Perplexidades Formativas

Porque deverá ser considerada “formação” (para aqueles efeitos de créditos) uma sessão, mesmo que longa e obrigatória, de propaganda política dada por um governante ou um@ seu(sua) emissári@ para inculcação legislativa, mas o mesmo não se aplique à participação em congressos nacionais ou internacionais relacionados com a área da docência ou a produção de artigos de investigação na área científica da formação inicial. Quando ouço algumas pessoas doutas em coisas destas queixarem-se das carências de “formação contínua” dos professores, dá-me um sério ataque de urticária e uma vontade imensa de perguntar o que fizerem para alterar uma legislação perfeitamente imbecil nesta matéria, que privilegia a submissão acrítica às modas do momento em relação à actualização dos conhecimentos científicos.

É bem verdade que agora se acha que os “conhecimentos” só servem para serem “empilhados” e que o importante são as “metodologias”, mas a situação actual é mesmo de desencorajamento activo de uma formação nas áreas científicas, em favor de coisas do género meditação em supervisão e flexibilidade em grelhas de excel, com cobertura em tecnologias glacée.

profpardal

26 thoughts on “Perplexidades Formativas

  1. Paulo, na parte final do percurso profissional foi muito penoso conseguir que o meu director me autoriza-se ir a qual “ajuntamento”, (seminários, congresso, workshops etc…)

  2. Não podia estar mais de acordo.
    Infelizmente, “papei ” formações dessas ( aplaudo quem mesmo ficando prejudicado os mandou …dar uma volta).
    Frequentei três formações (50 h + 50 h +25h = 4 +4 + 2 créditos) locais diferentes e temáticas diferentes. Tão creditado…sem nada ter aproveitado ou aprendido. Nas três ! Horário pós laboral e ainda sábados…um horror !
    Um desgaste. Uma perca de tempo.
    Apenas interessante para a “ganhuça” de uns tantos totós formadores e centros de formação (de e) para totós.
    O mais enervante era assistir à alegria e entusiasmo de muitos colegas…
    Sem existir uma boa formação inicial…

  3. Há mais de 10 anos que deixei de alinhar nessas palhaçadas e é o que eu tenho ganho.
    As “formações ” são um pequeno negócio para muitos chicos-espertos deste país.
    Ora eu acho que a entidade patronal é que tem obrigação de nos dar formação contínua, com dispensa laboral e gratuita.
    Recuso frequentar 1 só minuto de “formação” em horário pós-laboral ou gastar 1 só cêntimo nisso. É uma questão de princípio.
    Prejudico a minha carreira? Qual carreira? Onde está ela?

    1. José Chorão,
      Concordo ! Agora ?
      No meu caso era obrigatório para progressão no escalão. Ainda tínhamos carreira. Custou mas foi. Agora ? Para quê ? Mas como referi ,alguns colegas recusaram ficando prejudicados agora e no futuro .Bons professores e bons colegas. Uma grande injustiça .
      Trata-se de uma asquerosa negociata , no passado e no presente.

      1. Magalhães,
        isso aceitava-se no tempo em que tínhamos uma carreira e, melhor ou pior, lá íamos progredindo. Mas eu estou, como milhares de colegas, no 6º escalão (após 34 anos de ensino) e não vou progredir ao 7º NUNCA, já que está sujeito a vagas e, ainda que eu tivesse xalentes (que nunca terei porque não sou do género de andar a lamber botas a ninguém, fui educado a manter a minha honra) haveria as quotas.
        Portanto, para quê perder tempo com palhaçadas inúteis?

        Cumprimentos

  4. Ao que parece, a formação foi concebida para criar ‘perplexidades performativas’.
    Acredito que haja exceções, mas a maioria não passa de triste show off.

    Se os formadores tivessem feito boa formação, talvez a formação que ‘dão’ permitisse formar alguém.

    Se os centros de formação não estivessem também eles viciados, as coisas poderiam ser um pouco diferentes.

    Se os formadores fossem contratados pelo mérito e profissionalismo, a formação poderia ser útil.

    Eu sei que são muitos “ses”.
    Talvez seja por isso que as coisas não funcionam.

