Pelo Menos a Pseudo-Flexibilidade Oficial, Porque Flexíveis Já Nós Somos Muito, Apesar do Envelhecimento Articular e Muscular

E mandar a flexibilidade à fava?

Eu acrescentaria que é escassa compensação ter visitas de vipes só porque se enuncia e anuncia que se é muito flexível e coiso e tal, quando tudo se resume a umas quantas turmas em que se faz o que se podia fazer ou já se fazia antes de tanto arraial. Embora seja verdade que relações de simpatia com alguns governantes facilitem a rápida resolução de certos “problemas” através da chamada “via directa”. Ou “boa imprensa”.

Já agora, gostaria de repetir pela enésima vez a fórmula:

(flexibilidade + pedagogia diferenciada) ≠ (grelhas por atacado + reuniões às paletes + fazermos todos quase tudo ao mesmo tempo porque é preciso ensinar tudo a todos + “formações” formatadas)

Classroom1

 

18 thoughts on “Pelo Menos a Pseudo-Flexibilidade Oficial, Porque Flexíveis Já Nós Somos Muito, Apesar do Envelhecimento Articular e Muscular

  1. Eu cá nem ligo a essa tralha, há muito que adotei a flexibilidade, a avaliação multinível, a diferenciação pedagógica…pois os bons alunos ficam com quem escolhe à frente e é muito, muito bom professor…

    Esta gentinha já destruiu a economia, os serviços públicos, com a saúde e a educação à cabeça, seguem em plano inclinado; “a escola deve ser lugar de cidadania, de transmissão de valores, de solidariedade, de igualdade, de inclusão plena, de avaliação qualitativa, de disciplina positiva através do amor, todos somos iguais, todos aprendemos o mesmo se a pedagogia for a do “aprender a aprender”, sem avaliação quantitativa, ao ritmo de cada um, porque uma nota não nos define, o currículo deverá ser escolhido pelos alunos, que são criativos e sabem o que querem aprender, o professor é o moderador, o instigador da curiosidade…”

    É esta a educação exigida por um mundo cada vez mais competitivo, com desigualdade crescente, com o desaparecimento das classes médias e a consequente nivelação por baixo do rendimento do trabalho? “Não bate a bota com a perdigota!”

    Percebe-se porque os asiáticos (indianos, chineses, sul-coreanos) invadem os grandes centros de conhecimento e investigação mundiais ocidentais; parece que a escola deles é mesmo parecida com a do século XIX, fundada no trabalho, esforço, resiliência, disciplina, palavras abolidas de todos os documentos emanados do ME, tudo coisas que desinteressam ao tuga do século XXI, que tem se de preparar para competir com robots num futuro próximo.

    A sério que isto é para levar a sério?

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  2. Ser progressista, na vasta área do professorado e dos educadores de infância, significa estar de acordo com a criação do ensino unificado, levada a cabo pelos revolucionários de Abril de 1974; com as notas de 1 a 5, que entraram no sistema de ensino para diminuir, por via administrativa, a diferença entre as classificações médias dos meninos ricos que, no tempo do fascismo, se situavam perto dos vinte valores e as classificações médias dos meninos pobres, que andavam à volta dos oito valores; com os objetivos, a que se seguiram os objetivos mínimos; com as aulas de 45 minutos, porque sim, da Doutora Ana Benavente; com o fim da remuneração dos intervalos, passados na escola e em serviço, dos professores (fascistas) dos antigos liceus, por uma questão de harmonização de horários com os novos doutores ( professores primários e educadores de infância filhos da classe operária); com o Ensino Recorrente e as Novas Oportunidades, em que muitas pessoas já bem instaladas na vida, mas com poucos dotes para as letras, aproveitaram o facilitismo de com uma apresentação de powerpoint, com uns quinze ou vinte diapositivos, em que faziam perante a turma a autocrítica da sua vida de pobreza que os tinha levado ao abandono escolar, obterem equivalência ao 12.º Ano, que lhes abria, de par em par, as portas da universidade, e os fazia subir vários escalões na carreira quando já eram funcionários públicos; com as competências, a escola inclusiva e a flexibilidade curricular que, tal como as outras políticas educativas atrás enunciadas, são instrumentos poderosos da Pedagogia do Aprender a Aprender, que se rege pelo princípio básico de que os alunos, que são, por imposição legal, TODOS os cidadãos portugueses com idade inferior a 18 anos, aprenderão, tanto mais e melhor, quanto menos forem ensinados pelos professores!
    Há uns anos atrás, a ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, conseguiu, através de uma simples requisição, concentrar todos os professores, incluindo os que estavam de baixa por doença, nos recintos interiores das escolas, tal e qual como os pastores fazem com ovelhas e carneiros que se guardam no redil!
    Conseguirá Tiago Brandão Rodrigues levar para a frente a sua política de Flexibilidade Curricular Inclusiva e Obrigatória, violentando assim as mais sagradas normas deontológicas da profissão docente e arrebentando, de uma vez por todas, com a escola onde os alunos aprendem e os professores ensinam?

