Cócó na Fralda!

O primeiro passo é memorizar e usar a sequência ”pergunta – ouve (observa) – respeita” e podemos começar com o hábito de perguntar, desde o primeiro dia. Por exemplo, na altura de mudar a fralda de um bebé. Embora o bebé ainda não tenha a capacidade de responder verbalmente, podemos olhá-lo nos olhos e suavemente perguntar ”posso mudar a tua fralda?” e fazer uma breve pausa, observando a linguagem não-verbal do bebé, para depois prosseguir para a mudança da fralda. Ou não. Pode parecer estranho para alguns, mas o treino e a prática é reveladora. Se estivermos bem atentos, vamos perceber que o bebé está constantemente a comunicar connosco, e às vezes pode ser necessário ficar assim a conversar mais um pouco antes de proceder à mudança da fralda. Se estamos perante uma situação de cumprimentar uma criança e temos vontade de lhe dar um beijinho, perguntamos primeiro, ouvimos/observamos a resposta, e respeitamos a resposta. É simples, mas não é muito natural na forma como nos relacionamos com as crianças na nossa sociedade. Como mães e pais conscientes queremos que entendam e sintam que são as donas do seu corpo e da sua integridade, merecendo sempre ser respeitadas.

baby

(mais elementos sobre esta genial teorizadora)

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A Mistura Explosiva

A promoção de uma Educação Mínima (poderemos considerá-la de “aprendizagens essenciais”) tem como efeito a promoção activa da Ignorância, disfarçada por retóricas que apresentam os “Conhecimentos” como algo “empilhável” e muito relativo, em que Ciência e Crença são como que equivalentes.

O resultado é uma maioria de cidadãos com um enorme défice para lidar com uma multiplicidade de informação. É falso que a “competência” para usar as tecnologias corresponda a uma capacidade de selecção de informação, a qual só se consegue com bases sólidas de conhecimentos e das técnicas/metodologias fundamentais para o estabelecimento do chamado “método científico” que permite distinguir o falso do verdadeiro, sem relativismos oportunistas, diferenciar o que é falsificável do que foi falsificado, separar correlações falaciosas do que são causalidades lógicas.

Cidadãos ignorantes são vulneráveis aos discursos que promovem o Medo. Porque não têm as ferramentas para ir além do uso das novas tecnologias e do acesso à informação, falsa ou não. Os populismos na sua variante puramente demagógica e falsificadora crescem em ambientes em que o aumento do acesso à informação (e mesmo à “cultura”) vai a par do crescimento exponencial de uma iliteracia/ignorância funcional. Em que a torrente “informativa” aumenta a insegurança e o Medo.

Um Medo que desperta instintos de defesa contra o desconhecido, o diferente, que não se consegue compreender, que é necessário conter, limitar, muralhar, censurar, apagar. E a “Sociedade do Conhecimento” torna-se, mesmo em países desenvolvidos, uma Sociedade da Ignorância que promove a exclusão do que é encarado como ameaçador. A Crença (irracional) supera a Ciência (racional). As soluções autoritárias baseiam-se nos medos irracionais e promovem discursos activamente anti-científicos. Apaga-se a Memória e faz-se acreditar que é possível recomeçar sempre todo um edifício que levou séculos, milénios a erguer.

A Educação é sempre a solução para romper este ciclo. A preservação da Memória Colectiva é indispensável. É o caminho para uma Cidadania plena, porque informada. Mas não pode ser uma Educação Mínima. Relativista. Essa é a que oferece apenas o “essencial” para dar uma aparência de universalismo democrático. Cria uma ilusão. Disfarçada com uma linguagem de boas intenções. Que promove uma massa de cidadãos facilmente manipuláveis. Pelo bombardeamento de informação. A falsa. A do Esquecimento. A que aposta no Medo.

PosVerdade