Há Uma Fina Linha…

… nesta matéria que é de um cinzento quase invisível e se presta a demasiados equívocos, no modo como está formulado o pré-aviso. Porque nem todas as reuniões são iguais. Há condições muito diferentes, conforme as “unidades de gestão”. Muitas já têm horas contempladas para reuniões. Outras, não. Naquelas onde as reuniões estão previstas, o que acontece às horas nas semanas em que não se realizam? Revertem as horas para outras semanas?

O limiar é ténue. Era bom que as organizações sindicais que se afirmam “responsáveis” (e tanto criticaram o S.TO.P. porque, alegadamente, não o seria) tenham alguma segurança naquilo que incitam a fazer. A mim não interessa o “entendimento” que a Fenprof tem destas matérias, porque de “entendimentos” da Fenprof estou farto. Arranjem fundamentação jurídica clara, mas, por favor, que não seja um parecer daquele senhor que (não) nomearam para a definição dos serviços mínimos.

Professores vão ter faltas injustificadas se fizerem greve a partir da próxima semana

Paralisação abrange actividades não-lectivas e decorre entre 15 de Outubro e 31 de Dezembro. Ministério diz que se trata de uma greve self-service que viola o que se encontra estipulado na lei. Fenprof já anunciou que vai processar o ministro da Educação.

Se a atitude do ME é prepotente, intimidatória e esvazia quase o conteúdo de uma greve que não seja às aulas? Sim, é verdade. Mas não fui eu quem andou com o ME (pessoa e equipa) ao colo e  a elogiar-lhes tanta coisa, quanta dela de valor duvidoso.

Quanto a recorrer aos tribunais, depois da injustificação das faltas, poderia dizer o que muitas vezes alguns operacionais disseram da “via jurídica” nos tempos da add e do modelo único de gestão escolar.

Resumindo: quem não se queima nunca que tenha a decência de não mandar os outros para o fogo cruzado.

Quanto a processarem o ministro… ousem processar todos aqueles que na estrutura do ME assinaram ou venham a assinar documentos que atropelam a lei. Ainda aguardo que o façam (se não o fizeram, como cheguei a ler a ameaça) em relação à dgae/dgeste, por exemplo.

Chorar

 

41 thoughts on “Há Uma Fina Linha…

      1. Manuel, hibernada não. Com tanta novidade ‘nova’ tenho andado em estado mumificado. 😉

        Vou tomar isso como um elogio. 😊

  1. Parabéns, Paulo!
    Hoje também tem aqui um belo conjunto de posts. Toca em questões que me interessam ou que ‘mexem’ comigo.

    Ainda bem que estou cansada. 😊 Caso contrário, seriam vários os comentários que faria, o que seria fastidioso para quem aqui vem.

    Bom resto de sexta-feira!

  2. É nas curvas apertadas que se revelam os sabujos e traidores. Não precisavas de tanto palavreado para dizeres ao que vens, nem ao que andas.

    1. Francisquinho, tu és de quais? Dos que têm a redução, não pões os pés na escola, e nada arriscam ou dos que depois aparecem a meter o 102?
      Porque de “sabujos e traidores” eu tenho um bom conhecimento.

      A verdade é que não usaste qualquer argumento para defender a posição sindical.
      Porque não existe?
      No site há umas FAQ em que se escreve qualquer coisa como “no entendimento da Fenprof”.

      Não me chega.

      Já agora… para “trair” há que fazer parte. Eu não faço parte da Fenprof ou de qualquer das organizações da Plataforma.

      Mas pode ser “traidor” que se afirme professor e negoceie nas costas dos colegas com o poder político.

      És “traidor”, sabujo Francis ou apenas um dos cãezinhos de fila dos “traidores”?

  3. Sinto um imenso cansaço. Olho em volta, e o cansaço está espelhado em todos os rostos.
    Penso que é necessário atravessar os dias intocado por tudo o que invade as escolas. Agir com inteligência. O Poder é acéfalo e tenta fazer de nós as suas marionetas.
    Mas a sala de aula é ainda o lugar da transgressão. É lá que contrariamos toda a estupidez de quem legisla, contrariando aquilo que a escola tem que ser.
    É assim que se sobrevive, ainda com alguma alegria: numa sala de aula, nessa nossa intimidade com os nossos alunos que merecem que continuemos contra a corrente.
    Por eles. Por nós.

      1. São as escolhas. Aquilo que cada um quer para si. Ainda há pouco li que uma ” celebridade” assumiu que “mentiu e que fez tudo o que foi preciso para ter “sucesso””. (Estas aspas são minhas). Uns assumem, outros não.
        Quem não alinha em jogos sujos paga sempre um preço.
        Confesso que não invejo esses que “singram”. A chico-espertice até pode trazer dividendos de uma espécie ou outra. São os Faustos de sempre.
        Quem não quer ser Fausto não lhe pode vestir a pele.
        Dói? Pois dói.

    1. Por muito que lhe custe, a Maria adotando esse comportamento rebelde, em relação à tutela e aos seus colegas do rebanho, infringindo descaradamente o Regulamento Interno, pode ser alvo de um processo disciplinar de consequências graves, porque as suas simples e lúcidas palavras encerram a auto-confissão de um crime de lesa-melhoria das aprendizagens, demonstrando um grande menosprezo pela narrativa oficial das Aprendizagens Essenciais, persistindo em desobediência civil ao continuar a ensinar os seus alunos, dentro da sala de aula!

