Flexibilidade Comercial

Depois de uma mentora do pafismo educacional publicar um manual para as flexibilizações e autonomias num grande grupo editorial, é a vez de me chegar a publicidade a um outro manual (mais virado para as “práticas”) do seu colega mentor da coisa no grupo editorial concorrente. Fizeram bem, dividiram-se e assim conseguem o melhor de dois mundos a duplicar. Chamem-me puritano, qualquer coisa assim, mas há anos e anos que critico esta forma de estar por dentro de tudo e ainda fazer a festa cá fora. Quando se criticam tanto os professores por questões menores, fica todo o campo aberto para os especialistas serem consultores do poder político, neste caso do ME, e delinearem os traços de políticas que depois aparecem a explicar em publicações de tipo comercial e não emanadas do próprio ministério com quem colaboraram. Sim, eu sei que os tempos estão para organizar a vidinha como se pode e para serem arquivadas todas as questões de tipo “ético” (ouvi uma advogada de um recente arguido que beneficiou de arquivamento da queixa contra si a dizer claramente que as questões éticas não são da competência dos tribunais e a verdade é que tem razão), mas isto começa a causar um certo incómodo, porque se repete uma e outra vez e tem quase sempre o mesmo “círculo” a desenvolver estas belas práticas. A sério, quase consigo ver já os nomes no frontispício dos manuais sobre Educação “Inclusiva” que devem estar por aí a aparecer, a ver se apanham a boleia das vendas natalícias de fim de ano.

smart-ass

 

6 thoughts on “Flexibilidade Comercial

  1. Até agora a parte mais inclusiva, para mim, foi a prática. Em tantos anos, nunca frequentei as cantinas das escolas. E gostei muito. Tive de esconder os risos, porque sou professora. (…) Passo qualquer outro comentário e agradeço a vinda dos manuais, fazem-nos muita falta.

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  2. Tudo muito oportuno, Paulo.
    Daqui a uns tempos, voltam a inventar outra «coisa». E outra e mais outra… e nós ainda temos que dar seriedade a estas brincadeiras.

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  3. O Paulo já disse tudo.
    O que fala sempre mais alto é o espírito comercial.
    O que importa é fazer-se pela ‘vidinha’, seja lá de que forma for…

    E lá voltamos nós outra vez à questão da velha e desusada ética…
    Estamos a ficar arcaicos, velhos e ultrapassados, com certeza…
    Esta ‘malta’ é que tem visão ‘à séc. XXI’. 🤓

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  4. Na sua origem e formação, boa parte dos “mentores” que pululam pelas “ciências” da educação ( “ensinando” , escrevendo e dando bitaites ) pertencem à estirpe do sr. M. Nogueira. Em certa medida , o ensino em Portugal está nas mãos destes arrivistas.

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