Hoje O Teatro Veio À Escola

A miudagem riu-se, pulou, participou, gostou, saiu satisfeita de uma hora e tal de diversão educativa. Não me ocorreu grelhar a actividade, mesmo se pedirei aos miúdos para dizerem do que mais (ou menos) gostaram. Sou tão mauzinho a recolher evidências que nem tirei fotos muito prestáveis para exibir em relatório. Comigo, o futuro do futuro está desgraçado. Mas desde que os alunos fiquem felizes com algo adequado ao momento, aprendam a lenda de São Martinho e o que é o ouriço das castanhas, o resto afigura-se-me de relevância sublimemente secundária.

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@s Grelhador@s Nunca Deixaram de Estar Entre Nós

A operacionalização da Cidadania e Desenvolvimento (entre outras coisas do pafismo curricular) está a alimentar aquela estirpe de pessoas com um distúrbio bem identificado e que é o da grelhice crónica. Relembremos que a nova disciplina terá pouco mais de 30 aulas ao longo do ano lectivo. Sim, claro, a CD é uma área que se pode transversalizar e perpendicularizar numa perspectiva secante à tangente da inter/multidisciplinaridade. E vai daí, começam a sair coisas destas /atenção que isto faz parte de um pacote de sete documentos despejados sobre os operacionalizadores.

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(entretanto, vou começando a fazer um novo compêndio antológico de toda esta impetuosidade conceptualizadora-grelhista)

Isso Significa Que O Passado Foi Todo Mau E Não Teve Futuro?

Sim, eu sei que os destaques editoriais por vezes não são os mais felizes e até entendo – com boa vontade – a ideia, mas isto parece-me aquele tipo de adesivagem situacionista que me arrepela tudo. As minhas desculpas ao novo director do Centro de Formação de Escolas do Concelho de Almada (José M. Lemos Diogo, adjunto de um anterior secretário de Estado) se o que quis dizer não foi bem o que ficou escrito, como se o nosso passado não tivesse sido marcado por nada disto. A mim, impressiona-me a forma como há quem ande com tanta vontade em amesquinhar tudo o que foi feito, para que a mediania actual parece excepcionalidade. Os arautos do futuro do futuro começam a chatear, de tanto teclarem sempre o mesmo.

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(sim, também vem no JL/Educação de hoje)

Pluralismo

Na mesma edição em que olhares mais críticos sobre o presente em algumas áreas da Educação (e como aqui chegámos) como o de Carlos Fiolhais ou mesmo o meu, surge um texto do ex-secretário de Estado da Educação e depois administrador do Grupo Leya; Jorge Pedreira, que agora apenas se assina “Professor da Universidade Nova”. Nesse texto, Pedreira escreve, como outros teorizadores da carreira docente na área do PS, sobre a necessidade de reconfigurar a carreira docente e, no fundo, aplainá-la, reduzindo as possibilidades de progressão, alegadamente através da valorização dos escalões mais baixos e amputação no ritmo de chegada ao “topo”. No fundo, uma teoria que ouvi a várias “personalidades” (do PS ao CDS, mas com alguns ecos no Bloco, sempre defensor da igualdade sem ver como) e que se baseia numa carreira com menos escalões e mais longos, cujo objectivo é apenas – por muito que digam o contrário – reduzir a progressão salarial dos docentes.

Não sei bem porque Jorge Pedreira decidiu escrever sobre este assunto, depois do período em que andou por pastagens mais verdes a administrar interesses que antes tutelava. Nós lembramo-nos dele, da equipa a que pertenceu, de tudo o que fizeram e que deixaram, mesmo que os “titulares” tenham formalmente desaparecido. Claro que Jorge Pedreira tem todo o direito a escrever o que bem acha sobre um assunto que fez parte da sua área de intervenção como governante. Até porque agora usa uma linguagem aceitável relativamente à que recorria há uma década para se referir aos professores. É a vantagem do texto impresso. Parece fazer recolher algumas garras retóricas a quem quer parecer bem. Mas isso não chega. Porque continuam lá passagens demagógicas que nos fazem lembrar tempos muito obscuros, aqueles tempos em que muita gente que quero acreditar de “bem” fez tudo por não ver muito do que se passava em seu redor. Ou pior… via e fazia que não para governar a vidinha.

Sim foi uma festa, pá!

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