesmo – de ler gente que parecia inteligente e ligada à terra a ter de fazer o frete de defender o quadrado do governo socialista com argumentos medianamente hábeis na forma como falseiam os factos. Paulo Trigo pereira parecia ser alguém com que se poderia dialogar sem o receio de truques à galamba, até ao momento em que tornou deputado e figura de proa do sistema socialista.

Há uns dias regressou a uma abordagem muito pouco séria de abordar a questão das reivindicações dos professores (e não “dos sindicatos” como parece ser obrigatório referir de acordo com a cartilha dos opinadores socialistas), misturando e truncando coisas num emaranhado que só pode enganar os crédulos e os indefectíveis.

Não tenho já pachorra para desmontar toda a verborreia produzida, pelo que selecciono as partes mais evidentemente falsas ou – o que não acredito – resultantes de escassa informação ou compreensão do PTP.

A saber:

1. Justiça é tratar igual o que é igual e, apropriadamente, diferente o que é diferente. As carreiras especiais em que o tempo é uma variável determinante na progressão (como os professores) são estruturalmente diferentes das carreiras em que a avaliação de desempenho (por pontos) é crucial. É só por isso que são tratadas de forma diferente.

Não, não é só por isso que são tratadas diferente. São tratadas de forma diferente porque são funcionalmente diferentes e têm um estatuto (em vigor) próprio, imposto pelo próprio partido que está no governo como estava em 2007. Quanto a “Justiça”, quero acreditar que PTP é capaz de ir mais além nesta sua teorização voluntáriamente simplista e que nos trata como simplórios.

2. O cenário macroeconómico, o programa do PS e o programa do governo falam em descongelamento das carreiras (o que está acontecer) não na consideração, para efeitos remuneratórios do tempo em que as carreiras estiveram congeladas. As propostas dos sindicatos de professores incidem assim sobre um tema absolutamente novo.

Não é de forma alguma um tema absolutamente novo. Só este tipo de afirmação mereceria que se deixasse de ler o resto do artigo. A vida e a História não começaram quanto PTP aderiu à Situação. Os professores (PROFESSORES) há muito que reclamam a contagem do tempo de serviço congelado. PTP esteve muito tempo distraído a somar décimas e vírgulas em excés macro-económicos. Aliás , nem sabia que o “cenário macroeconómico” fala.

3. Em todos os orçamentos de Estado até 2017 (inclusive), em que houve congelamento das remunerações, a distinção entre estes tipos de carreiras foi feita não tendo surgido este tema.

Esta afirmação, pura e simplesmente, não faz sentido, por se contradizer a si mesma e ao que acabara de ser escrito. Assim comom o ponto seguinte (o 4) é algo cujo sentido nem se entende.

5. Mais, o problema de se satisfazer uma reivindicação sectorial é que abre uma caixa de pandora de reivindicações sectoriais (sendo que há sempre vários sindicatos em cada sector). Das carreiras em que o tempo é dominante facilmente se passa para trabalhadores das carreiras com avaliação de desempenho (SIADAP).

PTP insiste na tese de que os professores do ensino básico e secundário não têm avaliação do desempenho. Um dia gostaria que ele me dissesse isso na cara e esperasse para ouvir a resposta sobre o que penso acerca do SIADAP como ferramenta de avaliação. Ou sobre a avaliação no ensino superior.

7. Finalmente, é necessário falar em algo que os sindicatos raramente abordam, os ganhos de eficiência no sector público que se podem conseguir quer com reorganização de serviços quer com diminuições das taxas de absentismo. Há, certamente, aspetos de algumas reivindicações sindicais, nomeadamente na saúde que são relevantes e devem ser consideradas. Mas há outras – na educação, na saúde, na justiça – que a serem satisfeitas inevitavelmente poriam em causa a sustentabilidade das finanças públicas.

Outro ponto em que a coerência argumentativa se escoa por algum buraco negro. O que tem a eficiência a ver com o fundo das calças? Não dizem que o sucesso escolar tem aumentado? Que os resultados nos PISA têm aumentado? Não há cada vez menos professores na carreira, numa proporção muito superior à redução do número de alunos? O que raio tem isso a ver com a “sustentabilidade das finanças públicas” sempre de calções em baixo para injectar dinheiro na banca – eu sei que o PTP afirma que o dinheiro metido na banca é um one shot, só que cada vez se percebe que são multiple shots, quase sempre pagos com assinatura de cruz.

Resumindo, Paulo Trigo Pereira é uma espécie de economista do PS para a explicação destas coisas com um ar de sofisticação conceptual e metodológica (um par de níveis acima do galamba do brinquinho), mas – no essencial – é apenas mais um operacional ao serviço de uma causa e de um ódio ideológico (sim, não menorizemos o vocabulário) a uma classe profissional só porque ela é numerosa e ainda consegue ser ruidosa.

Ou seja, PTP passou para a o lado da pós-verdade à la trump.

Mentira