É Como Enfiar O Parque Eduardo VII Num WC Portátil

À hora de almoço ouvi uns minutos de uma conversa bastante civilizada na TSF sobre manuais escolares e esta coisa de eles terem menos remorsos do homem branco do que a ocde acha desejável. Atenção que falamos de manuais do 3º ciclo, nível de escolaridade em que a História tem um peso residual no currículo e o actual SE Costa acha que só serve para empilhar conhecimentos destinados ao lixo e que tudo se deve despachar em semestres. Uma disciplina que tem 2 tempos semanais em alguns anos para “despachar” da Pré-História ao fim da Idade Média ou para dar todo o período da Expansão, Renascimento, Reforma e Contra-Reforma, Antigo Regime, Barroco, Revolução Industrial e Revoluções Liberais.

Alguém referia nessa conversa – não consegui reconhecer as vozes, mas era de alguém que se dizia autor de manuais – que deveria existir uma análise externa ou mesmo uma espécie de certificação dos manuais por parte de sociólogos e outros especialistas. Abismei-me. Pois parece que escrever 10 páginas (5 com documentos e imagens) sobre a Expansão Portuguesa requer um Concílio Interdisciplinar de Sábios.

Melhor mesmo – ou mais ridículo – foi ver no outro dia, na RTP3, um antigo professor meu da Faculdade (facção extremamente progressista) a criticar certas opções de um programa e manuais, sendo que ele aceitou receber a sua comissão como consultor científico de alguns ao longo dos anos.

A vergonha é uma espécie de não sei quê em vias de extinção.

orelhasburro01

11 thoughts on “É Como Enfiar O Parque Eduardo VII Num WC Portátil

  1. Importamos esta controvérsia norteamericana via União Europeia.
    Bruxelas transformou-se num mastodonte que tem como única forma de provar que está viva a promoção de disparates e a criação de turbulência em águas paradas. Uma desgraça.
    O pior é que, a avaliar pelo ‘progressismo’ vigente, ainda será necessário expurgar dos curricula a História.
    Isto, parece que está tudo parvo…

  2. O senhor do fórum não é autor de manuais (ainda!!) mas sim Alto Comissário [isto soa a leste….] para as Migrações. Mais um que tem que justificar o cargo que ocupa. Sim, ouvi o debate e aquilo parece que é quase a pedido. Criamos uma polémica para justificar uma série de organizações/comissões/grupos de estudo que já existem e outros que virão! Ah, e também umas bolsas FCT para investigar o assunto. Essas devem ir parar ao CES.

  3. Os sociólogos vão sancionar o que é ou não História.
    Qualquer dia um qualquer Montague entra-me pela casa dentro para queimar a minha versão de ‘As Aventuras de Hucklberry Finn» ou a ‘Lolita’ ou… tudo o que estivera fora do politicamente correto.

  4. A propósito do que escrevi acima, apercebi-me que o pessoal não está a par do percurso da polémica sobre o ensino da História que anda por aí.
    A coisa iniciou-se há uns anos nos States quando os americanos se começaram a aperceber que não era ensinada História aos miúdos até aos 13, 14 anos. Esta situação era motivada pelo facto de muitos professores nos graus de ensino iniciais não terem suficente formação em História para a poder ensinar. Por outro lado, esta era uma matéria que não era testada e portanto, não ‘merecia’ que se lhe investisse trabalho e esforço. Só o Inglês e a Matemática eram examinadas (conhecem esta realidade?).
    Vai daí que muitos jovens não têm qualquer conhecimento da história do seu país, por outro lado, era difícil aos professores, neste ambiente, falar da ideologia (a supremacia branca) que sustentava a escravatura sem que se criasse algum mau estar nas aulas.
    Resultado: algumas escolas deixaram de ensinar História no ensino secundário.
    O relatório que surgiu há uns tempos refere-se a esta situação:
    https://www.splcenter.org/sites/default/files/tt_hard_history_american_slavery.pdf
    E é aqui que, via Europa, chafurdamos.
    Ora, se se explica a um estudante português a origem divina do poder real, se se interpreta o Tratado de Tordesilhas à luz de uma determinada realidade… também se lhe pode falar de supremacia branca sem que eles a aceitem de truz. Sou professor e nunca tive problemas com isso…
    Vai daí que aquilo que urge é ensinar mais História aos miúdos e dar menos atenção aos papagaios do costume.
    Lembram-se do inquérito que o Tiago fez aos miúdos do secundário no início do seu mandato? Lembram-se das respostas dos garotos?
    Cumpra-se com o que lhes foi prometido.

  5. Com muita flexibilidade e inclusão tudo se consegue!

    (afinal conseguiram meter a nação portuguesa nas bolsinhas de estudo e experimentação do FMI e da OCDE… sim, que nós não somos nem os alemães, islandeses, suecos, australianos,…, que os mandar dar uma volta ao” bilhar grande”; nós somos, eles bem o dizem, um pequeno protectorado)

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