Quanto A Reuniões…

… eu gostava mesmo era de fazer greve a quem parece ter um especial prazer em conduzi-las de forma atroz, prolongando-as para além do razoável e de qualquer horário admissível. Há uns bons anos (ainda era qzp fresquinho), saí pela porta fora depois de se ter esgotado o tempo previsto oficialmente para a realização de uma “intercalar”; o dt ficou a olhar para a porta, porque comigo saíram mais duas colegas e ele ficou sem quórum. E convidei-o a marcar-me falta.

Então e reuniões em regime pós-laboral conduzidas por pessoas sem uma vida pessoal e apenas imbuídas de uma extrema dedicação à causa da discussão estéril, pela enésima vez, das mesmas coisas e  preocupadíssimas como os procedimentos, analisados até ao detalhe próprio de quem desconhece verdadeiramente os normativos? Quanto a maior parte das coisas se poderia resolver de vorma virtual, usando os meios digitais? E não é raro que ainda se armem em melhores profissionais do que os outros.

E, entretanto, apaguei dois parágrafos demasiado acutilantes em relação a quem acha que “justo” é espalhar pelo máximo de pessoas, o máximo de tempo possível, o sofrimento. Porque ando assim um bocado, como direi…, farto de certas presunções e incompetências cobertas com um manto de “rigor e responsabilidade”.

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23 thoughts on “Quanto A Reuniões…

  1. 100% de acordo. Como não há nada de importante ou interessante a dizer, cada qual bota discurso a falar do sexo dos anjos. Numa reunião, há tempos, começaram a falar dos namorados e namoradas dos pintainhos… Disse-lhes: “Alto e pára o baile! Vou-me embora!”. Fico tudo escandalizado.

    Mas, até se percebe como chegamos a este ponto. A tutela fez questão de nos estupidificar, de nos embrutecer. Primeiro, tirou-nos o tempo que tínhamos para nos cultivarmos, ler, ir ao teatro etc. Retirou reduções, aumentou o número de alunos e turmas aumentou a carga horária na escola em tarefas estúpidas. Sim, estúpidas e estupidificantes. Obrigou-nos a estar 35/40 horas nas escolas a fazer trabalho repetitivo e estéril e carregou-nos o jugo com alunos e turmas de modo a não termos tempo para pensar e reflectir. Passamos a seres amorfos, cansados, velhos, esgotados, doentes.

    Não tenham ilusões. Isto foi tudo muito bem pensado e ardilosamente estudado. Era preciso quebrar a espinha a uma massa que tinha espírito crítico. O resultado está à vista.

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  2. O maior problema não está em quem as conduz, na maior parte das vezes, está nas convocatórias a esmo que até já deixaram de respeitar os tempos legais!
    …e não são os professores. Esses são vítimas e só se forem queixar-se ao “totta”. IGEC… é para rir. Faz que não vê.

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    1. As coisas não precisam ser assim. Se cada dt fizer o seu papel, por exemplo, não faz outros sofrerem várias vezes o mesmo processo.

      Há outras reuniões em que as coisas podem ser diferentes, mas para que servem os meios digitais?
      As reuniões podem servir só para acertar detalhes.

      Não pode ser sempre assim?
      Claro que não.

      Mas pode ser melhor do que é. Exactamente para se sobreviver…

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      1. CTs, pafc, R de ano, R de nível, R ciclo, CPs, multidisciplinares, R departamento, R grupo, DACs, DTs, plano atividades, R com EEs…
        Assim de momento lembrei-me destas. Faltam algumas…várias com certeza. Não são convocadas (e inventadas) por professores…

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  3. Parece existir em tudo isto uma pulsão sado-masoquista : uns gostam de fazer sofrer ; outros ( ao que parece) gostam de sofrer. ” Fenómeno” não só presente na duração ( e número) das reuniões como também na produção infernal de papelada (s) – questionários, inquéritos (como “aquele”), actas, grelhas e mais grelhas, relatórios e mais relatórios.Já fora do sistema, convenço-me que a culpa será dos próprios docentes que não se dignam pôr travão a este estado de coisas. O Ministério não impõe esta avalanche e, como tal, retomo a primeira frase deste modesto comentário.

