E Por Falar Em Matarruanos…

Ontem apareceu-me no feed do fbook a publicação de um (actual? ex?) funcionário municipal vimaranense com nome meio estranho e claramente eufórico com o Bolsonaro (como acabou nas minhas amizades só demonstra que tenho fases muito pouco selectivas) a questionar quando é que apareceria entre nós um político a defender a trilogia “Pátria, Família, Religião”. Perguntei-lhe (raios, isto é mesmo coisa de feriado em que sobram 5 minutos de tédio) a  que “religião” se referia. Resposta imediata “a nossa” e agradeu a minha disponibilidade para “debater”. Repeti a questão de outra forma, ilustrando com o cartaz da velha trilogia salazarista “Deus. Pátria. Família”. Que se era aquela, eu dispensava. Replicou que o Salazar já desapareceu há 70 anos [sic] e que a “nossa” religião é a “católica” desde Afonso Henriques. Defeito de formação… anotei o erro de cronologia sobre a morte de Salazar e ainda que no século XII o “catolicismo” ainda estava longe da sua auto-definição mais cuidadosa no século XVI quando do confronto com as tendências reformistas. A reacção foi pouco amistosa, mandando-me visitar o Museu Alberto Sampaio onde estarão materiais que comprovam como o Afonso Henriques teve a bênção do Papa para formar Portugal e o seu agradecimento pela sua vitória contra os espanhóis em Aljubarrota.

Foi por aí que me perdi, talvez por ter visitado o Museu em causa há já muitos anos e por certo estar desactualizado sobre o seu espólio. Ainda tentei dizer que o Papa só aceitou Portugal como reino autónomo após décadas de tributos anuais em ouro, que os “espanhóis” não existiam na altura, bem como o Afonso Henriques só com muito boa vontade os teria vencido em Aljubarrota. Foi então que me mandaram estudar manuais de investigação científica e não lhe ir dar aulas de História no mural. Concordei. Os factos só atrapalham e são claramente desajustados perante convicções alicerçadas em muita ignorância. Há realmente momentos em que “debater”, esgrimindo “conhecimentos” (ainda para mais dos “empilháveis”) é um exercício mais espúrio do que apanhar alfinetes numa meda de feno com as duas mãos numa luva de boxe.

rafa matarruano

6 thoughts on “E Por Falar Em Matarruanos…

  1. A facilidade com que se diz a um doutorado para ir estudar. Com a ignorância arrogante à solta, não me admira que venha mesmo um Trumpsonaro para Portugal.

  2. E o escritor Olavo de Carvalho, que Bolsonaro refere como um dos pensadores que mais o influenciaram? O que pensa dele o Paulo Guinote?

    Há quem o idolatre, há quem veja nele apenas mais um charlatão entre os muitos que existem no Brasil…

  3. Acho que é defeito de ser professor de História, acontece-me o mesmo .

    Vamos ver onde ficará o fim, está a parecer-me que vai ter de rezar muito!

  4. É bem feito. Aqui há dias um outro comentador advertia aqui que não se deve lutar com um porco porque o porco gosta e nós acabamos sujos.
    Ora, pela mesma lógica, não se deve discutir História com um matarruano, acabamos desesperados e ele, como besta que é, não aprende nada.
    É por essas e por outras que nunca tive Fuças Buk e nunca terei. Redes só as de pesca.

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