Demagogia Orçamental

Ao não actualizar os escalões de IRS, desaparece imediatamente grande parte do anunciado aumento dos salários. O resto vai na manutenção ou aumento de uma série de impostos indirectos.

Orçamento eleitoralista com défice previsto para 0,2% numa economia baseada no aumento do turismo e numa nova bolha imobiliária?

Só “convence” quem quiser alinhar na promoção de uma retórica conveniente ao próprio governo para fazer acreditar que está a ser dada alguma coisa.

 

48 thoughts on “Demagogia Orçamental

  1. E eu que de orçamentos não percebo nada de efectivamente substancial, ao contrário do jornalista Ricardo Costa, sempre direi que há ou continua a haver uma certa reposição de cortes e de aumentos de rendimentos. Pelo menos não agrava, como os do ex-governo cujos orçamentos eram, no fundo, cortes e cortes e subidas de impostos, enfim, eram os programas da troika.

    Há aqui medidas menos más: propinas, corte no corte factor de sustentabilidade nas pensões antecipadas, aumento pensões, manuais gratuitos, abono de família, subsídio social de desemprego, passes sociais, etc.

    Os partidos à esquerda do PS fizeram um bom trabalho e vão continuar a fazer. Se podiam fazer mais e melhor? Claro que podiam, se tivessem mais deputados no parlamento.

    Certo?

    Eu ainda tenho alguma esperança no debate na especialidade.

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  2. Cantiga/ tempo de jovem.

    lá, lá…
    …”Esperança, esperança.
    Que a minha sogra vai ter uma criança” … lá, lá.
    …” Esperança, esperado.
    Que a minha sogra arranje um namorado”… lá, lá.

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    1. Boa, Magalhães! 😉

      Pelo menos o OE trouxe boa disposição aos comentadores do quintal. 😊

      É aproveitar para rir e brincar enquanto não (lhes) inventam um qualquer imposto indireto. 😉

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  3. Queria dizer, reposição do que tinha sido cortado, evidentemente.

    Esqueci-me de outras medidas, tal como a redução do IVA para a cultura, benefícios para famílias e estudantes que migrem para o interior, aumento do salário mínimo (não como pretendia o PCP, por exemplo, mas ainda assim….)

    Mas, o mais importante de tudo é um certo pormenor mas que faz bastante diferença : alguma esperança, sim, e o quebrar da pressão psicológica auto culpabilizante, do medo em geral, do medo de ser retirado um ou 2 subsídios, da saída em força para a emigração, do ter vivido acima das possibilidades e ter ousado fazer férias fora de Portugal ou até dentro, de ter comprado um aparelho de TV melhor, um carro mais novo……

    O MEDO. O medo dos ratings que nos punham abaixo do lixo e do ai que temos de empobrecer, fazer disto terra queimada para deixar florescer 1 país de salários miseráveis ad eternum, o fecho de milhares de pequenas empresas e , ao mesmo tempo, a salvítica missão de cidadania em recuperar as fraudes bancárias e financeiras, afirmando-se sem desassombro que o contribuinte não pagava/paga.

    Pois vão dizer-me, e com razão, que muito disto continua. É verdade. Mas volto ao MEDO, à perda porque sim.

    Queremos melhor, sem dúvida.

    Só há 1 opção séria : sair do euro!

    Não tenho Medo.

    E vocês, têm?

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    1. Isto que escrevi tem uma opção ideológica, claro.
      É uma opção de “esquerda”, como se costuma dizer. Não é neutra. Não é do “são todos farinha do mm saco” e não é de “direita”.

      Muito menos é “genuflectir”. Que em termos de política e de convicções não se encaixa este conceito. Ou não deve encaixar.

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    1. Por falar em Ferreira Leite… há uns 15 anos, estava (a sra) ministra das finanças, copiou o Centeno. Definiu o orçamento para a FP (e nem mais um cêntimo) e chamou os sindicatos dizendo: proponham a distribuição.
      O Centcno faz escola há muitos anos!!!!!!

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    1. Há transtorno! Claro que há transtorno! Um país com diversos níveis de dívida notados em euros, saindo do euro e com a desvalorização inerente da sua nova moeda, entraria num cataclismo económico…
      Muito maior que o mal estar de agora (que,pelo jornais, parece que não existe!).

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  4. Alguém insuspeito que sempre chamou a atenção para este facto. Não sei se é superioridade moral ou /e intelectual. Apenas alguém que pensa e analisa:

    “O economista João Ferreira do Amaral afirma que é preciso dizer aos cidadãos que Portugal não tem condições económicas para estar no euro, nem nunca teve.”

    https://www.rtp.pt/noticias/politica/ferreira-do-amaral-afirma-que-portugal-nao-tem-condicoes-para-estar-no-euro_a598239

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    1. O problema é que quiseram entrar à força no euro, sem pensar nas consequências a médio e longo prazo! Agora, colega F., colocar a hipótese de saída do euro parece-me de um aventureirismo igual ou pior. O resultado seria catastrófico, cá me parece.

