Já Agora, O Que Se Pode Encontrar no Relatório da OCDE Sobre As Vantagens de Estender a Escolaridade em Termos de Emprego?

Há lá muita coisa e algo é adquirido… quem consegue mesmo emprego compatível com as suas habilitações ganha mais do que quem tiver menos anos de escolaridade. O problema é outro e relaciona-se muito com a incapacidade da própria economia absorver mão-de-obra qualificada, pelo que a probabilidade de emprego é praticamente a mesma tendo feito apenas o 12º ano ou um primeiro ciclo de estudos bolonheses (bacharelato, já que a licenciatura nem aparece).

OCDE2018 Emprego2

Reparem que o nível de emprego de quem fez apenas o 9º ano ou menos é dez pontos acima da média europeia (68% contra 58%) e treze acima dos 22 países europeus da OCDE (média de 55%), mantendo-se mais alta do que a média também para quem concluiu o 12º ano. Depois, começa a descer e fica em cima da média para quem fez estudos universitários.

Quanto à evolução entre 2007 e 2017 do nível de emprego, verifica-se que subiu 4 pontos para quem não seguiu estudos universitários (de 78% para 82%), mas apenas um ponto para quem os fez (de 85% para 86%). O que significa um fenómeno parcialmente paradoxal.

OCDE2018 Emprego

Tudo isto se relaciona ainda com as vantagens relativas de se seguirem estudos universitários em Portugal, por comparação a ficar apenas com o 12º ano.

OCDE2018 SalariosGeral

Nada disto levantou o mínimo interesse à comunicação social, embora esteja no mesmo relatório que traz os salários dos professores. Só que não aparecia no resumo. O resumo é que foi uma selecção “criteriosa” do que interessava à “actualidade”. Claro que aborsar outros temas pode levar a uma visão muito negativa para uma economia que dá escassas oportunidades aos trabalhadores qualificados que ou saem do país ou se submetem a salários comparativamente inferiores aos praticados em outras economias, para terem a mesma possibilidade de não ficarem no desemprego do que quem não seguiu estudos superiores. Temos um mercado de trabalho que privilegia mão-de-obra com baixas qualificações e salários baixos.

Mas sobre isto os daniéisbestas e outros “empreendedores” não escrevem. Porque não convém.

4 thoughts on “Já Agora, O Que Se Pode Encontrar no Relatório da OCDE Sobre As Vantagens de Estender a Escolaridade em Termos de Emprego?

  1. Aos jornalistas (será melhor passar a chamar-lhes copistas?), não digo todos, mas muitos são certamente, dá muito mais jeito limitar-se a copiar o que vem já redigido… Não consegui ainda perceber a dimensão de tal problema, mas estou em crer que tal procedimento se tornou nos últimos anos muito comum nas redações.

    Não há um código deontológico na profissão que condene essa prática? Ou são obrigados a fazer isso porque os diretores (mais uma vez eles) os obrigam? Ou é pura preguiça (leia-se incompetência)?

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  2. Obrigada pela análise factual que fez!
    Julgo que vai ao encontro daquela que é/era a percepção de muita gente e agora fica concretizada com dados oficiais, digamos assim.

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  3. Para os mestres em engenharia(excepto civil) ou ciências físicas mais próximas da engenharia, apesar de se ganhar muito mal quando se começa, ao fim de 5 anos ou mais , já o vencimento pode ser considerado bastante razoável(e com prémios adicionais por vezes, consegue obter um valor muito bom).
    Porém, até efectivar é sempre a trabalhar muito e ganhar mal. Para não dizer da rotatividade de algumas empresas criada artificialmente para continuar apenas a pagar mal (“venha mais um recém-mestre verdinho!”), não renovando contratos de profissionais muito bons. Há empresas que são especialistas nisso mas também são as que possuem menor produtividade.
    Ou então, os mestres vão-se mesmo embora do país (o que até tem sido o comum visto que os empregos criados aqui no rectângulo nos últimos 2 anos, são pouco na indústria ou nessas áreas).

    Posso contar muitas histórias de como os nossos patrões desdenham pessoal qualificado vistas in situ ou por outras fontes. PAra mim está aí um problema grande deste país. Desdenham e despreza-se os mais qualificados e a Educação em geral (que chatice, pagar mais…).
    Mas pior mesmo é que muitos continuam a fazê-lo constantemente mesmo quando percebem que, manter os melhores pagando bem, é crucial para a produção com qualidade Mas como já está enraizado o “pagar pouco por muito”…não vamos longe.
    Mesmo na start-up onde trabalho a park-time, paga-se melhor mas não o suficiente(não falo de mim, falo dos engenheiros de desenvolvimento tecnológico cuja maioria não deve cá ficar com estes vencimentos). Quando falir, junto-me à carneirada!

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