Ensinamentos Do Dia De Hoje

O caso de Tancos, em outros tempos, faria mesmo o mais abúlico PR exigir a vaporização do ministro da Defesa.

Só a imposição de uma votação parlamentar da ILC para contagem integral do tempo docente pode esclarecer muita coisa, já que hoje ficou demonstrada toda a falsidade das críticas que lhe foram feitas a partir de alguns sectores. Pelo que é importante que tenha mais assinaturas para não sofrer entraves administrativos como os que tem tido. A apreciação parlamentar do decreto-lei não é suficiente.

ILC final

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Agora, Desculpem-me, Mas Depois Dos Três Posts Anteriores, Vou Ali E Volto Só Quando Passar

VOMI

Até porque:

A solução encontrada – recuperação de 2 anos, 9 meses e 18 dias, a repercutir no escalão para o qual progridam a partir de 1 de janeiro de 2019 – permite conciliar a contagem do tempo para efeitos de progressão entre 2011 e 2017 com a sustentabilidade orçamental. 
Esta solução corporiza o disposto no artigo 19.º da Lei do Orçamento do Estado para 2018 que determina que “a expressão remuneratória do tempo de serviço nas carreiras, cargos ou categorias integradas em corpos especiais, em que a progressão e mudança de posição remuneratória dependam do decurso de determinado período de prestação de serviço legalmente estabelecido para o efeito, é considerada em processo negocial com vista a definir o prazo e o modo para a sua concretização, tendo em conta a sustentabilidade e compatibilização com os recursos disponíveis”.

P(érolas de) S(abedoria) – 3

Sim, as coisas podem piorar. E de uma forma em parte absolutamente inesperada. Sim, o velho Valter Lemos decidiu entrar na liça e também opinar sobre o conflito entre os professores e o governo. Absolutamente inesperado é que algumas partes do seu texto façam sentido, em especial se taparmos nome e foto do autor.

Mais complicado é quando o velho Valter Lemos decide escrever o seguinte:

É evidente que o tempo ideal para negociar alterações teria sido o tempo do congelamento, para que, aquando do descongelamento, o problema estivesse, pelo menos, minimizado. Mas, como se sabe, o anterior Governo no que a tais questões diz respeito, limitou-se a “fazer de morto”, ou a revogar o que anteriormente havia sido aprovado.

O quê?

Mas então quem era secretário de Estado da Educação quando foi decretado e cumprido o primeiro congelamento de 2 anos, 4 meses e 2 dias?

Ganda nóia!

Mas então quem era secretário de Estado quando foi imposto o ECD de 2007?

Sim, claro, o velho Valter Lemos gostaria que permanecesse a divisão entre titulares e não titulares, mas eu garanto que os estrangulamentos no acesso aos 5º e 7º escalões ainda acabam por ser mais prejudiciais para os professores dos que os introduzidos nos tempos de MLR/Lemos/Pedreira.

Já agora, quem era governo, desde Novembro de 2015, quando o congelamento foi renovado em 2016 e 2017? O João Ratão e a Carochinha?

Mas o velho Valter Lemos também atinge um ponto alto da falácia quando escreve a finalizar o seu artigo que se os professores acedessem a mudar o seu estatuto o governo ficaria sem argumentos. Atentemos:

Mas, não é só o Governo que deve refletir sobre isso. Os professores também necessitam de o fazer. Porque a sistemática recusa de alterações ao seu estatuto de carreira também põe em causa a evolução referida. Se a progressão na carreira estivesse estruturada para que o tempo de serviço não tivesse muito mais peso do que tudo o resto, existindo outros fatores significativos, como acontece noutras carreiras da função pública, o atual argumentário do Governo não poderia existir porque não faria qualquer sentido!

Mas ele não teve tempo de falar com o Paulo Trigo Pereira ou ouvir o Porfírio Silva e perceber que António Costa e o PS pura e simplesmente não querem devolver o tempo de serviço sonegado e que para o justificar se estão nas tintas para qualquer lógica argumentativa?

Se há casos em que a publicação de um texto é especialmente cruel por ser fácil verificar que ele não tem qualquer relação com a realidade, este é um deles. O velho Valter Lemos até pode achar que não, mas o seu argumentário não faz qualquer sentido.

Valter2

P(érolas de) S(abedoria) – 2

Conheci episodicamente Paulo Trigo Pereira em dois debates civilizados e corteses, um deles por convite dele. Pareceu-me sensato, embora já se estivesse a lançar na política, o que é sempre sinal de que as coisas podem descambar. Como seu aparente “saber técnico” dá uma face de rigor a posições políticas questionáveis, em especial quando embrulha tudo em muitos números que pouca gente se preocupe em desmontar. Em relação aos professores, percebe-se que o que está em causa é mais do que uma análise técnica da questão, mas sim um qualquer preconceito profundo que ele confunde com “justiça” e algumas vezes com “equidade”, noções que não desenvolve sem saltos na lógica da argumentação.

