E Ainda Há Quem Tenha Cara de Gozar Com Quem Andou A Recolher Mais de 20.000 Assinaturas?

Só precisam de 4000 assinaturas, levam quase um ano, e deixam o essencial de fora? Não lhes “passava pela cabeça”? A sério? Não foram mais do que avisados?

Este tipo de resposta só pode significar uma de duas coisas (e nenhuma é boa):

  • Foram enganados a valer.
  • Andaram a enganar-nos a valer.

Não há tempo de serviço na petição da Fenprof que vai ser debatida hoje no Parlamento

Dirigente da Federação Nacional de Professores diz que quando a petição foi lançada, há um ano, não lhes “passava pela cabeça que o tempo de serviço não ia ser contado”.

Pizza

(já se percebe porque a ILC lhes faz tanta comichão e causa azia…)

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Estratégias – 3

Em matéria de Educação, o actual PSD parece um animal apanhado a meio da estrada, encadeado pelas luzes de um carro, ficando sem saber para que lado se deve mover: voltar para trás e recuperar o programa liberal do “Estado Mínimo” de Passos Coelho que tão belos serviços prestou à erosão da Escola Pública ou avançar para um programa verdadeiramente social-democrata em que a Educação é do Estado Social Moderno, mesmo que com matizes de terceiras e quartas vias? A actual liderança foi a forma encontrada por uma coligação pouco coesa de “interesses” e cliques locais e regionais acederem a verbas europeias sem o embaraço da acrimónia que parecia inultrapassável entre Passos Coelho e António Costa. Em nenhum momento foi um “projecto” de tipo nacional, com uma visão sobre o país e muitas áreas da governação.

O problema é complicado, porque a Rui Rio não se conhece qualquer pensamento sobre a matéria e quem na sua direcção tem currículo na área (David Justino) tem um lastro difícil de ultrapassar, tanto o do ter sido ministro a meio caminho de qualquer coisa, como o de ter andado pelo CNE a tentar fazer política alternativa, em especial à dos primeiros tempos da geringonça. Pelo que, agora, fica com a credibilidade bastante diminuída quando aparece a fazer intervenções bastante contraditórias com as que defendeu enquanto decisor político ou “técnico”.

Perante isto, qualquer tentativa de oposição ao PS soa a falso, seja porque em algumas matérias as soluções são de continuidade há 10-15 anos e, em boa justiça (carreira docente, gestão escolar, promoção do sucesso a todo o custo, municipalização), o PSD não discorda do que tem sido feito (Nuno Crato continuou o essencial do que tinha sido legislado por Lurdes Rodrigues) e no restante (currículo, avaliação externa) carece de quem tenha preparação técnica e credibilidade política para apresentar políticas alternativas. No Parlamento, na Comissão de Educação e Ciência, os representantes do PSD são em boa parte órfãos políticos e praticamente a ninguém se conhece qualquer intervenção minimamente significativa sobre Educação, se exceptuarmos aparições para microfones e câmaras, em modo reactivo. Raramente de forma pró-activa. Quase sempre a reboque de questões mais ou menos episódicas para as quais nada contribuiu, o PSD é um zero ao centro em matéria de Educação, nem parecendo preocupado em ser a voz das “famílias” (isso ficou na herança pafista do CDS), quanto mais a dos professores, acerca dos quais partilha exactamente os mesmos preconceitos que a maior parte do PS, naquele grande Centrão pastoso, que se refugia em argumentos de racionalidade económica e orçamental, para justificar opções que mais não fazem do que querer “mais com menos”. Sempre. E mais “sucesso”, claro.

laranja-podre

Tinha-me Escapado Esta, Já Com Uns Dias

A peça é longa, tem muitas declarações, bem mais alinhadas do que a minha.

Paulo Guinote, professor há três décadas e autor do blogue “O meu quintal”, não alinha nesta visão positiva sobre as eventuais conquistas da sua classe. “As lutas valeram a pena? Depende muito da posição que cada professor tem na carreira, se está dentro ou fora dela. Para professores que estão na carreira, há 20 ou 30 anos, praticamente nenhuns resultados foram conseguidos nos últimos 10 anos com as variadas formas de luta dos sindicatos. Os únicos ganhos foram o fim da existência dos professores titulares — substituído por um regime de quotas em dois escalões que se calhar é até mais rígido — e houve alguns ganhos para professores contratados ou para aceder à carreira, como o fim da PACC. Para quem está efetivo nos quadros, os últimos anos não trouxeram qualquer melhoria na sua condição laboral, que até se tem degradado.”

O professor do 2.º ciclo do Ensino Básico não fez greve. “Acho que não é com a greve que se vai resolver. O que está em jogo é uma discussão do Orçamento do Estado ao nível das elites políticas. O Mário Centeno, o Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins terão muito mais importância na resolução do problema do que uma adesão à greve de 110% ao estilo coreano”, sublinha Guinote.

Não aderir à paralisação não é sinónimo de concordar com a proposta do governo. Paulo Guinote já disse publicamente, num artigo de opinião do Público, que pretende rejeitar a bonificação de dois anos que o decreto-lei prevê. “Vou fazer os possíveis por recusar a bonificação. Se algo é incorreto, não se resolve com greves. É dizendo não, não aceitar esta ofensa. Não aceito que me digam que estive 9 anos numa carreira que não conta para nada. E não é o ordenado dos professores, que com 50 e tal anos levam 1500 euros líquidos, que leva o país à bancarrota.”

PGAPP

A Sério Que Adoro!

Aquelas pessoas que andam sempre a dizer que detestam certos cargos e funções, mas depois não se calam quando são nomeados, tamanho o orgulho que não conseguem esconder. Até porque quando se lhes diz que podem pedir escusa com base numa série de argumentos, arranjam logo maneira de dizer que “ahhh… não vale a pena, isso é complicado e mais vale ser eu que sempre [incluir auto-elogio a gosto]…”.

Frade