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      1. Na altura, os grandes interesses económicos e financeiros sabiam bem o que ia acontecer. No curto prazo enriqueceriam o suficiente para, no médio e longo prazo, se aguentarem como se aguentaram e continuam a aguentar, pagando salários baixos, precarizando o trabalho e despedindo a rodos em nome de produtividades miríficas e investimento social e económico que nos retirariam/retiram da sina dos PIGS.

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  5. Distribuem-se estrategicamente algumas migalhas que, na prática, não melhoram de forma minimamente significativa a vida a ninguém, e depois apresentam-se/anunciam-se as gloriosas medidas traduzidas em números globais, para parecerem milagres da multiplicação do centeio, ups, Centeno.

    Claro, as pessoas ouvem números grandes, ouvem anunciar no OE investimento de milhões, que não cabem sequer nas suas Casio, e vão logo ao MB mais próximo para confirmarem se estão ricas. 🤔

    Sim senhora, assim se enganam os ‘tolos’…

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    1. Ana A.

      Tal e qual !
      E as comparações (dívida) com França, Espanha, Itália,etc…mas omitindo o crescimento destes países.
      Falam de milhões…e mais milhões.
      Por isso recordei o discurso tipo Sócrates.

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      1. Claro, Magalhães!

        Isto não tem nada de novo!
        É uma versão Sócrates mais povoada, mas no essencial são os mesmos atores, a mesma retórica, etc., etc.
        Um pesadelo!

        Só falta anunciar que a dívida pública portuguesa foi saldada no primeiro semestre de 2018.
        Se calhar vão deixar a boa notícia para o discurso de natal do PM. 😊

        Ainda me lembro quando anunciaram que a crise tinha acabado… 🤥🤥
        Ou o Allgarve…

        Enfim, são os políticos que temos…

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    2. Ana A.,

      Sem pretender defender o OE até porque vai ser discutido na especialidade,

      “Distribuem-se estrategicamente algumas migalhas que, na prática, não melhoram de forma minimamente significativa a vida a ninguém”

      Poderá não melhorar a sua ou a minha vida. Mas melhora a vida de muitas pessoas num país como o nosso.

      E isto sou eu a tentar uma leitura mais abrangente da questão.

      Conheço muita gente com grandes dificuldades na vida que vão lucrar, por pouco que seja.

      Para não ir mais longe e ficar só por aqui: o alargamento do prazo do subsídio social de desemprego.

      Não acha?

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  6. Vai tu para o rublo. Conheço uma gaja do PC que, no início da geringonça afirmou sentir-se logo melhor, que já havia esperança, etc. Parecia a publicadade às pulseiras do Sala. Pois se há quem jure que se sente logo melhor com elas… A Grécia está entregue ao Siriza. Portugal à geringonça. Para males semelhantes, remédios semelhantes, pensa a malta da finança, BCE, FMI, etc. Pois se eles ficam assim contentinhos e contentinhos.

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    1. Não!!!! Ah, pois não!!! Só andam aos saltinhos para ver se conseguem ser ministros. Piores que os três primeiros que referiu. Andaram anos com um discurso e, agora, com uma ação completamente contrária ao que defendiam. A Catarina não quer sair da união euriopeia? Ah, pois não! Ainda não chegaram os euros todos a que teve direito numa candidatura que fez para a reabilitação da sua empresa familiar.

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  7. …economia baseada no aumento do turismo…
    cortesia do Estado Islâmico activo nos países a Sul do Mediterrâneo, agraciados por interveções da NATO, e em alguns países da Europa

    ...e numa nova bolha imobiliária…
    cortesia dos bancos viciados com overdoses de reservas fraccionárias, salvamentos por injecções de dinheiros públicos e transferência das dívidas incobráveis para as costas dos institutos reguladores do mercado (la Grande Bouffe, não a ficção, mas a verdadeira).

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    1. António… é tudo circunstancial, mas querem fazer-nos acreditar que é “mérito”.
      Há quem acredite.
      O meu desânimo é com aqueles que há 3 anos achei capazes de fazer pender a balança para o bom senso e não para uma política orçamental que dá uns trocos que tira a seguir nos impostos indirectos, colaborando numa política mediática mistificadora da opinião pública.