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    1. Se nos obrigam a realizar as reuniões e a preencher resmas de papéis (sim, papéis sem qualquer utilidade e que nunca serão lidos mas que têm de ser preenchidos) a culpa é nossa? Somos masoquistas? Parece-me que apenas tentamos “sobreviver”.
      Andam por aqui muitas toupeiras…

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  4. Há gente que não tem vida própria. Não têm família ou, tendo-a, até têm medo de chegar a casa e dar de caras com a aventesma com que vivem…e vai daí adoram passar horas a fio nas escolas, mais que o necessário, a tentar preencher o vazio que a sua vida é. Queixam-se do trabalho porque acham que é da praxe queixar-se, mas, no fundo, adoram aquilo porque é tudo o que têm.
    Há de tudo, nas escolas: desde excelentes pessoas e profissionais até umas aberrações que ninguém entende como foram lá parar (mas que, curiosamente, são dos que têm ordenados mais altos).

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    1. José Chorão,

      … ” têm medo de chegar a casa e dar de caras com a aventesma com que vivem…e vai daí adoram passar horas a fio nas escolas, mais que o necessário, a tentar preencher o vazio que a sua vida é. “…

      Ehehehhhh !
      Grande verdade ! A triste realidade !
      Já me ri !!!!
      Subscrevo na íntegra ( todo o comentário ) !

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      1. Magalhães: claro que estava a brincar, porque todas as generalizações são injustas; mas que há alguns Directores de Turma (e não só) que parecem ter medo de ir para casa, lá isso há. Temos de brincar com isto tudo, não ganhamos nada em chorar (para isso já basto eu….).
        Cumprimentos

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  5. Gostava de saber onde nos podemos basear para afirmar que há umas “aberrações” que “curiosamente” têm ordenados mais altos.

    Tantas certezas e preconceitos.

    Já para não me referir ao resto, aquilo das família e etc…….

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    1. Fernanda: eu já lhe pedi 3 vezes (TRÊS) que se abstenha de comentar os meus comentários. Já lhe disse que as suas opiniões, para mim, valem zero. Será muito difícil corresponder ao que, educadamente, lhe pedi? É que posso fazê-lo de outro modo, deseducadamente (e só o não quero fazer por respeito ao Paulo Guinote, “dono da casa”).
      Escusa de me responder que não vou entrar em troca de comentários consigo. É que a sua opinião vale zero, repito (uma vez que não parece entender as coisas à 1ª).

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      1. “Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”
        Khalil Gibran
        😉

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      2. Infelizmente, não vale a pena pedir, educadamente ou de outra forma. Há que se ache no “direito” de exigir liberdade em casa alheia, mas nunca ofereça a sua para retribuição.

        Acho que, analisando o trajecto por outras paragens, é isto que preenche algum sentido a certas existências.

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      3. Paulo: é a falta de sentido democrático (de que acusam os outros mas são eles que praticam).
        Só me aborrece é que, em vez de comentar o texto em causa (as reuniões, neste caso), comentam os comentários,vigiando-os e tentando censurá-los. Como se, em relação a um tema qualquer, os pobres comentadores não tivessem direito à sua opinião, por mais “fora da caixa” que seja. Esta F parece um polícia com mau feitio. Bolas, que não há paciência.

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      4. José Chorão, em relação à F, por experiência própria, posso afirmar que de nada serve fazer-lhe esse pedido. Faça como eu e ignore-a.

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  6. Concordo com tudo e este post fez-me rir tanto que,até o li pelo telefone para uma colega !!!! Adoro a ironia e apatece.me enviar isto para uma coordenadora que conheço .

    Numa escola de Gaia um CP durou onze horas !!! Sim ,onze horas !!!

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  7. Ponto de ordem à mesa.

    Então é assim: considero um comentário preconceituoso e estereotipado sobre outros colegas em termos de vida pessoal e profissional e escrevo-o.

    Caem-me em cima porque não posso, isso é ser polícia e censor e pedem-me para não comentar os comentários. Porque é feio e mal educado…..

    Depois escreve-se que quem não quer que lhes comentem os comentários são os que pensam “fora da caixa”.

    A seguir, confessa-se que o “fora da caixa” são, afinal, brincadeiras e que todas as generalizações são injustas.

    Finalmente, não posso ter o “direito” de participar em casa alheia e discordar educadamente embora sem salamaleques.

    Afinal, como é que é?

    Posso discordar ?

    E se posso, há comentadores que não querem que discorde do que escrevem?

    Só posso re-comentar em termos de apoiado e muito bem e muitos likes?

    Não posso fazê-lo. Lamento. Continuarei a comentar sobre os posts e os comentários aos posts.

    Só reconheço ao colega Paulo a liberdade de cortar os meus comentários.

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