  4. O Paulo resumiu brilhantemente esta questão!
    Esta greve foi mal pensada, mal preparada e as consequências da mesma não foram previstas em toda a sua extensão. O “entendimento” das plataformas sindicais vale o que vale e não serve como base jurídica para nada de substancial. Quanto ao Ministério, a sua atitude é inqualificável, mas, pelo menos, não é o Ministério que (supostamente) tem o dever de “representar” os professores.
    Na minha opinião, os professores são vistos pelas organizações sindicais como “carne para canhão”, pronta para ser enviada para a frente da batalha, para “dar o corpo às balas” (mas só quando é “oportuno”), enquanto os “estrategas” ficam bem resguardados, na retaguarda, a preparar “estratégias de ataque”!
    Já o disse em posts anteriores, e volto a reafirmá-lo, não considero os “profissionais da luta” representantes dos professores, até porque aqueles não sabem o que é trabalhar com alunos em sala de aula há muitos anos.

    1. “não considero os “profissionais da luta” representantes dos professores, até porque aqueles não sabem o que é trabalhar com alunos em sala de aula há muitos anos.”

      E o que é que uma coisa tem a ver com a outra?

      O que é que esta greve e os seus contornos jurídicos tem a ver com estar com os alunos em sala de aula ou não estar há muitos anos?

  5. Concordo com tudo o que disseram. Mas tenho pena se ficarmos por aqui.
    A greve às reuniões não representam dano para ninguém e ainda que se façam, as direções vão obrigar a novas convocatórias….
    Há muito que acho que uma atitude concertada por parte dos diretores seria uma novidade e um alento. Não percebo o comodismo.

    1. Maria, o “comodismo” dos diretores poderá estar relacionado com o facto de terem recebido enormes aumentos salariais, enquanto os “zecos” continuavam congelados. A maioria dos diretores não está preocupada com os “zecos” e nem sequer se consideram professores (quantos não terão assumido essas funções precisamente para não terem que “aturar alunos”). Salvo raríssimas exceções, consideram-se de “outra estirpe”, superior à condição de simples “zecos” e estão mais preocupados em “cumprir diligentemente” as ordens do Ministério, nem que para isso tenham de infernizar a vida de quem se encontra “mais abaixo”.

  6. Estas questões de lana-caprina à volta da greve às atividades não letivas, que inclui no mesmo rol professores de Matemática, de Filosofia e de Física, do 12.º Ano, e professores primários e educadores de infância, serve apenas para atirar areia para os olhos dos professores do ensino secundário que, ao longo dos últimos quarenta anos, têm sofrido na pele a degradação infame do seu estatuto socioprofissional levada a cabo por governos sucessivos em conluio com sindicatos dirigidos por comunistas!
    Se os educadores de infância e professores primários são tão humanos e iguais a professores do liceu, realizam as mesmas atividades letivas e não letivas, conseguiram que os os horários de trabalho dos professores do liceu se transformassem em aberrações para que fossem iguais aos seus, então porque não estender, por decreto, a carreira única docente aos professores universitários, exigindo simplesmente que toda esta gente do ensino possua, a partir de uma data xis o grau de Doutor, que, evidentemente, poderá ser obtido por equivalência, frequentando, com aproveitamento, cursos ad-hoc do Ministério da Educação.
    A talho de foice, mas sem martelo, convém recordar que muitos professores primários, elevados administrativamente a doutores pelos comunistas do 25 de Abril, que cometeram sevícias hediondas sobre crianças de 6 e 7 anos, continuam impunes, até hoje!
    Se fossem padres católicos, estavam agora a gozar as suas reformas de luxo antecipadas em masmorras, escuras, frias, húmidas e fétidas!

  7. Últimas notícias:

    “Face à situação criada, as organizações sindicais de docentes decidem:

    – Participar criminalmente contra o responsável do Ministério da Educação que emitiu esta nota, convidando que esse a assuma, assinando-a. Se tal não acontecer, e sendo tal nota é proveniente do gabinete do ministro da Educação, a participação será feita contra Tiago Brandão Rodrigues;

    – Suspender a greve que se deveria iniciar na próxima segunda-feira, não por haver qualquer ilegalidade no pré-aviso, mas porque ao não ser assumida a autoria desta NOTA, as ações a apresentar em tribunal contra eventuais atos ilegais, teriam de ser interpostas contra os diretores das escolas e agrupamentos, sobre quem, cobardemente, o Ministério da Educação coloca a responsabilidade de agir neste quadro de ilegalidade;”

    https://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=11731

  8. Não percebo onde está a ilegalidade (a menos q se refiram a incumprimento de prazos). O ponto 1 do artigo 83 do ECD refere, como toda a clareza o que são horas extraordinárias. E se as reuniões para as quais viermos a ser convocados não estiverem comtempladas e registadas no horário do docente, são consideradas extraordinárias. Procurem esse artigo…

  9. Não percebo onde está a ilegalidade (a menos q se refiram a incumprimento de prazos). O ponto 1 do artigo 83 do ECD refere, como toda a clareza, o que são horas extraordinárias. E se as reuniões para as quais viermos a ser convocados não estiverem comtempladas e registadas no horário do docente, são consideradas extraordinárias. Procurem esse artigo…

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