30 thoughts on “Post Para Um Primeiro Balanço da Manifestação

  1. Ouvir um dos politólogos de serviço da sic dizer que não é possível ceder às exigências dos professores sob pena de isso comprometer a reposição de outros rendimentos é mesmo do melhor! … Porque parece que temos capacidade de mobilização que falta a outros grupos profissionais… Estou muito curiosa para ver que solução está a ser encontrada longe das luzes da ribalta para, por exemplo, os magistrados.

  2. Se há coisa que este governo nos mostrou de forma clara é que ninguém cai…
    Quando muito escorregam, inclinam-se ou saem temporariamente de cena até que o povo se esqueça dos deslizes…

    É a tal questão da memória de que temos falado por aqui…

  3. “Uma das novas novas greves anunciadas pelos professores esta sexta-feira, no final de uma manifestação que, segundo a PSP, terá reunido cerca de 20 mil pessoas em Lisboa, irá comprometer o apoio que é prestado nas escolas aos alunos com dificuldades de aprendizagem.”

    Público a preparar a eleição de um candidato da extrema direita dentro de 5 anos.

  4. Boa noite colegas!

    Eis as propostas apresentadas no final da manifestação.

    Confesso que tenho de ouvir outra vez porque o calor foi muito e as bejecas também…….

  5. Tenho dificuldade em fazer um balanço, por isso escrevo apenas desabafos.

    Não percebi muito bem os timings definidos para esta fase…

    Penso que o agendamento sindical, por força legal e por questões naturalmente estratégicas, é definido com alguma antecedência. Não é assim?
    É estranho terem sido encerradas/ terminadas as negociações antes de ter início o período de luta, consubstanciado fundamentalmente com as greves desta semana e a manifestação de hoje… É estranho. Não deveriam ter previsto e acautelado está situação?

    Mário Nogueira criou algum “suspense” quanto às iniciativas que anunciaria na manifestação. Fiquei com alguma curiosidade, confesso. Infelizmente não anunciou nada de substancialmente novo.
    Para além de falar na possibilidade de avançar para tribunal (ação com a qual concordo), anunciou, daquilo que percebi, greves a algumas ‘tarefas’ da CNL e às reuniões intercalares.
    Estas formas de luta não têm grande impacto (como recentemente vimos), diluem-se facilmente, perdem força em pouco tempo, porque são ações pessoais, são ações muito distendidas no tempo… As pessoas desistem da ‘luta’.

    Julgo que deve ser feita uma reflexão profunda, que os sindicatos devem ‘sentir o pulso’ aos professores. Todos já perceberam que muitas pessoas estão cansadas e descrentes. Se a frente sindical quer lutas de verdade, se quer lutas agregadoras é necessário fazer trabalho de fundo junto dos professores nas escolas.

    Nesta fase, atendendo ao que escrevi atrás, penso que a via judicial é o melhor caminho.

    Não tenho grande esperança nem no PCP nem no BE. Não criarão obstáculos nem à aprovação do OE nem à governação socialista. Temem a fatura da instabilidade política…

  6. 20 mil pessoas?

    O fiasco ainda foi maior do que eu esperava.

    Percebi bem? Greve às reuniões intercalares? Ui, o Costa já está b…o de medo.

    1. Foram mais de 20 mil. Mas isso nem importa porque a troça e a passividade crítica é que incomodam… principalmente se dirigidas aos sindicatos e àqueles que a eles se associam.
      Deve ser uma nova modalidade de luta, essa sim substantivamente superior que até deve matar de susto o Costa e o seu governo. Uma manifestação suprema de inteligência, diga-se.

      1. Caro Ruas, a mim incomoda é a troça e passividade crítica dirigida aos PROFESSORES.
        Porque são eles que estão em causa. Os sindicatos não existem – se calhar, até existirão alguns – sem terem que se lhes associe.
        De uma vez por todas, isto não é uma disputa em que os “sindicatos” são as vítimas. A maioria dquela malta que vai sempre à frente nas manifs não sabe o que é ser professor sem ser da boca para fora e parece que ainda não perceberam isso. Há anos que se lhes diz que precisam de retomar o contacto com a realidade quotidiana, mas há quem sinta o apela da dispensa vitalícia.

        Vamos a entender-nos: os sindicatos não podem ser identificados com uma dezena de jarras que estão sempre na mesa da sala.
        O sindicalismo é mais importante do que a sensibilidade do João e do Mário.

  7. Pois estava muita gente, muito polícia também (muito simpáticos, à excepção de um que não me respondeu. quando lhe mandei 1 boca gira…), pois muito turista a acenar, e mais os dirigentes sindicais da plataforma, com o MN em grande forma, e mais o André Pestana do STOP e o Jerónimo e a Joana Mortágua e a Heloísa e tantos e tantos outros e outras.

    E lá ia eu com uma bandeira do SPGL a tentar que não fosse espetar-se no olho de algum colega, sendo que uma bandeira mais à frente me tapava a visão, embora fosse útil em alturas em que o sol magnífico batia forte no rosto.