  5. Apesar de a pagar do meu bolso, prefiro a formação na faculdade ou aquela gratuita e de curta duração que é dada por gente muito competente na minha área.
    Não fiz, nem tenciono fazer nada flexível. Já disse adeus às formações tecnológicas, pois tudo tem limites.
    Quanto a cidadania, há muita gente a precisar dela , sobretudo os que a impõem e são péssimo exemplo no assunto. Os DL que vêm chegando são lidos na diagonal, pois há livros que quero e preciso de ler. É nestas leituras que encontro um detalhe ou uma reflexão que passo aos meus alunos. Que nos enriquece a ambos.
    Recuso ocupar o meu cérebro com imposições formativas parvas. Sempre as mesmas. Vazias e inúteis.
    Ainda não faço parte da liquidez de Z. Bauman. E trabalho muito para que os meus alunos também não queiram fazer parte dela.

  6. Para quando a extinção do Centros de Formação?

    É que a rede de ensino superior já abarca grande parte do território…
    Há necessidade de formação?,… faça-se uma ou outra cadeira avulsa de uma licenciatura ou de qualquer outro tipo de curso?

    Só se ganhava – menos feudos (fim dos centros de formação), arejamento mental (circular noutros espaços – universitários e similares), mais interesse e utilidade (há disciplinas universitárias para todas as necessidades de formação e estas seriam das mais actualizadas das acessíveis).

    Em suma, morram os centros de formação, PIM

  7. Por ela, independentemente do seu desempenho ganham mais….nem sei, que os restantes docentes. Conheço exemplares que nem português sabem falar.

  8. Para quem diz que prefere pagar a formação do seu bolso lembro o seguinte:

    DR 1ª serie, Decreto-Lei n.º 22/2014 de 11 de fevereiro
    Artigo 17.°
    c) Frequentar gratuitamente as ações de formação obrigatória para efeitos da sua avaliação do desempenho docente e progressão na carreira docente;
    :…………

    Por principio nunca pago a minha formação nem que seja 1€.
    Amigos médicos não o fazem, amigos profs universitários não o fazem, pessoal de empresas não o faz, por que raio eu deveria fazer (alias ate tem benesses)?

    As formações por principio serão para transmitir “saber ” aos alunos por isso o artigo referido acima tem toda a razão de ser.

    Ok… podem dar as formações nas universidades, mas não cobrem nem 1€ senão é mais do mesmo.

    Os profs é que tem culpa do facto de existir formação paga. Se pagam é porque podem, ganham bem. Ok …toca a pagar.

    1. Não é essa a questão, Pretor. Há coisas que não quero fazer. Mesmo. Considero que a maior parte da oferta formativa que existe não presta não acrescenta nada.
      Às vezes, até incomoda: quem a faz e o que faz d/nela. E eu tenho mais que fazer.
      É a minha margem da liberdade.

    2. Concordo plenamente! Às vezes não posso deixar de admitir que os professores têm o que merecem. A tutela chula-nos até ao tutano, mas os professores (não me incluo neste grupo, recuso-me tb.) pagam formação e dizem que sim a tudo: flexibilização, cidadania, inclusão… venham elas e toca a grelhar o juízo por aí, tal como baratas tontas.

    1. E o que é preciso para xalentar? Beijar o rabo a quem? Não estou para isso, gosto de me manter limpo e sei que há rabos muito sujos. Outros que o façam. Gosto de andar de cabeça erguida. Nem que eu tivesse de voltar ao 1º escalão.

  9. Ao nível da contínua, é urgente pôr em prática a formação científico-pedagógica; rever profundamente a formação inicial; regulamentar a formação a distância; reconsiderar a pertinência e a validade das ações de curta duração; dar replicação à formação feita; articular a formação realizada com as necessidades reais de cada AE; contextualizar a oferta dos CFAE e as necessidades d@s formand@s; implicar as estruturas intermédias nos pedidos de formação; elemento da secção de formação, caso exista, deve ter assento no CP.
    Quanto ao funcionamento dos CFAE: foi este ano atribuído a cada um mais 1 docente no âmbito da mobilidade estatutária.

  10. Conheço professores de Matemática que fizeram “formação”, nos tempos antigos, sobre reciclagem; e professores de Português que frequentaram com sucesso “formação” em azulejaria pintada. E muitos outros casos semelhantes. Presumo que tudo isto fosse muito útil às suas aulas. Eu é que devo ser demasiado estúpido para entender a lógica desta palhaçada.

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