E Se Vierem Aí Os Hiper-Agrupamentos Municipais? – 2

Cascais, claro. Um Carreiras sem travões vai acabar por hiperbolizar agrupamentos. Consta que foi camarária a ideia da fusão de dois agrupamentos numa “unidade de gestão” que, pelos últimos elementos disponíveis, irá para perto dos 3500 alunos. Onde? Ali para a Mãe d’Água.

Ibn

A Tempestade Cerebral Perfeita

Quem se der ao trabalho de analisar os temas previstos para a nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, em especial os obrigatórios para todos os níveis de escolaridade, conjugar isso com a forma como pode ser atribuída a sua leccionação a qualquer grupo disciplinar (nem sempre respeitando aquela do “perfil adequado” que ninguém sabe bem o que pode ser e serve para cobrir todas as possibilidades) e a idiotice natural de algumas pessoas, eventualmente com boas intenções, dificilmente se pode admirar com inquéritos sobre os “afectos”, namoros e inclinações de género da petizada.

Tão grave como a parvoíce (não me ocorre outro termo “técnico” para a coisa) ou mesmo mais é não existirem garantias deste tipo de informações terem o tratamento adequado em termos de privacidade. Infelizmente, há mesmo gente parva que gosta de comentar tudo e mais alguma coisa sem a devida noção da privacidade alheia.

Eu lecciono Cidadania e Desenvolvimento (7º ano) e estou mais preocupado em explicar-lhes como evoluíram as relações sociais e políticas, como surgiu a prática da escravatura e porque durou tanto tempo, porque a “cidadania” e a “democracia” foram conceitos limitados na origem, porque gregos e romanos tiveram longos períodos em que optaram por práticas electivas para escolha dos governantes, com limitação do exercício dos cargos, etc, etc, do que em saber quem namora com quem. Mas isso sou eu que gosto que os alunos aprendam criticamente a História que os especialistas do ME se esforçam por amputar.

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A Meio da Semana Começam a Faltar-me As Palavras Para Isto

Não é por ser pessimista ou “guinote do restelo” (expressão saída da cabecinha do pai Albino no mural do fbook do SE Costa por altura do prós&contras) que estas coisas me deixam assim como que desvinculado do ponto de vista conceptual e cognitivo.

Eu sei que a colega que me enviou isto (Portuguese-manual Resiliência) o fez com a melhor as intenções e eu quero desde já dizer que acho muito importante promover a “resiliência” em toda a gente que não pertença à “elite” político.empresarial nacional e respectivas cortes.

O que me desvincula é perceber que isto é daqueles projectos “europeus” (a publicação tem perto de 3 anos) que a UE apoia com generosidade, bastando ver a quantidade de autores e colaboradores (são as 3 páginas entre a 4 e a 6 do documento) espalhados por uma série de países periféricos da Europa.

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Recomendo vivamente a leitura dos testemunhos de alguns dos participantes (pp. 18-19) que me fazem pensar que realmente há pessoas a dar aulas que parecem andar com os olhos fechados a maior parte do tempo e a necessitar de vez uma qualquer “Luz” que lhes ensine o básico da função que exercem.

Mas para dar cabo mesmo de tudo, apesar da má qualidade gráfica, é indispensável dar atenção ao mapa conceptual do projecto ali na página 21. Entre o “Ser” e o “Tornar-se” há o “Fazer”.

Resil1

Senti-me esmagado. Mas sou resiliente. Hei-de conseguir ler o resto, apesar dos quase incontroláveis acessos de riso ao ler passagem atrás de passagem do mais puro linguajar eduquês arraçado de outras “capacitações” transcendentais, meditativas, holísticas e very mindfulness.

Temos Pena?

Aos 32” do vídeo temos o actual PM em toda a sua grandiosidade retórica a comentar com aquele ar em que não se percebe a proporção de gozo, alarvidade e sentido de impunidade as negociações com os professores. Já tem uns dias mas deve ficar bem registado para memória futura.