A Lei da Rolha?

O Luís Braga solicitou à DGAE a lista dos docentes dispensados de componente lectiva (em variados graus) para efeitos sindicais. Atenção que, tirando as cúpulas federativas que entram por outro lado, é uma lista acessível aos directores de escolas. Eis a resposta, digna de uma concepção muita opaca de administração pública/Estado:

DGAESind

Como o Luís é um tipo mais paciente para responder a estas questões de transparência e opacidade, numa aliança tácita que não vou qualificar (desde quando as dispensas sindicais configuram uma situação de protecção de dados pessoais? só se pediam as organizações e nomes, nada de outros elementos “privados”), replicou da forma que se segue:

From: Luís Sottomaior Braga <*****@gmail.com>
Date: qua, 7 de nov de 2018 às 22:31
Subject: Ofício B18061894P – pedido de revisão da decisão comunicada (ponderando o RGPD com fundamento na LADA)
To: geral@dgae.mec.pt <geral@dgae.mec.pt>

Ex.mo Senhor Dr. Rui Miguel Soares

Encarregado de proteção de dados da Direção Geral da Administração Escolar

Em resposta ao ofício em epígrafe ,que V.Exa remeteu em nome da DGAE, organismo junto de quem realizou pedido de acesso a documentos, Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista, já antes identificado, vem, por este meio, solicitar que reveja e decida em sentido contrário a posição sobre a  não entrega dos documentos solicitados, vertida nesse ofício.

Na verdade, pondo, obviamente, de parte a hipótese de nele se estar a gozar com um cidadão que exerce o seu direito de requerer informação nos termos da LADA (hipótese que, após a leitura do ofício se excluiu, imediatamente, por absurda, pelo profundo respeito que merecem ao signatário outros trabalhadores em funções públicas como V.Exa. que não consumiriam tempo de trabalho financiado pelo Estado em tais devaneios) não se logra descortinar outro fundamento para a resposta recebida que não seja um clamoroso lapso de que tenha sido V.Exa. vítima na compreensão do pedido.

A questão da proibição de tratamento dos dados solicitados, que invoca como fundamento da negação de acesso, é absolutamente deslocada e despropositada no caso concreto.

Na verdade, o que foi pedido, mais que dados a tratar, foram ofícios (com os dados já tratados) que existem (e se sabe que existem, até por se ter já uma cópia de um deles, fornecida por um sindicato) que incluem a listagem de dispensas a professores (trabalhadores em funções públicas) a quem o Estado, através da DGAE, confere dispensa, nos termos da lei sindical, a expensas do Orçamento do Estado, para o exercício de funções em sindicatos em representação dos outros docentes (em geral, e incluindo o signatário, dado os sindicatos terem poder de negociação coletiva, com efeitos na esfera jurídica dos representados e de todos os restantes incluídos na carreira).

Essa dispensa custa dinheiro público, na medida em que, não lecionando, têm de ser substituídos e os seus salários lhes são pagos. Dispor do seu tempo de trabalho constitui uma vantagem para as entidades associativas (não estatais), que são os sindicatos, equiparável a uma subvenção, e que só pode ser escrutinada pelos cidadãos (que a pagam) através do acesso aos documentos em que tal ato administrativo de concessão da dispensa é produzido, cujo direito de acesso é legal e constitucionalmente garantido.

O tratamento dos dados, não é suscitado pelo requerente e já está realizado desde que foi produzido, pelo menos, um ofício para cada sindicato a comunicar tal ato (que, no essencial, são os documentos que se solicitam).

Portanto, se como V.Exa. alega, o tratamento desses dados é ilegal (facto que se compreende mal, dado que não é ilegal a um departamento do Estado exercer as suas competências e produzir documentos para o fazer, já que, mesmo o relevantíssimo RGPD, não pode resultar em paralisia do Estado), a ilegalidade já existe há muito e até se tem algumas cópias dela (fornecidas por sindicatos). Por isso, chegados a esta constatação, poderia perguntar-se até que medidas, como encarregado de proteção de dados está V.Exa. a tomar para acabar com essa ilegalidade, que anuncia existir no procedimento cujos documentos se solicitam (pergunta que se revelaria retórica, dado que, para exercer as suas competências, a DGAE não pode deixar de tratar esses dados e produzir documentos com eles).

