Vou Ali Com Um Saco Cheio de Afecto Comprar Um Quilo de Figos e Uma Mão Cheia de Romãs

“Eu, como professor, tenho a certeza que os professores de Portugal são dos melhores do mundo, porque têm esperança, porque transmitem essa esperança, porque olham para o futuro e porque estão disponíveis”, afirmou o Presidente da República no arranque do ano lectivo, em Celourico [sic] de Basto.

Kiss

4 thoughts on “Vou Ali Com Um Saco Cheio de Afecto Comprar Um Quilo de Figos e Uma Mão Cheia de Romãs

  1. Correndo o risco de me repetir em relação a outro post, quando Marcelo diz que pode promulgar, vetar ou pedir a constitucionalidade do decreto dos dois anos, fala o professor, o constitucionalista ou o presidente dos afectos?

  2. Caro Paulo,

    pois foi justamente por ter visto ontem o Presidente na Tv a falar destas coisas que resolvi enviar-lhe a carta que faço seguir aqui:

    Exmo. Sr.

    Presidente da República

    escrevo porque, sendo o mais alto Magistrado desta Nação, entendo ser minha obrigação participar-lhe a situação gravíssima numa Escola Secundária de Viseu nos últimos 4 anos que põe em causa o património que todos, que nela trabalhamos há mais de uma década, ajudámos a construir.
    Pessoalmente já não aguento muito mais. Outros professores e funcionários receiam cada vez mais falar e o ambiente de perseguição é insustentável. Há pouco um colega foi objecto de um voto de censura no Conselho Geral (o que nem existe como possibilidade regimentar) mas ocasionou a sua iminente renúncia ao cargo. E as Reclamações que alguns (dos mais afoitos) fizeram seguir para o Ministério têm recebido NINS. Ou nem sequer se responde.

    Senhor Presidente,

    HOJE É O PRIMEIRO DIA DE AULAS deste ano lectivo e gostaria de estar com os meus alunos a participar nesta animação. Mas pela segunda vez estou em casa numa situação de doença provocada pelas ignomínias do Director da Escola Secundária de Emídio Navarro de Viseu.

    Vi-o hoje na Televisão com bons modos e uma receptividade extraordinária, falando com Professores. Não chega. Tem de conhecer o mundo subterrâneo de burocratas e intenções veladas que lhe escapam e decidem o que se passa no terreno.
    Confesso que agora sei que me enganei sobre a bondade das decisões da hierarquia, confesso que nunca imaginei estar tão desprotegida no meu local de trabalho.
    É que já é muito dinheiro gasto, saúde que não aguentou e sobretudo o descrédito e o desprezo que sinto pelos burocratas do Ministério. E o meu prestígio profissional que reclama desagravo. E de que não vou prescindir.

    Poderia deixar aqui muitas provas do que digo. Contudo elas são todas conhecidas do Ministério e da Inspecção Geral. Mas o último episódio que me desvendou finalmente a mensagem OS PROFESSSORES NÃO DEVEM PÔR EM CAUSA DECISÕES DOS DIRECTORES DA ESCOLA NEM QUE SEJAM ILEGAIS E ARBITRÁRIAS, colocando uma Escola refém de atitudes persecutórias e vingativas, foi demolidora. Ao fim deste tempo de luta pelo meu direito ao trabalho, tinha conseguido que a tutela abrisse um Processo de Averiguações ao Director. Respirámos de alívio. Tínhamos conseguido. Agora não havia dúvidas de que um Processo Disciplinar poderia travar este aventureirismo e má fé deste Director.

    Mas, passados 8 meses do início da Instrução do Processo, o Ministério decide arquivar. Com uma “recomendação” para que o tal senhor fizesse melhor da próxima vez.
    Nem queríamos acreditar neste visco. Com estas palavras indignas, que humilham uma carreira de uma Professora com mais de 30 anos de serviço [Despacho da Inspecção Geral confirmado pelo Ministério da Educação], se encerrava um processo que me tinha custado tanto. Assume-se que HÀ RAZÕES PARA PROCEDIMENTO DISCIPLINAR AO DIRECTOR mas diz-se que foi decidido o ARQUIVAMENTO porque isso seria “PREJUDICIAL”.

    Ali se afirma:
    “A existência destas falhas formais [fala-se do Director] poderiam ser suficientes para responsabilizar disciplinarmente o Director da Escola Emídio Navarro, professor José Augusto de Oliveira Rosa. Entendo [despacho do Inspetor Geral da Educação, Luís Capela] que, por tudo o que foi apurado neste processo de inquérito, considerando a matéria em apreço e as circunstâncias em que ocorreu, seria mais prejudicial a instauração de procedimento disciplinar contra o Director da Escola Emídio Navarro, professor José Augusto de Oliveira Rosa, do que uma decisão em contrário.
    A ação realizada com este processo de inquérito e a eventual ameaça da pena são suficientes para se atingirem as finalidades de uma organização aprendente e a promoção de melhoria contínua do estabelecimento de ensino e dos seus responsáveis mais diretos.”

    Recorri da decisão para o Senhor Ministro. Mas já não tenho nenhuma expectativa.

    Do que se fala aqui? então não se responsabiliza disciplinarmente porque é “prejudicial”? a quem? e o meu “prejuízo”? como se tem equacionado? E aquilo que já se temia, o redobrar da perseguição, agora que provado está nada lhe acontecer. já aconteceu (fui expulsa de uma Reunião Geral por querer pôr uma questão. É verdade).

    E disso já fiz saber ao Ministério.

    Não desistirei. Não tenho alternativa. O meu percurso de 32 anos como Professora exige que seja respeitada.

    Senhor Presidente,

    O Estado diz querer intervir no assédio a Trabalhadores do sector privado.
    É pura hipocrisia. Ao fim de 4 anos de reclamações para a Inspecção Geral da Educação e para o Ministério sobre as ilegalidades e perseguições do Director da Escola em relação a mim, em que já quase tudo se passou (faltas injustificadas, ameaças, calúnias, humilhações públicas, processo disciplinar que não passou de uma armadilha e mais uma forma de me pressionar, com testemunhas falsas e um arquivamento dúbio), tudo piorou e faz perigar a minha continuação como Professora do Ensino Público. Se tiver de sair desta profissão com uma aposentação de 600 euros (aquilo a que agora teria direito) fá-lo-ei mas antes quero falar disto tudo.
    Entrei com Processos no Ministério Público e no Tribunal Administrativo mas quando acontecer a decisão, já tudo estará perdido. E a Escola a que pertenço merece muito mais. Demorarão muitos anos a reconciliar as partes. Porque alguns se desvendaram usando as vantagens de uma proximidade ao Director.

    Senhor Presidente,
    durante 32 anos servi a Escola Pública e nela fiz quase de tudo (passando por cargos de gestão) mas o que fiz com mais vontade foi o meu trabalho com os miúdos. E agora vejo-me impedida de continuar a trabalhar, pela conivência do Ministério e Inspecção Geral da Educação em manter um Director que não honra o seu lugar.

    POR ISSO LHE PEÇO – ainda que não tenha muito tempo para ler o que aqui escrevo – QUE INTERVENHA NESTA SITUAÇÂO.

    ISTO ACONTECE A PESSOAS DE BEM DA REPÚBLICA A QUE PRESIDE.

    Cordiais Saudações

    A Professora do Quadro da Escola Secundária EMídio Navarro

    Maria Teresa Gomes Cordeiro

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