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  3. maria pereira, infelizmente os nossos iluminados bostonianos não olham para os países do sol nascente, pois se aí os meninos até lavam a loiça, a sala e os wc das suas escolas. Os nossos pais tinham um xilique. Ontem contei isso a uma turma de 10º ano a cara de indignaçao dos piquenos, mas depois querem todos viajar ao Japão e à China onde não se suja a rua que é de todos ahahahah que ironia só a boa vida sem responsabilidades. Um dia esta treta do aprender a aprender vai pagar se caro! Farta de modas.
    Só não há fofuras nos exames de 12º.

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  4. A sala de aula vai sendo, como dizia um colega nosso, a última fronteira. Cuidem dela e “flexibilizam a flexibilização”. Há coisas que não devem ser levadas a sério.

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  5. Mário Nogueira acaba de dizer na SIC que a reunião de hoje foi uma vergonha.
    Aguardo tradução.

    No mesmo canal, a sr.a Leitão acaba de reiterar, ou melhor, de afirmar de forma clara que a recuperação do tempo de serviço (os 942) não é negociável.
    Nada que me tenha apanhado desprevenida.

    Greves no outono???
    Lutas mansas depois do coffee break de agosto??
    Manifestações em passo lento??
    Autocolantes na lapela?

    Mais de cem mil é muita gente enganada. É/foi/tem sido muita ‘carne para canhão’.
    Desculpem, mas retiro a minha carcaça do mercado. Preciso dela para trabalhar. Sim, porque há quem continue no terreno sem tarefas passíveis de qualquer negociação, flexibilidade, etc., etc.

    Sem comentários…

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      1. Ou ele nos toma a todos por burros (sendo, nesse caso, um grande filho de uma senhora que exerce a mais antiga profissão do mundo) ou, então, acreditava mesmo que o (des)governo ia ceder (sendo ele próprio, nesse caso, um enorme burro).
        Entre uma e outra, venha o Pinto da Costa e escolha….

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      2. Faz parte do show…
        Espécie de último grito da donzela ofendida.
        Barulho com poucos decibéis, em jeito de ‘agarrem-me se não eu sindicalizo de forma mesmo, mesmo radical’.
        Infelizmente, é o teatro de sempre.

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  6. Eu gostei foi durante a semana na minha escola os “sindicalistas/lambe xxxx” andarem a mandar bocas do género… “pessoal as noticias são as melhores, vao sair coisas boas da reunião de sexta”. Este pessoal é só fé.