    Solta-se a voz e, como é costume, aproveita-se o barulho e as palavras de ordem para as modificar ligeiramente e deixar sair algo de mais vernáculo.

    O cônjuge lá ia dizendo que isso não se diz, com aquele ar sério, e tirando muitas fotos, grande parte delas “tremidas”, especialmente no fim, na altura em que a sede pedia umas bejecas.

    E pronto. Muito mais havia a dizer mas o cansaço é grande e ainda tenho de ir com os cães à rua. Coitadinhos.
    bj

  8. F, a sério que estava lá essa gente vip? Não me apercebi. Ficámos cá para trás, ouvi (mal) o Mário Nogueira e pouco mais. Mas éramos mais de 20 mil.

    Concordo com a Ana A., os sindicatos devem “tomar o pulso” aos docentes para definirem realisticamente até onde podem ir. Como escrevi ontem, uma greve por tempo indeterminado seria o ideal, paralelamente à ação nos tribunais e à ILC, mas reconheço as dificuldades, tal deixei expresso.

    1. A. Sérgio,

      Os vips estavam nos passeios, não na manifestação propriamente dita, como deve ser.

      Concordo com 1 greve por tempo indeterminado que já devia ter começado a 17 de Setembro. A pensar nessa possibilidade, até disse que o sub de férias, gerido de acordo, podia ajudar.

  9. ” […] e a intenção é usar a expressão “professor do ensino secundário” como classificação pejorativa, estão bem enganados. Fui de facto professor do ensino secundário com muita honra e fiz a diáspora habitual dos professores, dei aulas em Vila Nova de Gaia, Coimbra, Espinho, Boticas e no Porto e aprendi muito mais nesse deambular do que na universidade. Por uma razão muito simples: é que já era então muito mais difícil ser professor do ensino secundário do que universitário. E a realidade é que, quer num quer noutro grau de ensino, as coisas pioraram muito desde esses anos.

    Por isso escrevo hoje sobre os professores do ensino secundário, e por extensão sobre todos os professores. Não é pela sua luta sindical, nem por causa das manifestações, nem por nada dessas coisas, embora também seja. É pelo vilipêndio demasiado comum da condição de professor, de ser professor, como se fosse um lugar de comodismo, salários altos, trabalho confortável e nada desgastante. Não estou a falar das escolas e colégios privados que podem escolher quais são os seus estudantes, à força de dinheiro e da facilidade de afastarem quem não querem, estou a falar da escola pública, um pouco por todo o país, mas com maior relevo nos locais mais pobres, onde as famílias estão desestruturadas, onde a violência é endémica, onde há gangues e bullying como regra, onde tudo é precoce e nada é maduro.” Pacheco Pereira in Público

    1. Não querias mais nada… lá se ia a alma dos negócios.

      A manifestação foi, para quem ficou de fora, muito abaixo de imponente.
      Não vi quaisquer análises na televisão.

      Não me parece que algumas propostas de “luta” no actual contexto tenham mais efeito do que um roubo de armas num qualquer quartel.

      Aliás, o PS pensa que os professores só podem votar, na sua larga maioria, nos partidos da geringonça, ou seja, não “fogem” do redil, por causa do trauma com a Direita. Dirão que “reverteram” as medias do anterior governo, enquanto, na maior parte dos casos, apenas travaram a sua progressão,

      O PCP e o Bloco vão tentar capitalizar, na mesma lógica, os votos da insatisfação com o PS, garantindo que é da próxima vez que conseguem alterar tudo, com mais votos.

      Entretanto, passarão quase 10 anos da saída do Passos Coelho (a “bonificação”, a tipos como eu chegará com sorte em 2023, oito anos depois) e tudo isto é uma palhaçada.

      1. Certíssimo!

        É claro que PS, PCP e BE tentarão, cada um ao seu estilo, capitalizar os votos dos professores (o PSD e o CDS devem andar a estudar a forma de o fazer…). Mas nós não somos mercadoria!

        Só seremos capitalizados pelos partidos da geringonça se quisermos! Por eles e por outros, obviamente! Sabemos também as ligações dos partidos a ‘organismos’ fora da assembleia…

        O boletim de voto está recheado de quadrículas, certo? Assim sendo, a matemática do governo não tem necessariamente de dar certo. Somos muitos, embora há quem pareça fingir e/ou ignorar isso.

        Aquilo que o PS acha que está garantido pode muito bem ser invertido.

      2. “Dirão que “reverteram” as medias do anterior governo, enquanto, na maior parte dos casos, apenas travaram a sua progressão”

        Nesta altura, travar já não é mau.

        Ter-se continuado é que era aborrecido.

        Agora, temos o insanável problema: como querer 1 défice 0, reverter o que foi feito e criar um país mais justo e higiénico? Mário Centeno diz que não dá! Tal como dizia Vitor Gaspar, não há dinheiro.