Por isso, toda a argumentação jurídica aduzida no 1º parágrafo da resposta de V.Exa. é relativamente irrelevante para o caso que, na verdade, se resume a esta questão básica a que V.Exa responde negativamente, indeferindo o acesso, sem fundamentar:

Pode um professor, incluído na carreira, por isso, com interesse legítimo, saber, através da leitura dos documentos em que a DGAE decide atribuir as dispensas a outros docentes para efeitos de trabalho sindical (fornecidos nos termos da LADA), a dimensão dessas dispensas e a sua distribuição pelos diversos sindicatos? (registe-se, por exemplo, que essas dispensas têm, entre outros efeitos, consequências em concursos a que o requerente concorre e na distribuição de serviço de escolas, em que surgem, ou não, vagas para concurso por causa delas).

O cidadão requerente invocou um interesse imediato e direto inquestionável. Os documentos existem (como já foi explicado a outro responsável dessa DGAE – que antes tentou responder, sem recorrer à nova e rebuscada teoria de que os documentos não existem por o tratamento ser ilegal – fornecendo-se-lhe então o nº de um dos ofícios para facilitar encontrar a série).

Se há problemas com a divulgação dos dados pessoais dos beneficiários das dispensas (que até já se sabe quem são, pois são dirigentes sindicais e publicitam essa condição), sempre poderia V.Exa. (ou o responsável pelo acesso a documentos, nos termos da LADA, o qual, aliás a DGAE não publicita, e não será, com certeza, por essa obrigação legal gerar “tratamento ilegal de dados”) solicitar parecer à CADA sobre como proceder, ou decidir expurgar o documento a fornecer dos dados pessoais e fornecê-los na parte acessível, nos termos legais.

Em termos sucintos, a fundamentação de V.Exa. para negar o acesso (e não se discute aqui, e por agora, a competência legal para ser V.Exa a fazê-lo, dado que invoca apenas na resposta a condição de encarregado de proteção de dados) não responde efetivamente ao pedido de forma fundamentada. Antes tenta lançar uma cortina nebulosa sobre uma questão que além do RGPD implica outra legislação.

Espera-se que V.Exa releve o tom pouco formal desta comunicação, porque, afinal, ambos sabemos que a questão concreta, embora revestida nos termos burocráticos “requerimento”, “queixa”, “acesso” ou outros, é essencialmente de natureza política e pode ser encarada com mais clareza de análise nesses termos.

Não é o requerente assim tão ingénuo que não saiba bem da inoportunidade de, neste momento concreto, serem fornecidos os dados dessas dispensas sindicais e eventual revelação pública dos seus custos e dimensão.

Não sendo ingénuo, mesmo assim, custa entender por que razão, tendo já o requerente evidenciado que não vai desistir, não atua o departamento governamental responsável encarando a realidade de que esconder esses dados, como vem fazendo, pode ter a final piores consequências.

Compreende-se que a argumentação jurídica frágil seja a última barreira possível para a questão política que a revelação desses dados sempre coloca: como podem pessoas que dependem do Ministério da Educação para receber um benefício, tão relevante em termos pessoais, que se traduz em vantagem de localização do trabalho ou redução potencial do trabalho letivo, negociar com liberdade total (e sem impedimentos éticos, morais e até legais) em representação pura dos seus colegas?

Mas essa aparente inoportunidade política do acesso aos documentos, a que se quer resposta, não pode ser resolvida, negando ao requerente um direito constitucional e legal de acesso individual a documentos e, para mais, o que se considera particularmente desagradável (para moderar os adjetivos), invocando, na resposta, a despropósito, para negar direitos fundamentais, a própria Constituição da República Portuguesa.

A mesma Constituição que prevê no seu artigo 268º o princípio da administração aberta, em consequência do qual e da sua concretização legal – a LADA- o requerente considera possuir e poder exercer, no caso concreto, o seu direito de acesso a documentos administrativos.

É tal direito fundamental e a sua adequada ponderação que não está a ser respeitado por V.Exa (mesmo face, por exemplo, aos eventuais direitos à proteção de dados pessoais em causa, cuja eventual relevância não se nega, mas que não têm, nem a sustentação, nem o impacto que V. Exa lhe atribui).

A face política do caso e a similitude evidente com a recente situação das listas de subvenções vitalícias de ex-titulares de cargos políticos, em que foi usada argumentação semelhante para negar acesso (embora até aí, sendo errónea, pudesse ser mais consistente) leva a remeter conhecimento desta comunicação ao Gabinete do Senhor Primeiro Ministro, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República e à Casa Civil de Sua Excelência o Senhor Presidente da República (último garante dos direitos fundamentais).

