P(érolas de) S(abedoria) – 2

Conheci episodicamente Paulo Trigo Pereira em dois debates civilizados e corteses, um deles por convite dele. Pareceu-me sensato, embora já se estivesse a lançar na política, o que é sempre sinal de que as coisas podem descambar. Como seu aparente “saber técnico” dá uma face de rigor a posições políticas questionáveis, em especial quando embrulha tudo em muitos números que pouca gente se preocupe em desmontar. Em relação aos professores, percebe-se que o que está em causa é mais do que uma análise técnica da questão, mas sim um qualquer preconceito profundo que ele confunde com “justiça” e algumas vezes com “equidade”, noções que não desenvolve sem saltos na lógica da argumentação.

Na entrevista que dá hoje ao Público já nem se preocupa em esconder isso quando afirma:

Imaginemos que o PS ganha sem maioria absoluta e precisa de apoio parlamentar. Não pode casar com um partido que tenha como linha vermelha, por exemplo, dar o tempo integral de serviço aos professores. Mesmo que houvesse dinheiro, eu achava que não se devia dar, porque não é justo.

O que significa que ele assume por completo a tese do esbulho salarial dos professores, praticado a partir dos dois congelamentos de carreira iniciados pelo seu partido. Ele acha que não se deve contar o tempo de serviço aos professores porque não e ponto final, parágrafo. Não é “justo” e segue com a conversa para outro lado. PTP é uma outra face de António Costa, aquela que desde o início nunca considerou sequer a possibilidade de devolver aos professores a contagem integral do seu tempo de serviço. A face de António Costa que corresponde ao ministro de Sócrates, ao amigo de Maria de Lurdes Rodrigues, ao actual aio de Centeno, ao político que não perdoa aos professores terem tido um papel fulcral na queda do regime socrático. Papel que, infelizmente, muito pouca gente agradece, reservando para si (quantas vezes sem terem feito pevas) uma inexistente coragem e glória.

Paulo Trigo Pereira sabe certamente que a forma como fala em “justiça” é falacciosa e corresponde a um atropelo ao Estado de Direito na forma como é ignorado e massacrado o Estatuto da Carreira Docente que ele desejava continuar a ter uma divisão com titulares e talvez mesmo mais “categorias”.

PTP poderia justificar de outro modo as suas posições e de António Costa. Assim é apenas alguém que usa palavras como simulacros do seu significado, perdendo qualquer credibilidade pela forma como abusa da “justiça”.

TrigoPereira

 

4 thoughts on “P(érolas de) S(abedoria) – 2

  1. Asco!
    Bom… se ele pode esbulhar os professores do tempo de serviço que prestaram ao Estado, proponho uma campanha para a não contagem do seu tempo de serviço como deputado da nação, como professor, onde quer que tenha trabalhado.
    Porque isto é “justo”no seu miserável entendimento!!!

  2. Eu só concordo com a contagem de tempo dos professores quando contarem o tempo de outros funcionários que viram suas carreiras também congeladas, mas quem são os professores neste PAÍS, se até são os mais bem pagos da UNIÃO EUROPEIA,vamos respeitar os portugueses há muitos e muitos que nós sabemos conhecemos que se reformaram sendo muito prejudicados na carreira onde andam esses sindicalistas de algibeira já dizia o meu pai ,tudo negociatas vergonhosas,

    1. Cara senhora… o que escreveu contém duas mentiras evidentes:

      – Os funcionários das carreiras gerais tiveram todo o seu tempo de serviço recuperado.
      – Até o SE Costa foi obrigado a reconhecer que os dados mediatizados sobre os salários dos professores o foram de forma errada, pois foram os da paridade de poder de compra e não os reais.

      Por fim, os professores são pessoas como eu que se embaraçam por terem concidadãos com a sua enorme falta de sentido cívico e ético, que mentem para servir uma clique política.

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