A Grande Prova Da Necessidade De Investimento Na Educação…

… está na evidente iliteracia funcional de muitos adultos qualificados quando são incapazes de perceber o que está escrito em frases curtas ou pequenos textos, desde que pareçam desagradar-lhes no que qualificam como “tom”. E já agora, justifica-se o investimento na promoção de uma Cidadania em que a Intolerância não seja a imagem de marca dos que advogam a “tolerância”.

O que muitos chamam “fascismo” (sem entenderem do que falam) é uma forma de exercer o poder de modo autoritário, impondo agendas políticas de forma agressiva através do controlo do aparelho de Estado, procurando limitar a expressão pública do que pensam ser divergências por meios intimidatórios, verbais ou físicos, visando a menorização ou aniquilação daqueles que encaram como “inimigos”, esteja isso certo ou seja apenas um fantasma pessoal, reforçado por crenças ideológicas.

Ora… eles andarem por aí…  prontos para amordaçar quem fuja ao guião do politicamente correcto. Quem ache que pode reprimir porque se sentiu reprimido. Quem ameace porque se sentiu ameaçado. Há demasiados órfãos de revoluções culturais. Ou do Antigo Testamento e daquela história das lentes por próteses e próteses por lentes.

Censura

Interessa A Orientação Sexual Ou A Competência?

A filha do Adriano Moreira era capaz de fazer uns interessantes inquéritos para a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

Isabel Moreira saudou no Facebook a escolha de Graça Fonseca para nova ministra da Cultura. “Perceber a relevância enorme de Graça Fonseca ser a primeira ministra lésbica fora do armário em Portugal”, escreveu a deputada do PS, desejando-lhe “um óptimo trabalho, agora na cultura”.

Safo

(o que nos faz pensar sobre qual terá sido a primeira “dentro do armário”…)

Ainda Sobre Os Manuais De História Que Os Autores das Recomendações Não Leram

Perguntas e respostas para uma peça que acabou por não aparecer no Expresso desta semana:

1. Que análise faz das recomendações que constam do relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância?

As recomendações são uma pequena parte do relatório e nem será a mais importante. Parecem-me recomendações que padecem daquela postura politicamente correcta que é usual neste tipo de documentos e de um carácter vago que torna difícil criticá-las sem parecer retrógrado. Dito isto, parecem-me recomendações desajustadas de uma análise aprofundada da multiplicidade de documentos orientadores para a disciplina de História no 3º ciclo do Ensino Básico (programa, metas curriculares, aprendizagens essenciais) e não parece ter em conta o pouquíssimo tempo que existe para leccionar toda a Pré-História e História até ao início do século XXI. Ao concentrar-se nos manuais, esquece que eles são apenas ferramentas ao serviço dos professores que fazem (se não o fazem deveriam fazer) uma abordagem crítica dos conteúdos no seu trabalho com os alunos.

2. Considera o Ministério ser necessário avançar com alguma revisão dos programas de História? Quando foram feitas as últimas revisões programáticas para os três ciclos do Ensino Básico? quem foram os autores dos actuais programas?

Penso que seriam importante uma revisão do programa, em vez de remendos sucessivos, com metas curriculares (mandato de Nuno Crato) e aprendizagens essenciais (mandato actual) que tornam o panorama dos conteúdos uma espécie de manta de retalhos, com uma coerência muito relativa.
O programa propriamente dito (pode encontrar-se aqui) é de 1991 e uma revisão não lhe faria mal, embora não se possa dizer que as propostas metodológicas estejam muito atrasadas em relação a documentos elaborados posteriormente. As metas curriculares (2013) procuraram acrescentar alguns conteúdos, em especial no 9º ano, prolongando-os até ao início do século XX, mas não atenderam ao encurtamento progressivo da carga horária semanal atribuída à disciplina. As mais recentes “aprendizagens essenciais” (homologadas em 2018 e consultáveis a partir daqui) procederam a uma nova arrumação, no sentido da redução, dos conteúdos considerados “essenciais”, acabando por quebrar, em diversas épocas históricas, a sensação de diacronia do tempo histórico, atomizando a abordagem de certos processos e quase destruindo a noção de continuidade entre algumas épocas. É necessário aos professores colmatarem essas falhas na sua prática pedagógica, mas implementação de uma disparatada semestralização da disciplina contribui para o agravamento de uma visão da História como se fosse uma mera colecção de “episódios” e acontecimentos isolados no tempo.
A autoria dos documentos raramente é referida, com excepção da equipa que elaborou as “metas”. As “aprendizagens” de 2018 terão tido o aval da APH.

3. Considera que o ensino de História nas escolas é um instrumento privilegiado para combater o surgimento ou atenuar a existência de sentimentos racistas e xenófobos entre os alunos?

