Eu Sei Que Sou Arcaico E Ainda Faço Testes E Coisas Assim

Mas ao menos revejo-os todos os anos e, se necessário, faço novos, adapto antigos, conforme o ritmo das turmas e as condições de cada ano. Não há nada menos flexível do que toda a gente fazer testes iguais ao mesmo tempo, por vezes usados e reusados ao longo dos anos, por vezes décadas, sem sequer existir o cuidado de mudar cabeçalhos ou rodapés de antigamente. Mesmo quando saco coisas da net, procuro ter o cuidado de fazer qualquer coisa de diferente depois do paste. Sim, estamos cansados. Mas ao menos que a matéria “avaliada” seja a que foi abordada nas aulas. E que o teste não seja aquele porque tem mesmo de ser aquele, porque já está feito e que se lixe o resto.

Quando me contam certas práticas de escolas muito modernas e colegas muito inovadores que se limitam a replicar as fórmulas de outros, que lhes dizem ser muito boas, sem olharem para quem têm à frente fico logo na dúvida se será isto a “autonomia e flexibilidade” tão apregoada pelo país. Faz-me logo lembrar os tempos das profissionalizações nos anos 90 do outro século e daqueles professor@s que muitos apanhámos e que eram um desastre pedagógico a ensinar pedagogia. Ou que de didáctica só sabiam a parte das grelhas. Mas fizeram escola, lá isso fizeram

Ao contrário do que se possa pensar, não estou a pensar em ninguém em concreto, mesmo que me possam ocorrer práticas muito concretas. O assunto já me ocorreu hã umas semanas quando li o auto-retrato de uma colega tão satisfeita consigo e com as suas mais do que excelentes práticas que fiquei logo em défice de auto-estima, mas superavit de banalidades.

conversa fiada

(tag: “um dia mordo a língua”, no Umbigo tinha uma outra do género “hás-de fazer muitos amigos…”)

6 thoughts on “Eu Sei Que Sou Arcaico E Ainda Faço Testes E Coisas Assim

  1. tu não me lembres as pedagógicas que ainda estou traumatizada! Havias de ter feito no Filipa, em vez do paraíso, ali para os lados de azeitão, ahahahah, eu sei estou a ser má. Para a frente que é o caminho, mas olha que corrigir tanto teste fez-me ter ideias pragmáticas, ainda conto à Lála, besos aos 3 😉

  2. Vejamos: espezinha-se a reputação com noticias falsas, destrói-se a carreira, prejudica-se gravemente a qualidade de vida (tanto socio-económico como biologicamente) e depois espera-se que se continue a trabalhar diligentemente, com ‘toda a pujança e cagança’, com elevados níveis de criatividade?…

  3. Raramente repito testes porque raramente ensino da mm maneira e raramente tenho alunos iguais.

    Perco imenso tempo a elaborá-los para que a correcção seja o mais rápida possível. Os testes são para ser respondidos dentro do prazo e os alunos os poderem rever. Não fico sem intervalo e não quero que os meus alunos fiquem sem intervalo.

    Irrita-me solenemente ver testes marcados para todo o ano escolar, sagradamente 2 ou 3 por período. Irrita-me solenemente marcarem-se testes em todos os dias durante 1 ou 2 semanas. Irrita-me solenemente o solene acto de marcação de testes, a bem dizer. E não gosto quando os alunos me perguntam porque é que ainda não marquei o teste ou os testes, mas agrada-me responder-lhes o porquê. Também não gosto quando me perguntam se isto ou aquilo é para avaliação. Caramba, estamos a ver um filme e acabamos com uma ficha sobre o filme e o problema é se a ficha é para avaliação quantitativa ou não. Lá explico outra vez.

    Resumindo, sou contra esta imposição dos testes solene e religiosamente marcados. Tão religiosamente marcados e assumidos que são muitas vezes a razão para não se fazer 1 greve- ter-se 1 teste marcado para esse dia.

    Também não entendo o ter-se de acabar uma unidade de conteúdos para se fazer 1 teste.

    Já funcionei assim há muitos anos. Depois, curei-me.

    E não vos digo mais porque posso eventualmente chocar os mais sensíveis.

  4. Eu agora já tendo a concordar mais com a opinião do Mário Silva. Professores que se esforçam a fazer testes diferentes, a inovar, etc.? acho bem. Professores que ligam o youtube e lêem o jornal ou fazem os testes e as fichas dos manuais? Acho muito bem. Excelente, mesmo. Na união soviética de má memória havia um dito popular: eles fingem que nos pagam e nós fingimos que trabalhamos.

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