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  8. Há algo que me preocupa na sociedade portuguesa. A falta de sentido crítico e a sujeição a uma manipulação, por parte de comentadores e jornalista, no que diz respeito à realidade social, política, económica, entre outras. Colocando de parte ideologias políticas, olhemos para a nossa realidade. Em 2009 ” roubaram-me” do salário 100 euros, em abril. A seguir, o país fica sujeito a ajuda externa, tendo de assinar compromissos para que nos fosse emprestado dinheiro para o Estado poder sobreviver. Duro para todos. O compromisso foi assinado pelo PS e, a maior parte, concretizado pelo governo seguinte, que agravou os cortes salariais, públicos e privados. retiraram do meu salário ( encontro-me no 4º escalão) mais 150 euros, a somar aos 100 retirados no governo de Sócrates. Reposição? Onde? Hoje, outubro de 2018, ainda recebo menos 150 euros do que recebia até abril de 2009. Uma carreira completamente destruída, por um estatuto aprovado pelo PS, uma imagem distorcida na sociedade, propositadamente pela comunicação social ao serviço das esquerdas ( os professores são uns absentistas, grevistas e com um salário elevadíssimo) Nesta altura, as esquerdas radicais ” berravam”, contra o governo de direita e contra a União Europeia. Olhemos agora para a realidade. Aqueles que tanto repugnavam a importância do controlo do deficit, estão orgulhosos pelo facto de ele ser tão baixo. Leiam as notícias sobre o estado de pobreza em Portugal. Olhem para o vosso recibo de vencimento. Ainda bem que se formou esta geringonça. Pelo menos serviu para perceber que afinal a esquerda é tão de direita como aqueles que sempre criticou. Deu para saber que o partido comunista e o bloco de esquerda afinal, quando estão no poder são exatamente igual aos outros. Pior, porque faziam crer que eram completamente diferentes, paladinos da justiça, da igualdade, da defesa dos mais desfavorecidos. Vê-se! Viu-se! Em relação ao PS, não se esperava outra coisa.

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  9. Sónia, há aqui um enorme pormenor que baralha a análise:

    “Deu para saber que o partido comunista e o bloco de esquerda afinal, quando estão no poder são exatamente igual aos outros.”

    Estes 2 partidos Não estão no poder.

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    1. Estes dois partidos legitimam o poder executivo atual… sem isso, o poder executivo seria exercido por outros. O PCP e o BE são responsáveis pelo exercício do poder atual!

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    2. Estão no poder, mas querem fazer de conta que não!! Quando lhes convém!! Facto 1: o PS, para governar, juntou-se a esses dois partidos para formar maioria no parlamento; Facto 2: esses dois partidos têm aprovado sempre o orçamento e vão aprovar este último; Facto 3: Estes dois partidos reúnem com o PM para conversarem sobre políticas que querem ver no orçamento; Facto 4: estes dois partidos, felizes, apresentaram em todos os órgãos de comunicação social a lista com as políticas que tinham sido da sua iniciativa.

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      1. Facto 5: a) a remeter para o facto 3 e 4 , retirando o estado de alma “felizes”.

        Facto 5 b) a remeter para o facto 2. Parece evidente. Caso contrário, o que é que aconteceria?

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  10. Há quem queira o melhor de dois mundos: ter acesso a umas migalhas maiores do que o habitual do OE e uns lugares para amigos em cargos de 2ª linha do aparelho de Estado e ao mesmo tempo dar a sensação que estão imensamente preocupados com os pobrezinhos.

    A verdade é que a pobreza entre nós não diminuiu, antes pelo contrário.
    Porquê?
    Porque a mais profunda não é erradicada e aparece uma nova pobreza nascida da precariedade laboral (que ilude o desemprego) e a erosão da classe média.

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    1. Quando é que a pobreza aumentou exponencialmente em Portugal? E porquê?

      Quanto à classe média, estou de acordo.

      Aliás este é um problema central aqui e por todo o lado nos nossos amigos PIGS.

      Sabe-se que não há desenvolvimento sustentável sem uma classe média forte e qualificada.

      A erosão assumida da classe média portuguesa tem também um quando e um porquê.

      Um exemplo caricato: o salário mínimo em Espanha vai passar para 900 euros. Certo?

      Certo.

      Em Portugal, há professores com um vencimento líquido de 1000 euros. Escolhi um ex. de um professor, como podia ter escolhido o de outra classe profissional- engenheiros a auferir 700 euros, por exemplo). Certo?

      Conclusão?

      Em Espanha e com 900 euros, estamos no limiar de subsistência; em Portugal, com 1000 euros, pertencemos à classe média, quiçá, média mesmo média.Não direi alta porque seria abusar, mas que há quem vá por aí, ai há, há.

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    1. Sal,

      E ainda…..

      Não comento aqui para levar a bola para casa. Isto não é um quiz show onde há vencidos e vencedores na argumentação. E não é um jogo de futebol.

      Na adolescência, sabia-me bem ao ego aquele aconchego do saber /ter sempre uma resposta.

      Mas isso foi na adolescência, estás a ver? É normal acontecer isso. Faz parte do crescimento.

      Quando uma pessoa passa essa fase, está-se noutra, estás a ver?

      A gente quer participar com a nossa experiência de vida e , pessoalmente, gosto de aprender com os outros.

      É outra coisa. Já não se está na defensiva.

      Não sei se percebeste bem- tu e tantos outros comentadores- que a adolescência já lá vai.

      Agora vou jantar e ver mais um episódio dos Mistérios do Dr. Blake, OK?

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