Se Fosse Só Em Beja!

É o resultado de uma política imbecil e completamente desarticulada de gestão de recursos humanos. Quer poupar-se, então não se deixa as escolas pedir horários em Agosto para lugares de pessoas com atestados de longa duração. Só na RR2 que é para poupar umas três semanas de salário a quem entrar ali por 20-25 de Setembro. Entretanto, as Juntas Médicas (Fraudulentas?) enviam para as escolas, sem as encararem nos olhos, colegas meus/minhas sem condições mínimas para assegurarem um horário completo.

No fim de Setembro acabam por existir dois docentes para o mesmo horário, depois de duas semanas sem aulas. Ao fim dos 30 dias de contrato, vai-se embora a pessoa colocada na RR2 ou RR3. Uma semana depois, no máximo duas, após cumprir os 30 dias obrigatórios de serviço, volta a colocar atestado @ professor@ que tinha voltado, por manifestamente não estar em condições. Reinicia-se o processo em RR ou já em contratação de escola.

Este sistema é, de longe, muito mais irracional e pior para o interesse dos próprios alunos do que as velhas listas únicas dos mini-concursos, pois tornam errático, moroso (em especial quando existem recusas dos horários apresentados) e estúpido o processo das substituições de docentes com baixa médica. Só funciona de forma sofrível se algumas regras forem atropeladas.

Alunos de turma do 7º ano em Beja sem professores para sete disciplinas

Como as coisas chegaram a este ponto – assim como a uma carência evidente de gente em alguns grupos de recrutamento – é responsabilidade única e exclusiva dos decisores políticos e de alguns assessores de bancada ao longo dos últimos 15 anos. Responsabilidade que nunca assumirão (ao contrário da relativa ao “sucesso”) porque a cobardia política parece ser condição indispensável para se assumirem certos cargos.

Com jeitinho, estas faltas ainda aparecerão em estatísticas do absentismo escolar, quando for necessário denegrir mais a imagem profissional dos docentes.

Velho

(casos esporádicos e isolados? nem por isso… comecei o ano com 4 baixas no CTurma da minha DT e só esta semana – a 5ª de aulas – conseguimos completar o elenco, sendo o último a chegar de um dos grupos de recrutamento com melhor lobby junto do SE Costa em matéria de fatiamento curricular; também com jeitinho, aparecerá o ministro Tiago a dizer que só teve todos os professores em Dezembro quando andava em calções na escola)

28 thoughts on “Se Fosse Só Em Beja!

  1. Na minha escola há professores por colocar. Vai ser cada vez mais assim. A não ser que se deixe de governar com ligação direta às sondagens.
    A propósito de sondagens, ando por aqui com uma dúvida existencial do camandru que, não me tirando o apetite nem o sono, me arrepela 3 ou 4 neurónios. É o seguinte: afinal quanto é que os eleitores de Portugal e os clientes da hora do almoço dos café Primavera e Estrela do Norte acham que um prufassour com uns cincoenta e tál deve de gánhár?
    É que ainda não descobri, pá!

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    1. E o MST, pá!!… Quanto é que essa encandeante luminária calcula que seja o salário adequado para uma supina besta como eu?
      Isto tem mesmo de se fazer uma sondagem séria que seja devidamente esmiuçada num canal aberto qualquer. Daqueles com entrevistas a eito e chamadas de ouvintes que sabem, conhecem e até acham que.

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      1. Isto tem mesmo de se fazer uma sondagem séria que seja devidamente esmiuçada num canal aberto qualquer. Daqueles com entrevistas a eito e chamadas de ouvintes que sabem, conhecem e até acham que.
        Leia-se:
        Isto tem mesmo de se fazer uma sondagem séria que seja devidamente esmiuçada num programa da tarde de um canal mais ou menos aberto qualquer. Um daqueles programas com entrevistas a eito e chamadas de ouvintes que sabem, conhecem e até acham que.