V. Exa. invoca a Constituição. É essa mesma Constituição e um direito fundamental, tão fundamental como a proteção de dados, que se considera que está em risco se vingar, no caso concreto e na prática administrativa geral, a perspetiva em que se sustenta para decidir.

Não se produz queixa à CADA por considerar que a responsabilidade de pedir o parecer prévio dessa entidade é de V.Exa (mesmo dando-se conhecimento a essa instituição desta comunicação para os efeitos que tal órgão entenda convenientes).

Além disso, decidiu-se que, em vez de seguir essa via da queixa (e dada a repetição e vulgarização do uso desta espantosa argumentação que faz cessar totalmente a transparência dos documentos não reservados ou secretos do Estado, em nome de virtuais e mal fundados problemas de proteção de dados), o assunto merece vir a ser sujeito a decisão judicial, para definir de forma mais certa o quadro jurídico do problema e do exercício do direito fundamental de acesso a documentos.

Como não tem o requerente meios financeiros para tal, pondera, se essa via tiver de ser usada, o recurso a crowdfounding para iniciar o processo, o que implica que, de forma curial, informe V.Exa. da provável larga divulgação pública da questão (já que terá de ser suscitada em público e com larga divulgação para obter os referidos meios de acesso à justiça). E como a questão é política e de limitações abusivas do exercício de direitos fundamentais tal é, com certeza, compreensível.

Daí instar V.Exa a rever a decisão, substituindo-a por outra que permita o acesso aos documentos solicitados mesmo expurgados, evitando-se tais canseiras e incómodos.

Deste pedido é dado conhecimento, por correio eletrónico, à Ex.ma Senhora Chefe de Gabinete do Ministro da Educação, considerando que não será necessário remeter cópia à Ex.ma Senhora Diretora Geral, para quem este assunto é sobejamente conhecido e que, se considera presuntivamente, é a responsável de acesso nos termos da LADA (e que apenas terá delegado a resposta em V.Exa.)

Com os melhores cumprimentos e disponível, no contacto telefónico já remetido, para qualquer esclarecimento adicional que permita desbloquear a situação,  

Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista

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57 thoughts on “A Lei da Rolha?

  1. Ainda nos espantamos com aquilo que estamos à espera!
    Então os xalentes e mb nas escolas não são, também, um segredo bem guardado?!
    Não são também moeda de troca para o votito na farsa salazarenta do CG?

  2. Em 1º lugar os meus sinceros parabéns ao Luís Braga pela iniciativa.
    Em 2º lugar novos parabéns pela excelente redacção do requerimento, pela argumentação clara e precisa. Estes dons já vão sendo raros e tantas vezes vemos Professores a maltratar a língua portuguesa que, quando a vemos assim tão bem usada, só podemos alegrar-nos.
    Em 3º lugar, devemos todos apoiar a iniciativa e, se preciso for, ajudar a reunir fundos para avançar para a via legal. Eu ajudo. Se todos ajudarmos um pouco, será o suficiente.
    Força, Luís Braga.

  3. Ao Luís Sottomaior,

    O que é que o Luís Sottomaior pretende afinal?

    O direito de, como cidadão, saber a lista de delegados sindicais a nível nacional, avançando com um “recurso a crowdfounding (?) para iniciar o processo” ?

    Ou:

    a) saber sobre a “eventual revelação pública dos seus custos e dimensão”

    b) contestar “benefício, tão relevante em termos pessoais”

    c) contestar o “negociar com liberdade total (e sem impedimentos éticos, morais e até legais) em representação pura dos seus colegas?”

    d) etc, etc,

    Mais acrescento que este é um texto pseudo formal jurídico, mal esgalhado, alternando pseudo direitos de cidadania , digamos, com estados de alma e considerações muito pessoais sobre a acção de delegados sindicais.

    Conclusão óbvia do seu texto- acabe-se com os delegados sindicais e suas “mordomias”. Futuramente avançarei para o Acabe-se com os sindicatos, numa qualquer iniciativa de cidadania e flexibilidade, com recurso ao “crowdfounding” (?)

    A propósito: Será crowdfounding ou crowdfunding?

