Direito Ao Esquecimento Digital?

De aquando em vez recebo pedidos de gente que quer ver apagados os seus comentários no Umbigo por questões de “direito à privacidade” e ao “esquecimento digital”. Este tipo de coisa complica-me um pouco com os “nervos”. Sim, acabo por aceder em parte aos pedidos, retirando a identificação, mas mantendo o texto que foi escrito, em especial quando se trata de alguém em diálogo com outros comentadores. Hoje recebi mais um pedido, para comentários de 2009 que nada tinham de especialmente complicado. Alguém defendia uma personalidade, em diálogo com outras pessoas. Mas, pronto, lá mudei a identificação d@ comentador@.

Por outro lado, começo a perceber certos “desaparecimentos” (nem falo do Ramiro que apagou tudo o que escreveu nessa altura) de afirmações e textos que em tempos li e tinha linkado. Evaporaram-se. Direito ao “esquecimento digital”? Quando as pessoas acharam por bem assumir posições públicas em nome pessoal, maiores de idade? Arrependimentos a posteriori? Reconheço o direito formal, mas escapa-me a parte moral.

memoria

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17 thoughts on “Direito Ao Esquecimento Digital?

    1. Penso que devo justificar a minha questão. É o seguinte: não podemos conhecer as circunstâncias de cada um. A Internet fica numa espécie de limbo entre o lapidar, algo entre o (podes escrever o que te digo) e o discurso informal (isto ´é a gente a conversar, e tal…). Daí que não consigo condenar moralmente (sim, escolhi as palavras) quem não se reconheça num discurso de há 5 anos que, já descontextualizado, lhe ficou colado.

      1. Eu explico: não é caso do mais recente exemplo, mas há quem queira apagar o que escreveu em dado momento, para que – exactamente – se perca o rasto e “contexto” das posições actuais.

    1. Não tem nada a ver com trânsitos culturais…
      Falando depressa e a direito: o blog do Paulo Guinote, enquanto blogue, tem qualidade. Tomemos o exemplo deste post:
      se o que ele escreve aqui -da forma como escreve e no momento em que o faz – o pusesse num artigo de jornal, teríamos de concordar que seria um artigo assim ‘p’ró sofrifelzito. Mais: se colocasse esta redação numa coletânea de ensaios, estaríamos perante um mau ensaio e, muito provavelmente, perante uma coletânea um bocadolas berita…
      Vai daí que, para além da circunstância em que se encontra o comunicador, é ainda determinante para a qualidade e para o teor da mensagem, o meio que o comunicador utiliza para comunicar.
      Isto a mim, que sou uma supina e certificada besta, parece-me evidente.

      1. Este texto nunca poderia ser um artigo de opinião ou, muito menos, um “ensaio”.
        Mas isso não significa que queira pagar o que escrevi no passado, seja em blogues ou em outros contextos. Faz parte de um percurso. Se só escrevi coisas de “qualidade” ou “certas”? Claro que não. Mas quase tudo é relevante – até as músicas que publiquei – para que se entenda o que penso e como aqui cheguei.

        Já agora, descobri um arquivo incompleto dos meus artigos na imprensa, quase todo baseado no Público (com mais um artigo do I):

        http://www.arquivodeopiniao.pt/pt/author/paulo-guinote

      2. Paulo, percebo e valorizo o que dizes. Isso não quer dizer que condene quem queira ver o que escreveu apagado por se sentir distante do que escreveu então, ou por achar que o leitor ou espetador atual não pode percecionar as condicionantes de um discurso feito há, digamos, 5 anos atrás.
        Coisa bem diferente será o discurso derivado de cabotinismo militante, ou oportunismo. Isso já é outra coisa e, num caso desses, parece-me que estaríamos de acordo. Não só não me apeteceria apagar as palavras energúmenas, como me apeteceria denunciá-las à saída da estação de metro do Rossio em hora de ponta.

  1. Também acho um pouco estranho, mas “aceito” o direito ao tal ‘apagamento’. É um direito como outro qualquer, digamos assim.

    Em todo o caso, considero que uma pessoa adulta emite uma opinião consciente daquilo que está a dizer/fazer.
    À partida, uma opinião será a expressão da nossa consciência em determinado momento e em determinado contexto, logo ninguém está obrigado a não mudar de ideias.
    Para além do mais, penso que é normal que se mude de opinião e é igualmente normal e humano errar, se tiver sido o caso.

    Se tivemos determinada opinião ou posição, se o fizemos de forma isenta e desinteressada, e se hoje pensamos de forma diferente, qual é o problema de o assumirmos?
    Qualquer pessoa de bom senso o entenderá.

  2. Nestes casos, não faltaria quem pagasse bem para promover o esquecimento geral, ups, digital:

    – “Bloco só aprova Orçamento se houver dinheiro para contar tempo de serviço dos professores”
    (Expresso, em 30.09.2018)
    – “O Orçamento do Estado para 2019, o último da legislatura, foi hoje aprovado, na generalidade, com os votos do PS, BE, PCP, PEV e PAN.”
    (DN, em 30 de Outubro de 2018)
    ……

    E isto não tem propriamente e só a ver com mudar de opinião…

    Vamos ver que tipo de esquecimento vai acontecer…

      1. E filhadaputismo? Conta? No caso do berloque de esquerda penso que é a expressão mais adequada…

  3. Não tem a ver com direito,mas com cobardia. A opinião está datada . Se mudou entretanto tem mais é que assumir, se é homem, ou melhor se tem coluna vertebral. O resto é converseta da treta de gente que muda com a espuma dos dias, encostando-se ao poder que lhe dá mais jeito no momento. É, por exemplo, gente que muda de partido como quem muda de camisa. Gente oportunista e arrivista. Sem mais.

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