Ainda as Juntas Médicas

Estão a ser mandad@s de volta para as escolas pessoas que até um cego veria que não estão em condições mínimas para leccionar. Mas os 30 dias que regressam fazem com que quem @s substitui seja mandado embora e depois, até se conseguir nova substituição são pelo menos 2 semanas ou mais, até porque há grupos em que já existe dificuldade em encontrar gente disponível nas RR. Poupa-se 1-2 meses de salário de um@ professor@ contratad@, obviamente em defesa do “interesse dos alunos” e da “qualidade da escola pública”. Se falarem com alguém do ME, dirá que é tudo culpa dos procedimentos legais, sendo que antes dos tempos dos computadores e das regras “centralistas”, era chegar à lista ordenada e fazer um telefonema, só seguindo carta para formalizar as coisas.

Isto não é um assunto de Direita/Esquerda mas apenas de uma enorme subserviência ao binómio Défice/Estupidez.

Mad doctor

Quem Prepara A Agenda do Ministro Tiago?

Parece que daqui a duas semanas vai (com o PR???) a uma escola que se tem apresentado nos últimos tempos como muito flexibilizadora mas na qual, a partir do testemunho de encarregados de educação e professores, se desenvolvem muito pouco “inclusivas”, antes pelo contrário, ao ponto de existir gente a recomendar que mandem os alunos para escolas de outro concelho, caso não tenham o “perfil” certo, seja de aprendizagens, seja de linhagem.

E isto ainda me espanta. Ou não. Porque parece que o ministro Tiago tem um enorme desconhecimento sobre o concreto das escolas, embora se perceba que gosta de interagir com as criancinhas. Mas… é preciso mais, muito mais. Que, raios, ao fim de três anos já consiga perceber as coisas, informar-se de forma independente d@s cortesã(o)s da 5 de Outubro e não meta o delicado sapato na lama de modo tão evidente.

Ou já nada disto interessa.

É o mais certo.

Já não interessa nada.

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E Os Directamente Interessados Poderão Tomar Conhecimento da Proposta Quando E Como?

Não falo por mim, que não tenho cartão, mas das dezenas de milhar que têm.

A Fenprof vai apresentar uma proposta de recuperação faseada dos 9 anos, 4 meses e 2 dias e de troca de tempo pela antecipação da aposentação, contas que já tem andado a fazer e que pretende apresentar ao Governo.

O resto da Plataforma concorda?

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Vocês Imaginam O Esforço Que É Preciso Fazer Para Comentar Este Tipo de Coisas Assim Como Que Apenas Ao De Leve, Levezinho?

Acredito que sim. Tirando a bancada de fãs irrevogáveis. Que se note, não fui eu que obriguei seja quem for a fazer ou a dizer seja o que for. Quanto a mim, prescindo da disponibilidade, ele bem pode ir descansar de tanta “entrega”, mas cada um é como é.

“Por exigência colocada aos sindicatos, fiquei a tempo inteiro nesta actividade”, admitiu numa entrevista à TVI – o dirigente não leciona há mais de 25 anos. “Fui convidado por duas vezes a leccionar no Ensino Superior, mas rejeitei porque gosto de ser sério e entregar-me completamente. Por isso, tenho de estar disponível das 9h da manhã à meia-noite para os professores”, acrescentou.

O líder da Fenprof, nascido em Tomar, em 1958, sempre quis ser professor.

Podem dizer que sou embirrante, mas quem “sempre quis ser professor” por certo não cederia a qualquer “exigência” que o obrigasse a não o ser.

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(eu dou aulas desde o tempo em que ele ainda dava aulas, nunca disse que queria ser professor desde pequenino… aconteceu-me e fui gostando… quanto à disponibilidade… eu é mais bolos e livros, daí o meu ar saudável e “atarracado” na simpática formulação de um dos controleiros ortodoxos que por aqui passam de quando em vez)

Os Efeitos Começam A Surgir

Sobre as últimas alterações legislativas na educação:

– a dita flexibilidade curricular é a ressurreição do modelo “projeto curricular de turma”, implementado há muitos anos nas escolas.