    Sinceramente, caros colegas, este texto e as suas intenções têm de ter um contraditório. Muito mais havia a dizer, mas não tenho tempo nem paciência.

    1. Tem Vossa Excelência toda a razão é crowdfunding…. é a chamada arreliadora gralha…

      Quanto ao resto ganhe juízo….

      Os sindicatos poupavam todos estes trabalhos se fossem minimamente transparentes e pusessem nos seus sites a lista das pessoas que são dirigentes financiados pelo Estado. Ou a transparência só é boa para cargos políticos estatais?

      O que pretendo está no texto:

      “Pode um professor, incluído na carreira, por isso, com interesse legítimo, saber, através da leitura dos documentos em que a DGAE decide atribuir as dispensas a outros docentes para efeitos de trabalho sindical (fornecidos nos termos da LADA), a dimensão dessas dispensas e a sua distribuição pelos diversos sindicatos?”

      Em termos simples quero ler os papeis (como tenho direito) e depois decidirei o que pretendo (há-de vir o estado de alma…).

      E se quer contraditório, faça-o.

      1. Agora entendi, acho eu.

        Pretende ler os papéis.

        Depois, decidirá o que pretende.

        Creio, no meio de um texto muito emaranhado, saber o que pretende e que estado de alma por aí virá.

    2. F: você já nasceu assim ou foi alguma coisa que lhe aconteceu? Sei lá, pode ter batido com a cabeça na parede…fortemente…por exemplo. Dizem que nunca mais se fica normal.
      Você calada até nem chateia, é pena abrir a cloaca.

      1. JC,

        O seu comentário lá de cima com os 3 lugares é mesmo bacoco.
        Com o ministro Crato, a Filosofia ficou à beira do abismo. Consigo deu um passo em frente.

        E agora, em 1º lugar- não cumpriu a promessa e não resistiu a responder ao meu comentário;
        Em 2º lugar, registo o seu apoio ao “crowdfounding”.

      2. Mais ou menos isso que escreveu foi o que o presidente americano D. Trump respondeu a um jornalista da CNN, caro JC.

        Professor de Filosofia ou de filosofia?

      3. Sabe onde pode enfiar a sua opiniãozinha hipócrita? dou-lhe uma dica: é como um CD, redondo e com 2 letras.

    3. A transparência dos actos da administração pública não precisa de explicitar motivações…..simplesmente deve ser!……Se não tem tempo para contraditório, não se deixe tentar por tácticas de guerrilha intelectual: bater e….fugir! ….mas quando tiver tempo não deixe de nos prendar com a sua fundada prosa! Bem haja!

  4. O contraditório é pseudo-pontuado.

    Tivesse eu paciência… e apostaria singelo contra dobrado que se isto fosse aplicado a funcionários parlamentares do psd/cds, seria belissimamente esgalhado.

    Aquilo da hipocrisia está bem e recomenda-se.

  5. Misturar e comparar subvenções vitalícias de políticos e parlamentares com direitos e deveres de delegados sindicais é ignorância e desonestidade.

    Aquilo da hipocrisia cabe perfeitamente neste texto do L Sottomaior.

    É hipócrita, desonesto, ignorante, mal escrito, mal gizado, biased e com erros graves como o do crowdfounding, que creio ser uma variedade nova sugerindo andar na peugada de alguns people.

    Defender este texto ( duvido que esteja de acordo com ele, apenas dará um certo aumento de participações no blog) voltando, mais uma vez e sempre, em chutar para fora da área não é nada. É adiar o jogo, não concretizar o golo e queixar-se do árbitro a seguir.

    1. Se se quer transparência, ao nível de um levantamento de delegados sindicais citados no texto, então, segundo a lei aplicável, peça-se à direcção das escolas ou aos sindicatos essa informação/listagem.,

      O Luis Sottomaior que , creio, já foi director de uma unidade orgânica, deve saber isto.

      Aqui é que é uma questão de “crowdfounding”- na peugada dos delegados sindicais.

  6. Aquele gajo, deputado, Silvano, fez uma aldrabice com a presença no local de trabalho.
    Indignação!
    Se fosse “outra coisa” precisaria de picar o ponto? Teria sequer alguma falta, mesmo que faltasse de caras?

    Hipocrisia, ponto, final, parágrafo.

  7. Transparência do Estado?
    Só se for prós outos. Prós amigos, não se usa, é anti-democrático, na base da esgalha mal gizada.