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  2. numa linha de produção de uma empresa industrial de média ou mesmo grande dimensão, uma gestão assim dava despedimento ao engenheiro responsável. Aliás isto nunca acontece naquelas com produtividade acima da média ou com produção de bens de valor elevado. Porque será?
    O que se passa nas escolas é gestão ao nível do século XIX (nos US ou UK que em Portugal estendeu-se até aos lokos anos sixtes). Uma vergonha

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  3. Na minha já estão a entrar professores sem profissionalização! Ainda vamos voltar aos inícios dos anos 80 quando não havia professores e qualquer um com o antigo 7º ano (11º de hoje) dava aulas…

    Já faltou menos porque: os novos não querem ser professores e não escolhem os cursos via ensino; os velhos estão a fugir do ensino à primeira oportunidade, antes que morram na escola. Sim, porque as escolas estão a transformar-se em lares de terceira idade com criancinhas…

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  4. Já que falamos de gestão escolar e de poupar uns tostões, gostava de saber a opinião do Guinote ( e dos comentadores) sobre isto: disciplina de Moral e Religião.
    Em todo o país são muitas centenas (milhares? ) de “professores” destes, colocados pela igreja sem que o Estado tenha uma palavra a dizer, mas pagos pelo contribuinte.
    Então o Estado nao é laico? Quem quer que os filhos tenham educação religiosa, que os ponha nos colégios religiosos.
    Porque carga d’água tenho de ser eu, que sou ateu, a pagar impostos para pagar ordenados a esta gente da Moral?
    O Estado gasta balúrdios com os ordenados desta gente e depois cortam no Português, na História ou na Matemática.
    Porque razão ninguém fala disto?

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    1. Porque existe um consenso acerca de uma disciplina – EMR – que acaba por ser quase sempre “Católica”.

      Se é mesmo “consenso”, se é o poder político a querer escapar a um enorme conflito com aquela que ainda é uma das grandes instituições, com grande poder de influência na sociedade (laica) e na política, é toda uma outra conversa.

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      1. É um tema que merece atenção urgente. É inconcebível que, num estado laico, seja ministrado qualquer tipo de religião na escola pública. Acresce o facto de ser uma prática paga com o dinheiro dos contribuintes e não das igrejas.
        Por estranho que pareça (ou talvez não), nem a esquerda mais ateia se pronuncia a este propósito…

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    2. Camarada Riacho (laico, republicano e socialista?), fique sabendo que só têm aulas de ensino religioso -qualquer que seja a religião- os alunos cujos encarregados de educação o autorizem e/ou solicitem. Em muitas escolas nem há já oferta de ensino religioso.
      Acalme lá o seu coração com os gastos insanos da nossa querida República com essa gente, como simpaticamente diz.

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      1. Se essa gente se quer alienar com historietas acerca de deuses imaginários, anjolas voadores e mulheres que engravidam de pombas e mantêm a virgindade após parir, isso é lá com eles. Há outros que preferem os heróis da Marvel, por exemplo.
        Mas porque tem de ser o Estado a pagar os seus vícios? O Estado é laico, não paga drogas a ninguém. Quem quer droga que a pague, ora o caraças!
        E o Estado podia empregar melhor o dinheiro a contratar professores a sério a tempo e horas.

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      2. O que coloca em causa é uma falsa questão. Não está em causa o carácter opcional de EMR, mas sim o facto de ser ministrada na escola pública e paga com o dinheiro do Estado laico, ou seja, do contribuinte, vulgo nós…

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  5. É a geringonça, uma vez mais, a funcionar no seu melhor… Onde está o PCP? Onde anda o BE? Bem enganados foram pelos xuxas, mas, pelos vistos, gostaram e vão querer repetir a experiência… Votar PCP ou votar BE = Votar PS

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  6. Essa é outra pouca vergonha.

    Concordo com o Joaquim. E até sou católico! Acho que a fé deve ser cultivada nos espaços próprios. Na escola, pode-se e deve-se falar de religião no âmbito da História e da Filosofia, por exemplo, mas nunca enquanto disciplina deste ou daquele culto. É um abuso.