– o modelo da educação inclusiva é uma importação do modelo usado nos EUA, com resultados controversos e em vários casos catastróficos, em termos de qualidade de aprendizagem.

Li critérios de avaliação a recomendar que a classificação minima no 1º período no ensino básico seja 3 (a atribuição do nivel 2 é excecional e tem de ser justificada) e no ensino secundário seja 7.

Foi publicada a noticia seguinte no Daily Mail, ocorrida no país de onde se importou o modelo pedagógico de aprendizagem inclusiva:

“Teacher who was ‘fired for refusing to give 50% credit to students who didn’t even do their homework,’ leaves poignant goodbye on her whiteboard

  • Diane Tirado, 52, was fired from West Gate K-8 School in Port St Lucie, Florida, on September 14
  • She says the school has a ‘no zero’ policy, requiring teachers to give students no less than a 50-per cent grade on assignments
  • Tirado refused to follow the policy after several students didn’t turn in a homework project she had assigned two weeks earlier
  • Before leaving, she left a note on a whiteboard for her eighth-grade history class explaining her firing and bidding farewell”

Faça-se a respetiva aprendizagem significativa…Emoji

Mário Silva

nota

Da Cidadania (Pouco Desenvolvida)

De um@ professor@ de uma escola por aí, de que retirei a identificação.

Algumas observações sobre o documento Estratégia da […] para a Cidadania e Desenvolvimento.

(Professor ….)

Em primeiro lugar, quero recordar o repto lançado na reunião geral de professores no início deste ano lectivo quanto à importância do pensamento crítico e, sobretudo, da fundamentação da crítica. Se não me falta honesto exercício do primeiro, esforço-me por ter argumentos de sobejo quando exerço a segunda.

Atenção: não nos esqueçamos de que o assunto é cidadania!

O documento Estratégia da […] para a Cidadania e Desenvolvimento não foi discutido pelos professores nos grupos disciplinares e esta “anualização de subdomínios” que ele propõe tem tanto de arbitrário como de discutível.

Os subdomínios foram inventados por alguém (a escola?) e os domínios que estão definidos no documento são uma transcrição do anexo VIII da Portaria n.º 223-A/2018 de 3 de Agosto.

Artigo 11.º

Cidadania e Desenvolvimento

1 — No quadro da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC), cabe à escola aprovar a sua estratégia de educação para a cidadania, de acordo com o previsto no artigo 15.º do Decreto -Lei n.º 55/2018, de 6 de julho.

2 — Os domínios a que se refere a alínea a) do n.º 2 do artigo 15.º do mesmo diploma, a desenvolver em cada ciclo, são os constantes no anexo VIII da presente portaria, e da qual faz parte integrante.

Portanto, “a escola” (quem é a escola?) aprovou a estratégia de educação para a cidadania, “em linhas gerais”, no conselho pedagógico de 13 de Julho,  obedecendo, ipsis verbis, ao que está no Anexo VIII da Portaria n.º 223-A/2018.

No artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de Julho, a que a Portaria se refere, pode ler-se:

Artigo 15.º

Cidadania e Desenvolvimento

1 — No âmbito da Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania, a componente Cidadania e Desenvolvimento é desenvolvida de acordo com o disposto nos números seguintes.

2 — Cabe a cada escola aprovar a sua estratégia de educação para a cidadania, definindo: a) Os domínios, os temas e as aprendizagens a desenvolver em cada ciclo e ano de escolaridade; b) O modo de organização do trabalho; c) Os projetos a desenvolver pelos alunos que concretizam na comunidade as aprendizagens a desenvolver; d) As parcerias a estabelecer com entidades da comunidade numa perspetiva de trabalho em rede, com vista à concretização dos projetos; e) A avaliação das aprendizagens dos alunos; f) A avaliação da estratégia de educação para a cidadania da escola.

