E Amanhã Será, De Novo, O Primeiro Dia Do Resto Das Nossas Vidas (Profissionais)

Pela quase enésima vez, em especial desde 9 de Março de 2008.

“Sabia já de antemão que o confronto com o Governo iria continuar e, francamente, estou cansada destes confrontos”, desabafa Fátima Gomes. É esta a razão pela qual se sente “agastada”. Mas não é a única: “Seria bonito para os meus colegas dizer que acredito que vai haver uma mudança positiva, mas na verdade não tenho expectativa alguma de que isso aconteça.”

Há já uma boa quantidade de anos, nem sei se ainda nos conhecíamos pessoalmente, sequer, fizemos parte de uma dezena ou duas de desalinhados que escreveram publicamente que se recusavam a entregar os Objectivos Individuais (após consulta do texto, os primeiros signatários foram 12), quando muita gente se encolhia e se prontificava a meter o papelinho nas secretarias.

Passados estes anos, parece que continuamos exactamente no mesmo comprimento de onda. Revejo-me quase por completo nas palavras da Fátima Inácio Gomes nesta peça do público. O “quase” deve-se ao facto de eu ainda sentir ganas de dizer o que penso aos hipócritas do costume.

sindicatooo

 

 

12 thoughts on “E Amanhã Será, De Novo, O Primeiro Dia Do Resto Das Nossas Vidas (Profissionais)

  1. Agora que falou nisso, Paulo, também nunca entreguei nenhuns OI.
    Para ser franco, já nem me lembrava disso. Porém, agora recordo como num dia houve uma reunião alargada em que ficou acordado que ninguém iria entregá-los, todavia, nessa noite, o ME disse qq coisa e, no dia seguinte, desatou tudo a entregá-los na direção.
    A minha fé na “classe” ruiu nesses dois dias.

    1. Idem… para as duas situações que descreve: também não entreguei OI, sendo a única a fazê-lo na escola onde leciono; também após reunião similar à supracitada, todos correram a entregá-los no dia a seguir…

    2. Eu também não entreguei OI. Na “minha” escola, só uns 8 não o fizeram. Porém, na manifestação estiveram quase todos. Desde aí, deixei de fazer greves e de acreditar que é possível mudar alguma coisa. Muitos professores, assim que a multidão dispersa, não têm coragem de assumir, sozinhos, atitudes mais radicais.

  2. Neste dia simbólico, deixo aqui sinceras felicitações a todos os professores!

    “Se não morre aquele que escreve um livro e planta uma árvore, com mais razão não morre o educador que semeia vida e escreve na alma.”
    Bertolt Brecht

    Sintam-se abraçados. 🤗

  3. Trata-se de um jogo todo ele coreografado, como muito bem o Paulo tem vindo a desmascarar desde os tempos do Umbigo.

    Muitos de nós já não damos para esse peditório. As injustiças e todo o mal que têm feito aos professores (e a outras profissões) não têm solução neste ciclozinho vicioso em que ambos os lados (governos + sindicatos) se vão alegremente digladiando, fingindo que cada um representa muito bem o seu papel.

    As soluções para os nossos problemas já não se resolvem neste ritual mais do que gasto da greve de 1 dia, seguida de ruidosa manifestação.

    Baste que pensemos como foi possível no tempo da Dona Maria de Lurdes estarmos todos na rua e nada ter mudado: nem sequer conseguimos que tal figura sinistra caísse no governo…

    Soluções só fora deste jogo em que só eles controlam as regras.

    1. Tem havido aqui colegas a apelar ao não voto no PS. Esse boicote deve igualmente estender-se ao Bloco e ao PCP.

      Embora, muito honestamente, duvido que muitos professores tenham votado no PS de Costa.

  4. “A última vez que Ana Barroco saiu à rua, numa manifestação de professores, foi em 2008, quando cerca de 100 mil docentes disseram não à então ministra Maria de Lurdes Rodrigues. “Estava à espera de mais gente, gostava que fôssemos tantos como há dez anos, porque a situação é hoje muito pior do que era então”, confessa, para adiantar que talvez os professores estejam “saturados” ou até “mais acomodados”, mas que é preciso não cruzar os braços. “Estamos mesmo mal”, insiste.”
    (este trecho é do artigo do Público)

    A colega que faz esta afirmação só esqueceu a razão principal para o facto de estarem apenas 50 mil professores na manif. É verdade que, como diz e muito bem, hoje estamos numa situação bem pior do que em 2008. O problema é que parte da razão para estarmos assim tão mal vem justamente de quem nos deveria defender. É por isso que muitos professores já não participam neste tipo de lutas encenadas cujo desfecho é sabido há muito. É um jogo muito sujo.

    1. Subscrevo inteiramente. Estamos, de facto, muito pior que em 2008. No entanto, muitos professores estão cansados de serem convocados para lutas coreografadas e já não “dão para esse peditório”.
      Concordo inteiramente com um comentário acima exposto: soluções só fora deste jogo em que só eles controlam as regras”, sendo que os “profissionais da luta” são uma parte do problema, não da solução. Acho que estamos cansados da “gloriosa luta sindical”, em que caminhamos de vitória em vitória até à derrota final.

      1. Concordo. Com o devido respeito, os “profissionais da luta” não vêem que não há condições para este tipo de “luta” ter sucesso.

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