    Nos dias de hoje, em que temos na escola pública crianças com tantas religiões diferentes, dada a evolução do multiculturalismo no nosso país, não faz sentido termos uma disciplina só para a religião católica, com os contribuintes a pagar. Mais, o que está a acontecer na realidade é que muitos desses professores não têm alunos, mas nunca ficam com horário zero! Acabam por ocupar horários de disciplinas para as quais nem têm profissionalização! É à conta de habilitação própria ou suficiente. Porquê? Porque sim. Porque ‘deus’ quer…

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  7. Já o ilustre constitucionalista Professor Vital Moreira há tempos verberou com severidade esta situação, invocando semelhantes argumentos, incluindo a nossa condição de Estado laico.
    Saberá que é a Concordata que legitima este privilégio. Deveria – pelo menos neste ponto – ser revista, pondo-se cobro a uma cláusula que também se me afigura como um abuso por parte do Estado Português.
    E já agora, Joaquim Riacho – não sei se estarei a ser demasiado injusta – quer-me parecer que as “aulas” pouco mais serão do que um mero passatempo (às vezes divertidissimo) . E nós a pagarmos os chorudos ordenados aos “professores” (alguns no 10º escalão). E as reformas que auferem ou vão auferir? E quando se trata de padres, que juntam o imerecido vencimento aos nada desprezíveis proventos que – livres de impostos – angariam nas (nas!) paróquias ?
    Bem haja, Joaquim Riacho, por ter suscitado o tema que, de facto, passa despercebido a muita gente, principalmente aos mais novos. Por mim retomarei a “cruzada” contra mais este dislate.

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    1. Na minha escola há 2 dias da semana em que estou a tentar dar aulas ao lado da sala de Moral. Digo tentar porque a música aos berros atravessa as paredes e torna impossível ensinar. Já me queixei, claro. Mas adiantou nada. Todos têm medo da igreja. Portanto, continuo a tentar dar aulas com esta má vizinhança. As aulas de moral parecem consistir em ouvir música. E o contribuinte a pagar. Até quando?

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  8. Pior que tudo isso é haver professores colocados em bibliotecas, sem serem bibliotecárias, que só fazem atendimento e recebem o mesmo que aqueles que dão aulas

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  9. Os comentários que vejo aqui são pouco entendíveis. Mas será que é por haverem umas centenas de professores de moral que a escola está mais pobre? Como todos sabemos, estas aulas são lecionadas de uma forma lúdica e de religião é o que menos se fala. Preocupa-me mais os miúdos nas aulas de música terem deixado de cantar, pois já não há professores de música para colocar. Preocupa-me mais os alunos não terem geografia, pois já não há professores para colocar e posso continuar a referir outras disciplinas que também já apresentam carência de professores. As coisas começam a ficar complicadas, com o andar da carruagem chegamos a Fevereiro e não vão haver professores para fazer as substituições. Andaram a brincar com o fogo e agora não vão conseguir apagar este incêndio, isto vai ficar incontrolável e a cada ano que passa piora. Onde estão as associações de pais? Só sabem atacar aqueles que sempre estiveram do lado dos filhos.

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    1. O que está em causa no meu comentário é ser o Estado laico a pagar educação religiosa. Nem que fosse um só desses “professores” a ser pago pelos contribuintes, já era demais.
      Eu sou ateu mas respeito todas as opiniões. O que defendo é que, se a igreja quer que haja educação religiosa, então que paguem os ordenados de quem a ministra.
      Esta situação que temos é tão ilógica como ser o sporting, por exemplo, a pagar os ordenados dos jogadores do Benfica. Ou vice-versa. Não é lógico e só demonstra a chulice da igreja.

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      1. Caro Joaquim Riacho : nos meus comentários também coloquei as aspas na palavra professor( de religião). A desgraça (mais uma ) está em que essas aspas “estão a mais” pois, tendo guarida (!) no ECD , aqueles beneficiam das mesmíssimas prerrogativas dos professores que estão sob a tutela do Estado, como é o nosso caso : título profissional, carreira , escalões, vencimento, horário , redução de horário, férias e reformas . Para completar a desfaçatez, saberá que dependem – no que toca à nomeação, avaliação, programas e objetivos – unicamente de Sua Eminência o Bispo da Diocese o qual, religiosamente , deixa a cargo do Estado o pagamento dos vencimentos … E não são propriamente esmolas…

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