    Mas é coerente… há quem não goste de esgalhar nada em nome próprio. Só esgalha em galho alheio.
    Tipo aquelas aves parasitas em cima dos paquidermos, mas sem as vantagens pró paquiderme.

    1. E pronto, Paulo, lá vem o mesmo tipo de resposta.

      Quando não se quer falar sobre o assunto, desvia-se o dito.

      Quanto ao esgalhar, eu só esgalho em nome próprio numa situação como a supra citada no post quando acho que o devo fazer. E, quando o faço, é com muito mais cuidado na escrita e sem subterfúgios de conteúdos nas entrelinhas e sem juizos de valor e adjectivações subjectivas e depreciativas.

      Se o registo é formal, não bastará parecer que o é. Tem de o ser. Apesar de o Luis Sottomaior ter dito algures que não era bem formal se bem me recordo porque não vou ler o texto outra vez.

      1. Porque deve o Estado ocultar as informações sobre as pessoas que exercem cargos que são, para todos os efeitos, “públicos”?

        A questão essencial é essa. A deriva hipócrita esgalha em outra direcção para distrair do que é importante.

        Desde que a geringonça chegou ao poder, estes elementos, que surgiam no site da DGAE, desapareceram.

        Mas como a geringonça é de “Esquerda”, então a opacidade é boa.

        Se fosse nos tempos da “Direita” que o Crato tivesse ocultado listas de destacamentos para as ipss ou para a epis.. o que seria? Mau, péssimo, horrível.

      2. Então, não se percebe tanta agitação e tanta palavra assassinada. Se é fácil obter a informação, então qual a indignação mostrada no texto?

  8. Por exemplo… fui do Conselho de Educação da FFMS durante uns 6-7 anos.
    Não recebia nada, excepto pelas reuniões que eram quase sempre ao sábado. O meu nome aparecia nos documentos oficiais enquanto tal. Nunca essa colaboração envolveu qualquer dispensa ou verba pública.
    No entanto… um famoso sindicalista, um F gajo, dito Santos da Remax, mais um tal de Vargas, morador perto da sede da dita Fundação chagaram-me o juízo anos a fio com insinuações sobre imensos interesses ocultos.

    No entanto, o seu sindicato, formado por muita gente boa e alguma desprezível (como esse par e mais alguns energúmenos caluniosos), aceita ter a lista dos professores dispensados para a sua organização sem conhecimento público.

    Certas puridades nunca os criticaram, nem esgalharam nada, bem ou mal gizado.

    Porque as puridades são falsas, manhosas, insidiosas, desprezíveis.

    Mas entram por qualquer frincha.

  9. Outro exemplo: durante algum tempo fui com frequência a programas televisivos de antena aberta em defesa da posição dos professores. Sempre o fiz com recurso ao meu automóvel, pagando portagens, não pedindo qualquer compensação. Fossem órgãos públicos ou privados.

    Mas não sei em que moldes isso foi feito por quem tem a missão de “representação” e por lá apareceu algumas vezes, não sei se com senhas da organização pró gasoil, se em táxi fretado para o efeito.

    Isto de esgalhar tem a sua graça.
    É bem gizado, pensado, concebido, conceptualizado.

  10. A estupidez ou imbecilidade hipócrita confunde o direito à informação oficial com acessos informais.
    As “puridades” são hipócritas, desprezíveis, “anojam”.
    Porque sabem que sobrevivem no artifício.
    Voluntariamente enganam.
    São trumpetes.

    1. Mas afinal, qual era o objectivo? Saber de uma listagem. Certo?

      Ela não terá vindo por via oficial. Não sei porquê.

      Veio com “acessos informais”, ou seja, foram dados pelos sindicatos que por sua vez os transmitem a nível superior.

      Logo, toda esta troca de cartas e ofícios é hipócrita na sua génese. É um artifício.Voluntariamente enganam.

      A informação está at the click of a mouse.

  11. @s gaj@s F andaram nas mesmas paragens a ofender e caluniar “pessoalmente” aqui este caso pessoal.
    Como disse, são desprezíveis.
    Viram casacas.
    Encenam a lisonja.
    Não percebem o asco que despertam.

    Mas não fujamos ao essencial: desde 2015 deixou de publicitar um conjunto de “destacamentos” ou “dispensas”, equivalente a outras mobilidades estatutárias que conhecemos.

