Caso Um

Tenho na minha Dt, 10º ano, um miúdo com deficiências físicas, psíquicas e transtornos de comportamento, dificuldades de aprendizagem e problemas afetivos. Tem sido acompanhado por um colega da, agora extinta, Educação Especial, desde há vários anos e fazia, num centro hípico, hipoterapia e Equitação Terapêutica.  Adora cavalos e, no dia da recepção à turma, insistiu em explicar-me o maravilhoso que é lidar com os animais…O agrupamento onde trabalho tem a escola sede a cerca de 200m da secundária. A “sala de atividades” onde, ao que sei, em anos anteriores,ele estava a tempo inteiro (só tinha educação física com a turma) fica na escola sede.

Posto isto, o que lhe está a acontecer este ano?

Não pode ir para o centro hípico porque:

  • já não está com a mesma equipa que o acompanhava (agora tem um professor da Educação Inclusiva a acompanhá-lo e a dar-lhe apoio pedagógico).
  • foi “integrado” graças ao “maravilhoso” 54 na turma, que até o acolheu bem, mas  com quem ele não tem grandes afinidades
  • Anda rua acima, rua abaixo para vir “assistir” às aulas (acompanhado do tal professor) e está a ter Inglês (que nunca teve em todo o percurso escolar)…Filosofia (que nem sonha o que é) entre outras disciplinas do currículo do secundário que são completamente paralelas aos seus interesses.

O ano ainda agora começou e ele já está revoltado. Os pais dizem que chora porque não quer ir para a escola e, nos últimos dias já teve falta a algumas aulas. E só estamos em setembro!

Espero que a curto prazo seja revista esta situação e que o processo volte a ser avaliado pela equipa. Tudo tenho feito para que isso aconteça. Os pais já estão a ser envolvidos…

(docente devidamente identificad@)

Scream

10 thoughts on “Caso Um

  1. Atente-se na primeira frase do post, onde é descrito, designadamente, o perfil cognitivo deste aluno. Agora “integrado” numa turma do secundário, digam-me, p.f., como pode esta alma “acompanhar ” uma aula de Inglês , Filosofia e outras do curriculo do 10º ano. Parafraseando um saudoso repórter ou relatador do futebol ,diria : ” o qué- qué- isto -ò -meu”?Juízo, recomenda-se…

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  2. A Educação Especial foi extinta? Não dei conta. Mas pelo andar da carruagem, não faltará tanto e pelas más razões. Os alunos estão acompanhados com professores a fazer de tarefeiros. E já a figura de tarefeiro é hedionda. Siga. Mas não é pela histeria sem cara e mal sustentada é conveniente nas matérias do costume. A coisa está muito mal há muito tempo e não melhora assim Paulo.

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  3. É um aluno que conseguiu explicar tudo isso passava os dias todos nessa seja de actividades que deve ser a da multideficiencia? E só convivia com os colegas na ed. Física? Desculpa os erros mas é telemóvel e detesto isto é o assunto também. Ninguém acha isto estranho???? Isso era inclusivo e agora não é???? Ainda bem ao menos que se falem destes alunos. Eles merecem muito mais. Obrigada, Paulo.

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  4. Para terminar, a ‘filosofia’ inclusiva, está subscrita há dezenas de anos com responsabilidades inerentes por Portugal. E aqui fui politicamente correcta e sem erros. E sem acordo ortográfico mais recente. Boa, Paulo. É falar sobre o assunto 👌. Boa semana.

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  5. Nada como incluir para… para…. depois, excluir! – seja ela pela via da dita educação inclusiva ou da tal flexibilidade curricular… a pobreza não será, certamente, para romper com esta escola pública do séc. XXI!
    Afinal, por caminhos mais tortuosos, sempre chegaremos à “retenção 0”, garantindo o tal “direito ao sucesso” numa progressão continuada na escolaridade obrigatória e sobretudo… um dos grandes feitos: a eliminação dos tais custos das retenções – verdadeiras economias de escala: em quantidade e a baixo custo! ( a mão-de-obra “baratinha” do futuro vem já aí…)

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  6. Muito se diz sobre a nova lei, neste espaço: que é omissa, atabalhoada, utópica, enfim…fala-se daquela, como se tivesse “vontade própria e indomável” e ninguém pudesse fazer nada, de tão omissa e paradoxalmente tão mandatória. Compreendo a aflição, a confusão, a desorientação. Estou consciente da exigência da tarefa que é colocada aos docentes, mas isto desde já muito tempo. No entanto, não compreendo como é que as escolas, seja por imposição de diretores, por inadequação das equipas multidisciplinares, C. Pedagógicos e afins, tomam decisões apressadas, sem etapas e planos de transição, sem definirem primeiro documentos orientadores para os intervenientes, construindo um projeto de implementação nos 2 anos que se seguem. De repente, certas escolas, tomaram o ” comprimido” azul, esquecendo todo o trabalho realizado, e tratando as crianças como se nada soubessem sobre elas. Desenho Universal da aprendizagem, monitorização posterior para verificar os progressos. É algo assim tão estranho à prática docente, numa primeira abordagem? Pois, se com o 3/2008 muitos nunca souberam o que é diferenciação pedagógica ou acomodações curriculares…Esta lei já me trouxe a desilusão de ver que no que é omisso, quem más práticas sempre teve, más práticas pretende manter e que a incompetência também pode revestir-se de caráter voluntarioso, com ” inclusão à força”.

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