Nem Desburocratização, Nem Desmaterialização

Não há promessa de simplex que tenha verdadeira concretização na vida das escolas. Sim, existem meios digitais e plataformas, mas isso apenas significa que se duplicam os documentos, porque o suporte em papel permanece e, mais grave, a cada nova investida legislativa corresponde mais uma camada de documentos a produzir e papelada a imprimir. A articulação tem novos “instrumentos”; assim como a flexibilização. Mais a nova Cidadania e Desenvolvimento. Planificações e critérios. Instruções e guiões. Registos, monitorizações e avaliações. Sugestões. Actas galore.

Estava a verificar tudo o que já tive de “elaborar”como delegado de grupo e director de turma desde o início do ano letivo, assim como ainda devo fazer (e como eu tantos outr@s colegas com funções similares) a breve prazo para um próximo CP. A perda de tempo é impressionante, tudo para que existam registos a comprovar o que se fez, deveria ter feito ou convém anunciar que se pretende fazer.

Tudo articulado e flexível, desde que rigorosa e rigidamente padronizado nos formatos e modelos certos a trebuchet à escala e espaçamento com a devida adequação. Se possível, ao mesmo tempo, em coro. Dossiers e pens. Gigabytes e palettes de inutilidades, nascidas da desconfiança.

E o mais ridículo é que quem assim determina superiormente, ainda tem a distinta lata de se afirmar inspirado pelos Pink Floyd. Não percebo se é mesmo falta de pudor ou apenas pura e simples estupidez. Ou as duas.

Wall

 

14 thoughts on “Nem Desburocratização, Nem Desmaterialização

  1. Não falando da “inovadora” flexibilização, onde leciono a mesma coisa multiplica-se em diversos suportes. É uma dor de cabeça, uma perda de tempo.

    1. Sentiste-te bem ao descarregar a bílis? Já foste GP, PG, P1G1 e só escreveste coisas deste género.
      Se isto ´”liberdade de expressão” és mesmo o “labrego” que acusaste há uns tempos outro comentador de ser.

    1. Ora nem mais, pretor.
      Querem é encher-nos com porcaria, exactamente para garantirem que não conseguimos ensinar nada a ninguém. Por mim, podem ir para o raio que os parta.

      1. Concordo plenamente. O estado paga-me para ensinar o que eu sei melhor: os conteúdos da minha disciplina. O que por aí anda é forrobodó para tolos. O sr. Comediante e os seus acólitos que o façam nas suas universidades, à sua vontade. Comigo não contem para esse peditório.

  2. É estupidez da mais pura e dura… Incompetência por todos os poros…. Nunca pensei que pudesse haver um conjunto de pessoas deste calibre à frente da Educação. Tudo isto mete nojo e é uma vergonha o que se está a passar nas escolas.

    1 dia de greve + 1 manif? Vão-se catar. Ou avançam com medidas de rutura e a doer ou não contam comigo para nada.

    A minha política a partir deste ano vai ser:
    . testes do mais fácil de corrigir;
    . nota mínima: 3 (3.º ciclo) – 10 (secundário);
    . aulas com preparação 0 (sigamos o manual a 100%).

    Desisto. Vamos ver se as universidades não se começam a queixar.

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