Duvido Que Seja O Único a Pensar…

... que a marcação desta ronda de negociações que termina com a ameaça de um decreto-lei a impor uma decisão não negociada foi apenas um pretexto para que fosse parada a greve em Julho pela Plataforma Sindical (começa a ser tempo de voltar a saber quantos sócios no activo têm realmente certos sindicatos). Agora se uns foram enganados ou se participaram activamente na “comédia” não sei. Se foram enganados, acho legítimo que tenha perdido (de novo) a confiança na lucidez dos mandantes da luta; se participaram com conhecimento da coisa, acho legítimo pensar mais do que isso.

Já agora… os operacionais ortodoxos que andaram a  dizer que a ida da ILC ao Parlamento poderia redundar num fracasso e levar a perder tudo, deveriam agora engolir a língua e sufocar na sua própria mentira ou serem obrigados a demonstrar quantos dias estão a ser ganhos em relação à proposta inicial do governo. O que se está a passar é que se pretende legislar à força, antes da ILC chegar ao Parlamento, porque a votação do anunciado decreto-lei governamental poderá contar com os votos contra dos “lutadores” (as declarações do camarada Jerónimo são a esse respeito adequadamente claras) sem quaisquer consequências de maior (a menos que o PSD se mexa e não se abstenha), enquanto que a ILC, chegando lá, forçará outro tipo de clarificação, obrigando o PCP a assumir com clareza a favor/contra (d)o que está. Se a “responsabilidade orçamental” é agora o valor que nunca foi em outras alturas.

Claro que António Costa conta com o apoio do presidente Marcelo para este avanço “unilateral”, que acha revelar a sua “firmeza” (evitando contrariar os socráticos que o rodeiam e inspiram), pelo que o PSD deve encolher-se todo, até porque também tem responsabilidades no congelamento.

Claro que isto é tudo muito parecido a 2008. Porque até a maioria das moscas é a mesma.

Dupla TiagoMário

 

 

Et Tu, Manuel Carvalho?

Sim, eu tenho voltado a escrever para o Público, mas isso não me impede de achar que a posição de Manuel Carvalho sobre a situação da carreira docente é errada com base em meros preconceitos que nem são novos na sua escrita. O que não seria grave se fosse de alguém que não tivesse estado no país nos últimos anos e com acesso a muito mais informação do que o cidadão comum. Uma coisa é falar das “promessas” não feitas. Outra afirmar que entre 2011 e 2017 os professores estiveram calados e mais umas coisas assim que não me espantam porque, ao contrário de alguns colegas, sei o que certas tertúlias pensam dos professores e da sua inutilidade (mesmo se dizem que seriam incapazes de aturar uma manhã de aulas com a petizada).

Ninguém perceberá que os professores queiram hoje recuperar todo o tempo perdido quando jamais lhes foi prometida a devolução dessa perda no momento em que o congelamento foi decidido. Ninguém entenderá que hoje façam tanto barulho depois de estarem em silêncio entre 2011 e 2017. Ninguém perceberá que queiram receber tudo o que perderam quando a factura dessa perda é insustentável para as contas do país.

Ninguém perceberá porque Manuel Carvalho parece ignorar que o congelamento não se iniciou em 2011, mas em 2005 na sua primeira fase. E que ninguém prometeu repor nada quando do congelamento, mas há quem tenha essa reposição a 100%.

Ninguém entenderá que Manuel Carvalho pareça ignorar que a carreira docente tem uma estrutura legislada pelo partido no governo em 2007 e agora, sendo que o governo actual  pretende devolver apenas 30% do tempo congelado contra 100% em outras carreiras.

Ninguém perceberá que Manuel Carvalho considere, sem sorrisos, que será a factura da reposição do tempo de serviço a tornar insustentáveis “as contas do país”. Só se estiverem muito mal feitas, apresentado apenas os encargos brutos e não as retenções para efeitos ficais e de Segurança Social. E esquecendo outros sorvedouros imensos.

Ninguém entenderá que Manuel Carvalho não entenda isto. Eu acho que entende. E que entende que um editorial, sendo de “opinião”, não deveria ser de “opinião à mst”,

orelhasburro01

 

A Escala Humana

Fica em seguida o meu depoimento para a Visão desta semana, seguindo-se uns links sobre a matéria que há já uns tempos destaquei por aqui e no Umbigo.

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Small School: A Reform That Works

 

HUMAN SCALE EDUCATION

About The Human Scale Education Movement

 

Human-Scale Education

Inventing a school that meets real needs.
Claro que os americanos querem ir sempre mais além… mesmo que seja no pequeno.
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“Micro-Schools” Might Be the Next Big Education Thing: Podcast

It’s way past time that we dump factory-model schools for more individualized K-12 programs.