É curioso: a 6 de Julho o Decreto-Lei dizia que “a escola” (quem é a escola?) aprova a estratégia e define os domínios e a 3 de Agosto impunha os domínios às escolas através do Anexo VIII. O que se terá passado neste intervalo de tempo? Deixou-se de confiar na escola? Deixou-se de se confiar à escola a capacidade de decidir? É isto a autonomia? Atenção: estamos a falar de cidadania!

Mas o espanto não se fica por aqui. É que já no Decreto-Lei de 6 de Julho há esta pérola pedagógica, este suprassumo da pedagogia da emancipação e da autonomia: quem define os projectos a desenvolver pelos alunos são os professores! Então, e a autonomia dos alunos, a sua participação no processo? Erro de palmatória para quem teve a veleidade de pensar em pedagogia de projectos!

O documento Estratégia da […] para a Cidadania e Desenvolvimento seguiu o espírito do Decreto-Lei e da Portaria: obedeceu e impôs. Que obedeça, e que obedeçamos, é inevitável. Estamos habituados a que os governos sofismem e asfixiem a tão retoricamente ufanada autonomia da escola. Os normativos são para cumprir, somos servidores públicos. Que imponha sem consultar é que não é democrático, ainda mais dentro da escola, de escola para escola – afinal quem é a escola? A escola é os seus professores e os seus alunos. Tanto uns como outros estão subjugados por uma mentalidade que não pergunta, impõe; que desconfia, que menoriza, que não deixa espaço à decisão. Vais fazer o projecto que nós decidimos! Atenção: estamos a falar de cidadania!

No documento Estratégia da […] para a Cidadania e Desenvolvimento, os subdomínios e a sua anualização têm tanto de arbitrário – porque não houve consulta –, como de discutível – porque depende das idiossincrasias das turmas e não de uma abstracção chamada “ano lectivo”. É ou não é um bom princípio o da adaptação do currículo à realidade das turmas? Por que motivo não se há-de falar de igualdade de género no 5º ano quando muitas raparigas limpam as casas ao fim de semana e os rapazes não? Por que motivo não se há-de falar de biodiversidade da [região] no 5º ano quando o programa de ciências o permite e sugere? Por que motivo não se há-de falar de higiene pessoal no 5º ano quando é algo que qualquer professor sabe que é por vezes um assunto crítico? Poderíamos continuar a abordar todos os pontos dos subdomínios, não fosse a questão fundamental residir num plano diferente do mero esmiuçar o que está dentro de um domínio. A questão fundamental é da ordem do desenvolvimento curricular. Da mesma forma que as competências (conhecimentos-capacidades-atitudes) descritas no documento Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória desenvolvem-se ao longo dos 12 anos da escolaridade obrigatória, sem recurso à anualização de competências, os domínios impostos, ainda que legitimamente, pelo Ministério da Educação, são também passíveis de o serem. De outra forma, haverá aqui uma contradição insanável e Cidadania e Desenvolvimento não passaria de mais uma disciplina do currículo. Esta anualização apresentada – desconfio que qualquer uma que o venha a ser – é artificial e anacrónica e está nos antípodas de uma concepção de desenvolvimento curricular que entende o desenvolvimento das crianças a partir de uma complexificação crescente – dantes dizia-se “em espiral” – das competências curriculares.  Junte-se a isto o esvaziamento da possibilidade de os alunos e turmas escolherem, decidirem, que projectos fazer, projectos circunscritos pelos grandes temas que são os domínios, então não tenho outro qualificativo para a anualização do que dizer que é um erro pedagógico e curricular. Que se faça uma listagem de subtemas como mera sugestão, como proposta ou exemplo, ainda é aceitável; mas não como obrigatoriedade de os subtemas serem todos abordados ao longo da escolaridade e definidos por ano lectivo. Currículo significa percurso e, num ambiente democrático e flexível, os percursos podem ser diferentes, ainda que enformados por domínios bastante amplos. Anualizar e obrigar a que todos passem pelos mesmos subdomínios é o tradicional currículo pronto-a-vestir-tamanho-único, apenas com outra roupagem. Os erros e as más decisões, sejam da tutela ou “da escola” (quem é a escola?), prejudicam-nos, profissional e emocionalmente. Esta é, claramente, uma questão de cidadania dentro da escola.