    Em 2018, alegam a defesa de “!dados privados”.

    Isto não incomoda @s gaj@s F. Incomoda-lhes outro tipo de coisas.
    A opacidade de Estado é relativa.

    @s gaj@s F criticam quem se mexe fora das “organizações”, mesmo quando são dessas organizações. Desde que fujam ao guião.

    Ide…

  12. @ gaj@ F mordeu o isco.
    Escreveu o que esperava.
    Não adianta provocar mais.
    🙂

    A estupidez humana tem muito poucos limites e há sempre que ter esperança nela. Mesmo quando ensaia um pastiche, espalha-se. Falta natural de talento para a mimese irónica.
    Foi divertido.

    Ficou exposta a concepção hipócrita do que deve ser a transparência do Estado.

    Tungas, esgalhou.

      1. Depois de ser levada em ombros para o canto do ringue, ficou sem perceber nada e ensandeceu. Deve pensar que é jornalista… e confunde questões sobre factos com opiniões sobre qualquer coisa.

  13. F dassseeee ,

    Ser ” F ” deve ser chato e triste.
    Só dizer bosta,só desconversar ,ver todos os outros sem pachorra para aturar…ninguém lhe ligar bóia …mas insistir,insistir …
    Só pode ser uma triste “F ” de Fernanda.
    Vai dar banho ao cão !
    Tenho pena dos desgraçados dos alunos/colegas que levam com estas/estes cromos ” F “. Coitados !!!!!
    Não há pachorra ! Não há mesmo !
    F dassseeeee !

  14. “@s gaj@s F criticam quem se mexe fora das “organizações”, mesmo quando são dessas organizações. Desde que fujam ao guião”
    Conheço um bom exemplo. Soube de algumas “atrocidades laborais” do tempo do Crato (já revertidas) concedidas silenciosamente, e que segundo a dita fonte (antes dentro e depois fora apesar de sóci@ de base) teve assinatura de quem as devia combater.

  15. Professores ( mesmo que uns o sejam em part time…) uns contra os outros, assim não vamos lá!
    O inimigo é outro! O inferno tem origem na 5 de outubro e arde nas escolas, alimentado pelos comissários políticos residentes.
    O verdadeiro inimigo é o excesso de trabalho, é a impunidade dos horários ilegais, é a mentira constante, são as injustiças na carreira, é o bafio salazarento ( agora deverá ser estalinista…) que inunda as direções escolas.
    O Luís tem razão, falta priorizá-la.
    Algumas questões práticas…
    Por que será que se demitem chefias diversas (médicos, enfermeiros, técnicos vários…solidários com os colegas) e não põe o lugar à disposição um único diretor?
    Por que será que, em detrimento de solidariedade, encetam perseguições, com a bênção da igec? O quê ou quanto ganharão com isso?
    Por que será que o regresso da democracia às escolas não é a, primeira, prioridade?
    Vivemos uma situação caricata, é como se quiséssemos/estivéssemos a discutir questões sociais na Coreia do Norte!
    O governo sabe bem disto, por isso, em tempo de profunda austeridade, se dispôs a aumentar em quase 100% os seus comissários políticos). Também por isso mantém um regime norte-coreano nas escolas, mesmo que o regresso à democracia não custe 1 cêntimo!
    A quem LECIONA (trabalha, mesmo) importa primeiro a resposta a estas questões do que o número de sindicalistas. A falta de oxigénio nas escolas é já insuportável…

  16. …isto foi manchete de um jornal nacional no verão. Preocupação/ prioridade não deve ser o número de sindicatos e sindicalistas mas o que (não) andam a fazer.

  17. O que para aqui vai! Depois de seis horas a aturar o que é inerente a esta profissão , ali “na marra”, como dizem os nossos irmãos, que até parece que levei uma sova, a sentir um cansaço indescritível, eis que constato mais uma vez a forte união da classe docente! Continuemos assim, os nossos adversários agradecem.

    O colega Luis S. B. Baptista é livre para tomar as iniciativas que entender, claro. Ele lá sabe.
    A colega F também é livre de discordar.
    E eu? Eu lamento não receber um convite para um destacamento ou algo do género que me afaste deste malfadado quotidiano que me diga as forças. É verdade que não me ponho em bicos de pés, não ando a mendigar um favorzinho. 🙄 Mas , tenho pena. A sério.
    Quero a aposentação, como se sabe.