        A mesma onda – quando as finanças se sobrepõem totalmente e comandam opções políticas.

  10. Colegas, independentemente de concordarem ou não com as novas formas de protesto (eu aplaudo de pé a via judicial), penso que devemos fazer as nossas contas e, se for possível, obter mais algum rendimento mensal.

    Eu posso estar enganada (sei que não é desculpa, mas sou de Letras), mas tendo sido obrigada a debruçar-me sobre questões de IRS e outras contabilidades, deparei-me com esta situação:

    – estou no 4º escalão = 1982,4 euros ilíquidos a que corresponde uma retenção mensal de 22,9% (valor a que são sujeitos os rendimentos até 2083 euros);

    – o escalão imediatamente anterior (rendimentos ilíquidos mensais até 1971 euros) paga 21,9% de imposto;

    – na altura eu pensei “Fogo, por 12,4 euros que pago mais 1% de imposto”.

    – Agora, quando ouvi mencionar a greve a actividades lectivas que se encontrem marcadas na componente não lectiva, lembrei-me que na greve às avaliações eu descontava cerca de 13 euros ilíquidos.

    -Questão pertinente “Se eu fizer greve a 1 hora de CNL por mês vou receber mais ou menos?”

    – Fiz as contas seguintes: 1982,4 x 22,9% = 453 euros de IRS

    -1982,4 – 13,07 = 1969,33 (salário ilíquido com 1 hora de greve)

    1969,33 x 21,9% = 431,8 euros de IRS

    Logo, descontando 13 euros de uma hora de greve, desconto menos 21,2 euros em IRS.

    Conclusão: assim recebo mais 8,13 de salário por cada mês em que faça uma hora de greve.

    Gostaria que alguém da área das contabilidades me dissesse se fiz bem as contas.

    Caso contrário, podemos tirar outra conclusão: sou MESMO de Letras :))

    1. Greves a actividades lectivas são, neste momento, um maná dos Céus para o Governo, em termos financeiros e de opinião pública.
      Porque tudo isto foi conduzido de forma atrasada e canhestra.

      É impossível fazer agora alguma coisa para impedir a imposição unilateral do governo?

      Há, mas pode demorar o seu tempo nas vias judiciais.

      No Parlamento termos quase sempre uma “geografia” que permitirá que o PS vença os partidos à esquerda, com a abstenção do centro/direita que dirá que é um assunto interno da geringonça.

  11. Por isso mm, seria muito importante uma maior votação à esquerda do PS e que este não tivesse a maioria absoluta, Jazuzzzz!!!!!

    Mas é difícil essa votação à esquerda do PS. Por muitos motivos, muitos dos quais são lidos por aqui no blog.

  12. É por isso que eu vou votar EM QUALQUER COISA MENOS PSD,PS,BE,CDS,PCP! Nem que seja no PAN! Perceberam colegas? É o que chama o voto útil!

  13. Mais que vinte mil, eram certamente. Também não foi uma manifestação grandiosa como outrora. Mas deveria tê-lo sido… e, não o tendo sido, também não tenho dúvidas, da forte revolta, insatisfação e sentimento de injustiça dos muitos outros que não estiveram presentes.

    Se não consigo conceber um mundo sem sindicatos… mal de nós, mal de todos aqueles que trabalham por conta de outrem; não posso deixar de criticar a sua actuação e acima de tudo a sua programação político-partidária em que infelizmente utilizam os professores… chegamos aqui, exactamente, pelas encenações/jogadas/interesses/dominações…
    Ontem, e mais uma vez, lá fui eu juntar-me ao S.TO.P. e o inenarrável aconteceu (mais uma vez): não pudemos entrar quando quisemos, fosse no princípio, no meio ou no fim… não! Segundo a polícia e por indicação da organização seriamos os últimos dos últimos… e assim foi, éramos os últimos antes do “carro-vassoura”. Chocam-me e revoltam-me estas indignas atitudes (vi-as de forma similar – tentativa de anulação) no vergonhoso dia 11 de Julho…
    Volto à manifestação e ali na “caudinha” … com o carro-vassoura a “guardar-nos” seguiam os “proscritos” – foi onde me senti bem, avenida abaixo e sem desânimo, não se ouviam as sonoras músicas de sempre nem se viam bandeiras esvoaçantes – ouviam-se as vozes e os gritos de muita gente revoltada e a energia fantástica do líder do STOP apenas comprometido com os professores que ali estavam. Enfim chegados ao destino já os discursos se ouviam…
    Mais não tenho a dizer a não ser a convicção profunda da rejeição a que são votados os que chegam e o medo que provocam, os que não acordam em bastidores, os que têm ideias, os que pensam diferente… e, são estes, que ainda não esperam benesses e contrapartidas, que de coração aberto e plenos de convicções vão em defesa dos professores… Estes merecem crescer e somos nós, professores, que poderemos fazer com que cresçam.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.