Por fim, como reflexão e inspiração para os que não tenham lido com atenção os normativos, ficam algumas citações esclarecedoras.

Decreto-Lei n.º 55/2018

“(…) considera-se fundamental que as principais decisões a nível curricular e pedagógico sejam tomadas pelas escolas e pelos professores.”

“(…) a componente de Cidadania e Desenvolvimento, enquanto área de trabalho presente nas diferentes ofertas educativas e formativas, com vista ao exercício da cidadania ativa, de participação democrática”

 “Reconhecimento dos professores enquanto agentes principais do desenvolvimento do currículo, com um papel fundamental na sua avaliação, na reflexão sobre as opções a tomar, na sua exequibilidade e adequação aos contextos de cada comunidade escolar”

“A implementação do trabalho de projeto como dinâmica centrada no papel dos alunos enquanto autores, proporcionando aprendizagens significativas.”

“As escolas devem promover o envolvimento dos alunos, definindo procedimentos regulares de auscultação e participação dos alunos no desenho de opções curriculares e na avaliação da sua eficácia na aprendizagem.”

“(…) as escolas devem promover o envolvimento dos alunos.”

Portaria n.º 223-A/2018

“Até ao início do ano letivo, o conselho pedagógico da escola, enquanto órgão regulador do processo de avaliação das aprendizagens, define, de acordo com as prioridades e opções curriculares, e sob proposta dos departamentos curriculares, os critérios de avaliação” (é legítimo inferir que, numa escola democrática, os departamentos devem ouvir os grupos disciplinares)

Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória

“Estas competências são complementares e a sua enumeração não pressupõe qualquer hierarquia interna entre as mesmas. Nenhuma delas, por outro lado, corresponde a uma área curricular específica. Sendo que em cada área curricular estão necessariamente envolvidas múltiplas competências, teóricas e práticas. Pressupõem o desenvolvimento de literacias múltiplas, tais como a leitura e a escrita, a numeracia e a utilização das tecnologias de informação e comunicação, que são alicerces para aprender e continuar a aprender ao longo da vida.”

“• Promover de modo sistemático e intencional, na sala de aula e fora dela, atividades que permitam ao aluno fazer escolhas, confrontar pontos de vista, resolver problemas e tomar decisões com base em valores;

  • Criar na escola espaços e tempos para que os alunos intervenham livre e responsavelmente;
  • Valorizar, na avaliação das aprendizagens do aluno, o trabalho de livre iniciativa, incentivando a intervenção positiva no meio escolar e na comunidade.”

Cidadania e Desenvolvimento – Aprendizagens Essenciais

“A Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (…) integra um conjunto de competências e conhecimentos, em convergência com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PA) e com as Aprendizagens Essenciais (AE).”

“Pressupõe-se, assim, que os docentes detenham formação na área da cidadania, motivação para a abordagem desta área e para a utilização de metodologias de projeto, bem como experiência na coordenação de equipas pedagógicas.”

“O desenvolvimento desta componente deve ser consolidado, de modo que as crianças e jovens, ao longo dos diferentes ciclos, experienciem e adquiram competências e conhecimentos de cidadania, em várias vertentes.”

“Os critérios de avaliação para a Cidadania e Desenvolvimento são definidos pelo Conselho de Turma e pela escola, e validados pelo Conselho Pedagógico, devendo considerar-se o impacto da participação dos alunos nas atividades realizadas na escola e na comunidade.”

Estratégia Nacional para a Educação para a Cidadania 

  • A valorização das especificidades e realidades locais em detrimento de abordagens de temáticas abstratas e descontextualizadas da vida real – importância do diagnóstico local.
  • A constatação de que a Cidadania não se aprende simplesmente por processos retóricos, por ensino transmissivo, mas por processos vivenciais.
  • A Cidadania deve estar embutida na própria cultura de escola – assente numa lógica de participação e de corresponsabilização.

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