Sim, como muitas outras disciplinas, embora a História pelo seu objecto principal (a evolução da Humanidade) seja realmente uma área do conhecimento (não gosto da expressão “instrumento”) que pode apetrechar os alunos com informações importantes para a compreensão do que no passado causou algumas das maiores tragédias nas sociedades humanas. Embora seja demasiado simplista procurar “lições” na História, é inegável que a sua abordagem rigorosa e crítica é muito importante para a adequada (in)formação dos cidadãos. Não sei se é exactamente por isso que a História (como a Filosofia) tem perdido espaço no currículo, sendo objecto de críticas directas de governantes e de uma amputação de alguns conteúdos nas recomendações metodológicas mais recentes.

4. A forma como os programas estão atualmente estruturados sublinha devidamente o papel das ex-colónias portuguesas e das suas populações? Aborda de forma devida o período dos Descobrimentos?

É bom que se entenda que estamos a falar do 3º ciclo do Ensino Básico e que algumas recomendações dão a sensação de estarem a pensar num grau de profundidade da abordagem a outro nível. Sim, existe sempre a possibilidade de se melhorarem os programas, mas essa alteração deverá ser feita de um modo equilibrado e não optar pelo sublinhar apenas de alguns períodos, acções ou actores (individuais ou colectivos) históricos em detrimento de outros, mesmo sendo sempre necessário um processo de selecção. O período dos Descobrimentos é abordado na disciplina de História com razoável rigor, expondo claramente a crueldade do esclavagismo promovido pelos portugueses entre África e o Brasil. Curiosamente, não se aborda o instituto dos “casados” no Estado da Índia.

Gostaria de exemplificar um caso em que a visão eurocêntrica acontece no sentido de sublinhar a responsabilidade europeia na violência política no século XX: sendo muito justamente sublinhados os casos de violência extrema (ao nível do genocídio) do nazismo e do estalinismo, o mesmo não acontece com os massacres japoneses na China durante a II Guerra Mundial ou do maoísmo durante os anos 50 e 60. Para não falar em outras situações de genocídios, por exemplo, na Ásia (Khmers Vermelhos) ou África (Bokassa).

livros

É Verdade Que Embirro Com A Clara Ferreira Alves, Mas Tenho Razões Para Isso, Porque Ela Não Se Consegue Perceber Exactamente O Que Quer

Andou emplumada anos a fio a defender de forma deslumbrada o “engenheiro” até que, muito mais tarde do que o razoável, se arrependeu, como aquela malta que descobriu as maleitas do maoísmo depois de milhões de mortos ou do estalinismo bem depois da queda do muro.

Tenho imensa dificuldade em levar a sério aquela indignação televisiva das 6ªas à noite, como se CFA não fosse, há décadas, parte integrante do establishment político-mediático que nos foi progressivamente afundando. Comprei o Expresso desde 1983, pelo que tenho muita facilidade em encontrar tudo aquilo que CFA (não) denuncuiou em devido tempo.

Nos últimos tempos, a ausência da prática de um qualquer jornalismo relevante levou a que tenha figura de emplastro permanente na revista do Expresso, numa posição próxima da do MST no primeiro caderno. Parece uma espécie de confraria da caridade do Balsemão (que também se estende a outros antigos “jornalistas” que agora têm avença apenas para “opinar”).

Tenho eu alguma coisa a ver com isso?

Até tenho.

Porque eu ainda tento perceber o que é que ela efectivamente defende. Algo que nem ela parece perceber. Porque esta semana lança-se numa prosa sobre os direitos (que acha exagerados) dos trabalhadores do sector público e sobre a precarização (que acha exagerada) existente na maioria do sector privado. E acha tudo mal, não se percebendo o que acha bem.

Eu sei o que acho bem… nivelar por cima, não cair na armadilha de defender a mediocridade como norma desejável. Mas CFA limita-se a fazer aquela ladaínha habitual da “falta de reformas” nos tempos de “prosperidade”. Ora bem… onde estava CFA nesses tempos, quem apoiou e o que escreveu? Alguém ainda se lembra como andou colada a quase todos os poderes? Desde Mário Soares a Sócrates, incluindo mesmo o Santana Lopes quando presidente da CML (entre 2002 e Janeiro de 2006 foi a directora da Casa Pessoa, de onde saiu quando o dinheiro faltou).

Será que CFA não consegue perceber o seu papel em tudo aquilo que critica, exactamente por ter alinhado, nem que seja por omissão, em muita coisa que deveria ter sido denunciada a tempo?

Acredito que as vacas andem menos gordas pelos lados da Impresa e que isso lhe cause natural desagrado (nisso, tem a minha solidariedade, mesmo se a minha vaquinha tenha sido sempre magrita e longe dos milhares de outras), mas ao menos poderia esclarecer o que defende?

Se estão mal os direitos e a insatisfação dos trabalhadores públicos e os deveres e subserviência dos trabalhadores privados, onde está a justa medida? Nas poltronas do Expresso, de telemóvel em punho, em amena conversa de comadres com as “fontes”?

CFA13Out

(já agora, clarita, há professores que também levam a comida para o local de trabalho…)