  18. Aqui chegado gostei do contraditório entre o autor do texto e “F” e entre o colega Paulo e “F”, pois tal, ainda que vivo, decorreu de forma civilizada e urbana e foi proveitoso para o esclarecimento de quem por aqui passou.
    Mas gostei sobretudo dos comentários de CJ e A. Sérgio que foram ao encontro daquilo que eu penso.
    Não gostei nada dos comentários de José Chorão, Joaquim Riacho e por fim Magalhães, que só posso classificar de desprezíveis pelo tom machista, pouco civilizado e espiritualmente monocromático que lhes imprimiram. Não se esqueçam de que o auditório vai muito além daqueles que habitualmente aqui deixam expresso o seu comentário. Se não gostam de algo “ponham na beirinha do prato” em vez de mostrarem uma grosseria tão rasca.

    1. Ruas,
      No cinema ,o colega começa a ver o filme desde o início ?
      Ou após o intervalo ?
      Essa agora …tom machista ☺️…pouco civilizado… é a sua opinião que respeito.
      Mas há que ver os filmes desde o início, e depois sim ! Opinar !

  19. Subscrevo, colega Ruas.
    Como já escrevi há tempos, chego a duvidar que sejam mesmo colegas. O tom acintoso, ou pior, a linguagem desbragada, a boçalidade que revelam nos comentários, revoltam-me e entristecem-me. Qualquer pessoa tem acesso a este espaço, é do domínio público. Os forasteiros curiosos, bem intencionados ou não, ficam com uma ótima impressão da nossa classe, não haja dúvida. Enfim, somos enxovalhados por todos, até pelos nossos (???). Quem não se dá ao respeito…😔

    1. “Nada é por acaso”
      Freud

      Sabe, há toda uma história por trás disto. A maldade e a hipocrisia de uma certa comentadora levam à relativa ultrapassagem de alguns limites de linguagem. Nada é por acaso, é uma grande verdade. E para se condenar algo, importa conhecer os ‘porquês’.

      1. “A maldade e a hipocrisia de uma certa comentadora levam à relativa ultrapassagem de alguns limites de linguagem”

        A “maldade”,na sua opinião, é a de se emitir uma opinião com a qual o JC não concorda.

        E como resposta a essa “maldade” o JC defende uma “relativa” ultrapassagem de limites de linguagem invocando retroactivos.

        E não posso deixar de fazer o paralelo entre estas afirmações e o facto de ser um professor e de Filosofia.

        Como alguém já referiu, por aqui passa todo o tipo de leitores, professores ou não. E esta ultrapassagem de limites de linguagem não será, creio, “relativa”.

      2. Gostei desta chamada de atenção para Freud. Já ontem me tinha lembrado dele nomeadamente quando, defendendo a “relativa” ultrapassagem nos limites da linguagem, o JC “relativizou” concluindo:

        “Sabe onde pode enfiar a sua opiniãozinha hipócrita? dou-lhe uma dica: é como um CD, redondo e com 2 letras.”

        Sendo que o conhecimento e a memória são deveras importantes, não é necessário flexibilizar e aprender a aprender o que já se aprendeu.

        Voltando a Freud, lembrei-me das 5 fases do desenvolvimento psicossexual . Como qualquer teoria do desenvolvimento humano,pode ser controversa. E será, se dúvida.

        E eu, que até reconheço a enorme importância das suas teorias, não posso deixar de discordar dele quando afirma que a passividade feminina se deveria à inveja por não ter um pénis.

        Estivesse o Freud vivo, iria certamente defender esta teoria da passividade feminina. O meu prazer seria contra argumentar, esperando que não me apelidasse de “maldosa” e “hipócrita” e despejando um chorrilho de “relativas” ultrapassagens de limites de linguagem e educação.

        Se assim acontecesse, ainda diria a Freud que não tinha ultrapassado a fase Anal.

    2. Linguagem desbragada? Ó filho, deves ser de Cascais, não? Pois olha que, pelos padrões aqui do norte, a linguagem usada foi muito comedida. Sinceramente…
      Vá, vai lá beber o teu cházinho e não te esqueças de esticar o dedo mindinho para o lado.
      Palerma…

  20. a forma mais prosaica de conhecer quem usufrui é através da comissão de horários de cada escola, estando registado quem usufrui de dispensa letiva e quantas horas.

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