O Erro Trágico Dos Opositores de Bolsonaro

Como no caso de Trump nos EUA é acreditarem que basta qualificá.lo como “racista”, “machista”, “militarista” ou “fascista” para terem um argumento válido junto da maioria do eleitorado, sem perceberem que quem vota nele(s) o faz exactamente por essas razões. Não acredito que alguém tenha votado ou vá votar em Bolsonaro (ainda mais do que em Trump, que ainda recorreu a um discurso retoricamente em defesa dos operários americanos) ao engano, por pensar que ele é “progressista”, “esquerdista”, “tolerante” ou “multicultural”.

Pode parecer um choque para aqueles que insistem em não perceber os eleitorados e acharem que existe uma racionalidade ética no voto de muita gente. Em vez de usarem argumentos sólidos para demonstrarem como fariam melhor do que ele para a maioria da população que se viu atingida pelo inebriamento do PT no poder, limitam-se a adjectivá-lo, sem perceberem que boa parte das ditaduras não se manteve longos anos do poder sem o apoio de boa parte das populações, nem que seja por omissão.

E se Bolsonaro for eleito exactamente por não se envergonhar de ser fascista, racista, machista sem aspas? O que isto nos dirá sobre a capacidade de quem lhes faz oposição transmitir uma mensagem coerente, forte, sedutora?

bolsonaro-chavez

8 thoughts on “O Erro Trágico Dos Opositores de Bolsonaro

  1. Totalmente de acordo.
    Argumentos racionais não colhem quando as pessoas não são racionais e sim estúpidas, bastante estúpidas.
    Os imbecis votam no fascista porque se identificam com ele, se revêem nas suas ideias.
    E, se forem maioria de imbecis, o fascista ganhará. E nós calamo-nos bem caladinhos, porque a Democracia não vale só quando o resultado nos agrada. A Democracia tem valor, sobretudo, quando o resultado nos desagrada (como provavelmente irá acontecer).

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    1. A aposta na imbecilização dos eleitorados, o que é facilitado com a instrumentalização política da Educação ajuda muito neste aspecto.

      Sei que sou parcial, mas um passo muito perigoso passa por defender “pensamento crítico” e cortar a Filosofia do currículo e querer que os alunos analisem causalidades nos fenómenos sociais e humanos e desvalorizem a História, em prol do Corpo São.

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      1. Exactamente. Quanto menos Filosofia e História os alunos souberem, melhor para os políticos que sonham ter um eleitorado mansinho, semi-acéfalo, que eles possam controlar com meia dúzia de balelas e 3 reis de mel coado.
        Deviam ter a coragem de o assumir de uma vez por todas, acabar com as disciplinas que permitem entender o porquê das coisas e substituir tudo por reallity shows e educação física. Corpo são e de preferência sem mente. Era mais honesto do que fazê-lo às mijinhas.

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  2. Entretanto, por cá, depois do partido “Aliança” temos o partido “Chega” de André Ventura.

    Estão a aumentar as opções de voto, para além do branco, do nulo e da abstenção.

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  3. Com as ilegalidades que foram sendo cometidas, com a justiça personalizada e em forma de estrelato, com quem está por detrás desta candidatura e a sua ausência em debates, com o tipo de candidato em oposição, não é fácil passar-se uma mensagem forte, coerente e muito menos sedutora.
    A coisa vai ficar outra vez preta.

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  4. Embora existam diferenças, porque o espaço geográfico em questão é imenso, a América Latina é uma realidade particular…

    Curiosamente ou não, o que está a acontecer no Brasil encontra grande similitude com o fenómeno mais ou menos recente do crescimento dos extremismos na Europa, nomeadamente da extrema direita.

    Pelo conhecimento que tenho, o Brasil está a atravessar um período muito crítico a vários níveis: político (claro), económico, social, cultural, etc. Ou seja, o PT criou um caldeirão explosivo e a pólvora vai explodir um pouco por todo o lado e os primeiros estilhaços vão direitinhos para o PT.

    A descrença, o desepero e a falta de alternativas válidas e credíveis atirou e vai atirar (ao que tudo indica) os eleitores para um (Messias) Bolsonaro igualmente explosivo, só muda o fornecedor do material de guerra.
    O que é que se pode esperar de um país governado por militares encabeçados por um ‘louco’ obstinado?

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  5. A propósito do sistema de ensino no seu país, uma amiga minha professora no Brasil disse-me há alguns anos o seguinte:
    “O professor faz de conta que ensina, os alunos fazem de conta que aprendem e o sistema faz de conta que funciona”.

    Isto diz-nos alguma coisa? 😊

    Qual a intenção?
    Para além das intenções mais óbvias, ao alcance da compreensão de todos, a intenção (política) de base é criar uma população acrítica e funcionalmente analfabeta.
    E assim fica a porta aberta para discursos demagógicos e populistas.
    Passadeira vermelha (?) para políticos e políticas que representam, na minha opinião, passos largos em direção ao passado.

    Basta dizer às pessoas o contrário daquilo que os políticos ‘tradicionais’ dizem. Basta prometer o contrário daquilo que as pessoas veem à sua volta…

    Sentido crítico, pensamento próprio, capacidade de discernir a verdade da mentira política e da demagogia, discernimento, informação, etc., são fatores inimigos de certo tipo de política(s)… Há que destruí-los!

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