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  7. Se todos os problemas com as carreiras e os vencimentos dos professores tivessem apenas cariz político-sindical, bem estavam eles! O problema é muito mais bicudo! No meu Mega Agrupamento, criado pela troica com o fim único de poupar dinheiro com diretores, costumamos dizer que sem ovos não se fazem omoletas! A solução, para o Estado poder pagar a tantos professores licenciados por universidades públicas, a quem se vieram juntar os licenciados na privada e milhares e milhares de educadores de infância e professores primários, é a transformação em curso de toda esta gente em proletários (Proletarização dos Professores). A flexibilidade curricular obrigatória, os 9 anos, 4 meses e dois dias, a Pedagogia do Aprender a Aprender e outras lendas e narrativas são, para o Governo, amendoins!…

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  8. A minha mulher é professora, visita regularmente este e outros espaços online de professores.
    Depois de observar com atenção o novo paradigma da escola moderna, da flexibilidade curricular e da inclusão, consubstanciado em diplomas e em formações que mais não são do que tentativas de formatação de professores para adesão àquilo que se considera certo, sem contraditório, resolvi intervir com a minha própria experiência, tantas vezes dolorosa, tantas vezes incompreendida.
    Trabalho por conta própria, tenho 2 filhos, o mais velho é médico, o mais novo tem 19 anos e é autista, não verbal, não alfabetizado. É um jovem excepcional, amado por toda a família e cuidado extremosamente pelo irmão, que já é o seu tutor legal.
    Está maioritariamente em casa, com uma cuidadora/acompanhante, frequenta as terapias que podemos pagar; equitação, natação, gosta de computadores e de jogos.
    Frequentou a escola, com a inclusão possível, nas disciplinas cujas atividades podia acompanhar minimamente. Não tenho queixas de professores, nem de funcionários, fizeram sempre o possível, com os recursos disponíveis.
    Aceitámos as suas limitações com naturalidade. Muitas vezes o retirámos de casa para que o irmão pudesse estudar sem ser perturbado, sim, porque ele adora o irmão e manifesta esse afeto de forma efusiva e espontânea sem consciência da hora ou do momento.
    O irmão mais velho perseguiu e alcançou o seu sonho, adquiriu na escola o conhecimento que lhe permitiu entrar em medicina. Fez os exames exigidos e preparou-se com muito estudo. O irmão ensinou-lhe muitas coisas, como a toda a família, a sermos humildes, a sermos menos egoístas, a sermos mais generosos, a sermos mais solidários…
    Apesar do esforço de toda a família, da escola, dos terapeutas não foi possível ensinar-lhe tudo o que se pode aprender numa escola ou fora dela, porque as suas limitações não o permitem. Sabemos que os jovens portadores de deficiência, porque é disso que se trata, – a medicina diz que o meu filho tem 85% de incapacidade- terão, eventualmente, melhores condições de desenvolver as suas potencialidades máximas junto daqueles que não têm atestada qualquer incapacidade, em plena inclusão, portanto.
    Mas isto não é certo para todos, cada caso é um caso.
    E, mesmo sendo certo para alguns, aqueles que se interessam por adquirir conhecimento científico, matemática, literatura, física, química, etc, e que só o podem fazer na escola, deverão sacrificar os seus sonhos e a sua ambição legítima para que a inclusão plena se cumpra na sala de aula com aprendizagens equitativas para todos?
    Este desejo de inclusão plena a qualquer custo, nas salas de aula, que muitos pais e movimentos reivindicam não estará ferido de egoísmo?
    Estas leis têm de ser discutidas e debatidas publicamente, tem de se analisar a sua aplicabilidade com os recursos disponíveis, tendo em conta os interesses de todos os alunos e de todos os pais, parece-me que nada disso foi feito, fez-se a lei e aplique-se, os problemas que surgirem à posterior colocar-se-ão às costas dos do costume; os professores.

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    1. Parabéns, Carlos Manuel, pelo discurso sensato e sábio.
      Parabéns pelo pai que é e pela pessoa que se lê naquilo que escreve e também no que se ‘esconde’ por detrás das palavras.

      Há coisas que só se entendem se forem vividas e há outras tantas que só a vida vivida nos consegue ensinar… Nem leis, nem governos, nem mestres, nem escola cumprem esse papel e muito o menos o podem substituir.

      Bem haja!

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  9. Na minha escola ainda há professores por colocar (incrível, mas normal), alguns deles vão ter direção de turma, por isso, as reuniões para fazer a flexibilidade têm vindo a ser adiadas. Vamos vivendo um dia de cada vez.

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