19 thoughts on “Melhor Do Que Álcool Ou Drogas

      1. O meu avô materno sempre teve vários gatos, mas havia um chamado Carocho que, sempre que o avô se sentava à mesa para as refeições, se enrolava completamente no seu pescoço e dormia, dormia. Era preto, muito lustroso e de uns olhos verdes que pareciam vidros.
        O gato só gostava do meu avô lá em casa. Talvez porque o dono era surdo-mudo.

        E nós, crianças lá de casa, que só queríamos fazer festinhas ao bicho, éramos brindados com aqueles olhos fixos e com muitas “bufadelas” enquanto, lentamente, nos mostrava as unhas. Ninguém conseguia interagir com o gato. Só o meu avô e, quando muito, a minha avó.

        Foi a partir dessa altura que passei a não ligar muito a gatos. Excepção feita a uma das várias gatas da minha vizinha que entra pela janela aberta e se vem sentar, qual bibelot, ao lado do meu computador, como se aquilo fosse tudo dela.A gata (uma coisa ternurenta mas meio louca) também gosta de entrar para dentro dos automóveis quando alguém se ausenta por um pouco e deixa uma porta aberta. Na última vez, via sentada no banco da frente. Só me apercebi que estava lá por causa das orelhas espetadas. Não a tivesse visto e tinha assado lá dentro naqueles dias de calor insuportável.

        Se fosse o Carocho, calhando, sei não se o ia lá buscar…..sei não.

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    1. Pois , voltando ao Carocho, o gato sentava-se no cadeirão do dono desde que ele saia até ao regresso do trabalho. E ai de quem o tentasse tirar dali para fora. Só quando o dono chegava é que libertava o cadeirão e ficava à espera que o dono fosse buscar o jornal do dia ou o Mosquito, outras leituras mais especiais ou até quando desenhava as suas caravelas. E lá se enrolava novamente no pescoço como um cachecol preto protector.
      Raio do gato!
      A sorte da miudagem era quando o gato preferia ir sentar-se à janela para apanhar sol, escondido entre os vasos de flores e plantas de verdes vários que a avó tinha no parapeito do rés-do-chão do bairro muito popular de Lisboa, hoje área interdita aos carpinteiros desta vida.

      O problema era quando a gente queria ir para a janela ver o pessoal a passar e mais a vendedora das bolinhas de Berlim, doces e quentinhas.
      Aí o Carocho mostrava as garras brancas e finas, porém muito aguçadas, e a miudagem gritava e fugia tal não era o susto.

      Raio do gato. Por causa dele havia manhãs em que ficávamos a ouvir o pregão da vendedora cada vez mais longe até desaparecer. Não havia bolinhas doces, quentinhas para ninguém.

      (Reparo agora que estou a gostar desta veia poética e nostálgica após quase 9 horas na escola, numa 2ª feira. Querem lá ver que ainda vou escrever umas short stories e ganhar algum já que a reforma vem longe e a recuperação dos 942 é uma miragem? Será que ainda vou agradecer ao Carocho o ser um enorme gato preto luzidio de olhos verdes que hipnotizavam e tão mauzinho?)

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      1. Gostei! Por mim pode continuar a desfiar as histórias do Carocho, sempre são mais divertidas do que as que nos chegam da nossa tutela!

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  1. Sim, Magalhães!
    Dá trabalho e cansa!
    É bem mais fácil só falar…
    E, já agora, falar enquanto os outros trabalham. 😉
    Também há quem ganhe a ‘trabalhar’ assim. 🙄
    Eles (ainda) andem aí, embora ameacem que vão começar a “dar no duro”. 🤔

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    1. Música ” O Meu Quintal ” .

      Me lo Decía mi Abuelito
      Paco Ibañez

      Me lo decía mi abuelito,
      me lo decía mi papá,
      me lo dijeron muchas veces
      y lo olvidaba muchas más.

      Trabaja niño, no te pienses
      que sin dinero vivirás.
      Junta el esfuerzo y el ahorro
      ábrete paso, ya verás,
      como la vida te depara
      buenos momentos, te alzarás
      sobre los pobres y mezquinos
      que no han sabido descollar.

      Me lo decía mi abuelito,
      me lo decía mi papá,
      me lo dijeron muchas veces
      y lo olvidaba muchas más.

      La vida es lucha despiadada
      nadie te ayuda, así, no más,
      y si tú solo no adelantas,
      te irán dejando atrás, atrás.
      ¡Anda muchacho dale duro!
      La tierra toda, el sol i el mar,
      son para aquellos que han sabido,
      sentarse sobre los demás.

      Me lo decía mi abuelito,
      me lo decía mi papá,
      me lo dijeron muchas veces,
      y lo he olvidado siempre más.

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