Na entrevista que dá hoje ao Público já nem se preocupa em esconder isso quando afirma:

Imaginemos que o PS ganha sem maioria absoluta e precisa de apoio parlamentar. Não pode casar com um partido que tenha como linha vermelha, por exemplo, dar o tempo integral de serviço aos professores. Mesmo que houvesse dinheiro, eu achava que não se devia dar, porque não é justo.

O que significa que ele assume por completo a tese do esbulho salarial dos professores, praticado a partir dos dois congelamentos de carreira iniciados pelo seu partido. Ele acha que não se deve contar o tempo de serviço aos professores porque não e ponto final, parágrafo. Não é “justo” e segue com a conversa para outro lado. PTP é uma outra face de António Costa, aquela que desde o início nunca considerou sequer a possibilidade de devolver aos professores a contagem integral do seu tempo de serviço. A face de António Costa que corresponde ao ministro de Sócrates, ao amigo de Maria de Lurdes Rodrigues, ao actual aio de Centeno, ao político que não perdoa aos professores terem tido um papel fulcral na queda do regime socrático. Papel que, infelizmente, muito pouca gente agradece, reservando para si (quantas vezes sem terem feito pevas) uma inexistente coragem e glória.

Paulo Trigo Pereira sabe certamente que a forma como fala em “justiça” é falacciosa e corresponde a um atropelo ao Estado de Direito na forma como é ignorado e massacrado o Estatuto da Carreira Docente que ele desejava continuar a ter uma divisão com titulares e talvez mesmo mais “categorias”.

PTP poderia justificar de outro modo as suas posições e de António Costa. Assim é apenas alguém que usa palavras como simulacros do seu significado, perdendo qualquer credibilidade pela forma como abusa da “justiça”.

TrigoPereira

 

P(érolas de) S(abedoria) – 1

Não é segredo que não nutro especial admiração pelo senhor deputado Silva, Porfírio de sua graça. Acho, aliás, que a sua ascensão no aparelho socialista na última década é apenas um sinal da degenerescência da carreira política, resultado da ausência de quotas para a progressão por mérito, acabando por acontecer apenas pelo cumprimento de tarefas úteis ao seu líder e à situação, algumas delas com um conteúdo ético altamente questionável e justificadas com sofismas de terceira ordem.

O cúmulo da hipocrisia surgiu ontem:

O socialista Porfírio Silva realçou ainda que o PS votou a favor da recomendação do Parlamento ao Governo para a recuperação de todo aquele tempo de serviço porque o partido tem “todas as ambições do mundo” mas não entende esse voto como “forma de contornar a negociação entre Governo e sindicatos”. “O Governo deu um passo e estamos à espera que os sindicatos dêem o seu passo para que se aproximem as posições e a solução seja encontrada – isso é respeitar a resolução.

Este tipo de declarações é um puro gozo, sem qualquer pudor ou receio de responsabilização pelos actos praticados, sejam eles quais forem. Não sei se terá sido ele que também declarou há uns meses que resoluções votam-se todas, já as leis fazem-se as possíveis, no que poderá ser considerado um exemplo sabedoria de sabedoria política acaciana.

O deputado Silva, Porfírio de sua graça é uma das faces de António Costa para a luta política com os professores. A face do discurso político sem qualquer preocupação moral ou ética e sem qualquer conteúdo nas acções, que ora são estas, ora são aqueles, todas com a mesma cara de pau, própria da doutrina pimenta machado do “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”.p Chamado troca-tintismo vira-casaquista.

O deputado Silva, Porfírio de sua graça, não me embaraça ou incomoda porque tem uma opinião diferente da minha. Embaraça-me e incomoda-me porque quando os deputados atingem este nível é a própria Nação que envergonham.

Porfírio

 

A Transnacionalização da Proletarização Docente

Será que ninguém, por exemplo num Departamento de Ciências de Educação, se interessa em fazer tese sobre o tema, sem ser reverente aos poderes e à lógica das economias de escala?

Teaching has always been a demanding job. Performing for five hours a day in front of a class is tiring, but add to that lesson preparation, marking, meetings and admin and most teachers clock up 55-60 hours a week – and have been doing so for decades.

But over the past 15 years, there has been one significant change. Today, teaching is no longer a private endeavour that takes place in a classroom. Now teachers are required to create a paper trail that proves learning has happened, for people who were not present in the room at the time.

This audit culture means that, in many schools, the teacher no longer is able to decide how to prepare and deliver lessons, mark pupils’ work, and assess and record learning. This is dictated by school policy.

KeepCalm

An estimated 15,000 teachers are snapped up overseas each year, driven away by the stress in British schools.