O “Jornalismo” da Mentira na TVI24

Na TVI24 enveredou-se pelo frete descarado ao governo para ter exclusivos com o PM?

É o que parece quando se escreve uma mentira completa, que mistura dias de greve a avaliações, fora do período lectivo e não feitas por todos os professores, com dias de greve a aulas distribuídas por regiões diferentes. Mesmo as ressalvas inseridas no texto são em grande parte uma mistificação

Juntando tudo, nestes primeiros dez meses do ano já houve 50 dias de paragem. É certo que nem em todas as regiões do país houve greve no mesmo dia, mas a classe docente acabou por parar, em média, cinco dias úteis por mês

Ora, estamos a três meses de o ano terminar. Se fizermos contas aos dias de trabalho mensais, excluindo feriados e dias de férias, até à próxima sexta-feira, em 180 dias de trabalho possíveis, 50 foram de greve. Ou seja, cerca de 28% do tempo.

Isto é factualmente falso, porque NÃO existiram 50 dias de greve durante os 180 dias de aulas. Os tais 50 dias contemplam dias de greve só em algumas zonas do país e os dias de greve às avaliações, não a aulas nos tais 180 dias.

As greves que são identificadas correspondem a DOIS dias de greve no p+eríodo lectivo por região, ou seja, cada aluno teve apenas um dia de greve a cada seis meses. As “jornalistas” (Laura Ravéra e Vanessa Cruz) que escreveram a peça têm nome, embora eu as não conheça de lado nenhum em trabalhos sobre Educação. Sejam efectivas, tarefeiras ou primas do porteiro, a peça que escreveram é uma manipulação grosseira da realidade, uma falsificação dos factos com objectivos que parecem claros. Será que vale tudo para arranjar um lugar na redacção? E, acima delas, ninguém faz qualquer verificação disto ou apenas seguiram ordens?

Uma completa vergonha. Como em tempos escrevi sobre um outro operacional informativo, agora abençoadamente desaparecido das lides (tendo sido demonstrado em instrução que eu tinha razão), isto é uma verdadeira “bosta” jornalística.

Já vale tudo?

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Meu Caro José Manuel Fernandes, Cuidado Com Essa Hipertensão…

… mesmo se nos debate televisivos pareça sempre hipotenso. E a sério que me preocupa porque, há uma década, conhecemo-nos a partir de pontos divergentes, tendo eu de reconhecer a coragem de me convidar para escrever no Público e estabelecer uma parceria com o Umbigo em tempos bem complicados da desgovernação socrática (e eu bem me lembro da estranheza que despertei com o convite para apresentar o livro do blogue na BN). Só que a partir de dado momento a sua metamorfose faz-me lembrar a da Zita Seabra, ou seja, não é por se ter partilhado uma fé errada que se deve considerar que é boa a que lhe é simétrica.

Vamos lá…

A sua zanga com os professores é de cariz ideológico e não propriamente racional. Tentei ler todo o artigo de hoje, mas não consegui passar do lead que diz assim:

O que os sindicatos dos professores pedem é o regresso a carreiras que implicam uma despesa pública igual à que nos levou à bancarrota. Não admira pois que os contribuintes não apoiem mais esta greve.

Em três linhas apenas consegue conter-se uma imensidão de incorrecções, de que alinho apenas algumas, sem receio de exaustão:

  • Não são os sindicatos de professores que pedem, são mesmo os professores, apesar dos sindicatos. Por eles, isto já estava resolvido. Os professores, no terreno, é que estão fartos de ser enganados por uma geringonça (governamental, educativa, sindical) que só se preocupa com os seus jogos florais pré-eleitorais.
  • Não se regressa a uma carreira que é a existente. O que o meu caro José Manuel pretende é tomar como boa uma suspensão de um estatuto de carreira, feita duas vezes pelo PM Sócrates e continuada pelo PM Passos Coelho. Nós não queremos “regressar” a nada. Apenas que cumpram o que está legislado. Só faltou escrever sobre “retroacticos”, como um qualquer Carlos César.
  • O meu caro José Manuel não é tão ignorante que, agora, atribua aos salários dos professores a nossa situação de “bancarrota”. Que raio, chegou-lhe uma amnésia precoce? Os negócios ruinosos das PPP, os estudos encomendados para pontes e aeroportos, a Parque Escolar, a intervenção no BPN foram tudo amendoins de escasso valor perante os 2000 euros de salário bruto de um professor a meio da carreira. Vamos ter dó, ok? Podemos manter este tipo de debate num nível sofrível de honestidade intelectual?
  • Se os contribuintes apoiam ou não esta greve, não sabemos lá muito bem. Parece que há quem ache que sabemos. Eu sou contribuinte e não dei a minha opinião. E sou encarregado de educação. Por acaso, não fiz greve, mas não é por discordar das reivindicações, mas sim de uma estratégia de “luta” que me merece enorme desconfiança por causa de boa parte dos “actores” em presença.

Poderia continuar, lendo o resto do texto, mas acho que é inútil porque JMF há anos que abdicou do pensamento racional, da argumentação factual, para destilar um mantra azedo sobre tudo o que lhe cheire a “Esquerda”. E a mim interessa pouco fazer traçar perfis psicológicos ou fazer exorcismos por via digital.

Eyes

(do que a gente precisa é debater isto com advogado comediante, certo? a sociedade civil e tal, os amigos da amiga e o camandro…)

This Is What We Find

Fica desde já por aqui o último parágrafo do texto que deve aparecer no Público, ainda esta semana.

Perante isso, a única atitude coerente com quem não queira pactuar com este abuso de poder e com a inaceitável retórica da “generosidade” de uma “bonificação” é a busca dos procedimentos legais para recusar a aplicação desta medida, nem que seja em termos individuais. Pessoalmente, sublinho, prefiro não ter qualquer reposição do tempo de serviço que me foi sonegado do que aceitar uma medida em forma de hipócrita esmola dada por governantes em trânsito.

This is what we find
This is what we find
This is what we find
The hope that springs eternal
Springs right up your behind