A Escola de Caminha Na SIC

Esta é uma boa escola onde muitos já estudaram. Até o Ministro da Educação a frequentou (quando era jovem e bom aluno).
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Desde 2016 que o Presidente da Câmara prometeu renovar aquele espaço. A obra é financiada em 85% pela UE. Os outros 15%, cerca de 3 milhões, tem de ser postos por Portugal. Assim mandam os normativos europeus.
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Existe um projeto já aprovado e muito interessante, mas estamos a saltar de adiamento em adiamento desde 2016 porque dizem que não há empreiteiros.
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A escola está podre de velhice porque o espaço, apesar de apresentar jardins arranjados, plantas e limpeza, tem amianto na cobertura da cantina, da secretaria e das salas de aula. É um congelador durante o inverno e tem baldes no chão a aparar a água da chuva.
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Ninguém aprende ou estuda sem condições. O amianto é altamente cancerígeno, mata lentamente e as crianças passam lá 8 anos inteiros expostas ao veneno.
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Que país é este que arranja 26 milhões para arranjar na Alemanha o lança torpedos do submarino Tridente e não arranja 3 para proteger as gerações futuras?
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O pior é que daqui a 2 meses termina o prazo para se poderem usar as verbas de milhões da UE. Se não se utilizarem agora vão-se perder para sempre por causa do imobilismo e da demagogia deste país bonito mas estranho.
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Como pode o Presidente da Câmara, que em breve vai ser pai, ir à escola hastear a bandeira da eco-escolas numa escola com amianto, que é a escola secundária do concelho e que será frequentada pelo seu próprio filho?
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A escola tem servido para todos os quadrantes políticos usarem nas suas agendas apenas como figurante num filme de promessas vazias.
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A Xicolinha

Era uma vez uma Xicolinha muito bonita e arranjadinha, nela tinha estudado o senhor do pão, o senhor arquiteto, o pai, a mãe, a avó, o avô, o senhor da mercearia e até o senhor ministro!

A Xicolinha andava cansada e tossia muito…estava sempre a espirrar. NÃO ERA NORMAL!

Foi ao médico e ele deu-lhe uns xaropes para aliviar os sintomas, mas disse-lhe que o caso era grave e que não estava nas mãos dele resolver o problema. NÃO ERA NORMAL!

A Xicolinha foi a um padre e este disse-lhe que não era caso de morte até porque não faltava quem nela quisesse aprender. Não lhe faltavam prémios e troféus… NÃO ERA NORMAL!

A Xicolinha, já de cabeça perdida, foi à bruxa, mas esta, a esfregar as mãos de contente por ter tal cliente, só arrotou e defumou. NÃO ERA NORMAL!

A Xicolinha, muito triste e já com pouco ar, foi ao regedor que muito bem nutrido e arejado lhe disse para ir a outro presidente. NÃO ERA NORMAL!

Já sem grande esperança e cada vez mais abafada, a Xicolinha lá foi.
Alvissaras, alvissaras: a solução estava à vista!
Era ano de eleição!
Serás a minha paixão! Disse ele.

A Xicolinha estranhou, o último que se tinha apaixonado por ela foi viver no meio dos refugiados e depois, com a bênção de Deus, foi para as Nações Unidas. Só que nunca mais quis saber dela para nada! E beijava bem. Se beijava!

Bem, nada disto ERA NORMAL, mas, como não há fome que não dê em fartura, a Xicolinha lá vestiu roupa nova e preparou-se para festejar. Afinal o apaixonado arranjou-lhe um cirurgião conceituado que lhe traçou um plano de intervenção e ainda uma fada madrinha para pagar uma boa parte da operação.

A fada madrinha chamava-se Europa, uma das filhas do rei da Fenícia, irmã de Cadmo e há muito raptada por Zeus. Lá onde vivia, no palácio do rapto, pagava em euros todas as próteses que a Xicolinha ia precisar, só não pagava os pensos, as gazes e a tintura de iodo…Vai daí o apaixonado disse: EU PAGO A TINTURA DE IODO! A Xicolinha cantou, dançou e uivou: IA FICAR COMO NOVA!

Espera um dia, espera dois dias, uma semana, duas semanas, um mês, dois meses, um ano, dois anos…e a Xicolinha já em grande agonia grita, chora, berra e desespera. Face a uma velhinha bonita e arranjada no meio de tanta agonia ninguém fica indiferente!

Enganar uma velhinha, NÃO É NORMAL!

O Luizinho, a Mariazinha, a Julinha, o Zequinha, o senhor do pão, a avó, o avô, o senhor juíz, o senhor da mercearia e até o senhor ministro numa só voz disseram:  _ENGANAR VELHINHAS RESPEITÁVEIS E QUE DÃO EDUCAÇÃO NÃO É DE HOMEM com H!

– NÓS VAMOS PAGAR A TINTURA DE IODO, OS PENSOS e AS GAZES antes que a Europa se evapore com as próteses!

Agora a Xicolinha está muito mais feliz à espera que tu também te lembres de como foi boa a educação que recebeste.

O NORMAL é respeitar quem dá educação.
O NORMAL é respeitar os mais velhos.
O NORMAL é não faltar à palavra.
O NORMAL é ajudar quem precisa!

Rosa Maria

Xicolinha

Larry Cuban Sobre Professores E Políticos

Republicação de um texto com 9 anos que o autor, acertadamente, considera manter-se actual:

Consider when a new instructionally-driven policy, say, hand-held electronic devices or a new reading program appears. Teachers ask: Can I learn it quickly or do I have to spend a lot of time figuring out what to do? Will it motivate my students? Does the program contain skills that are connected to what I am expected to teach and what students need? What happens if I need immediate help? Seldom do policymakers either anticipate or pay attention to such practical questions.

These questions reveal that teachers prize ideas and actions that payoff in learning and meaningful relationships with students. They seek concrete and specific solutions to practical classroom problems. The incentives that drive teachers to teach better in their classrooms come more from internal values than external rewards: the joys of seeing students learn and achieve goals, the service they render to society, and similar psychic rewards.

The world policymakers inhabit differs greatly. Their world is largely political where election cycles, budgets, media attention, and measurable outcomes determine job longevity and personal satisfaction. Incentives such as re-election, influencing others, and positive media dominate daily routines. The values of efficiency, effectiveness, and popularity rule.

Obviously, the worlds of teachers and policymakers overlap when it comes to the values of effectiveness although each would define differently which effects are most important and the measures used. Efficiency at the school and district levels—squeezing more test scores out of every dollar spent– is far more a policymaker value than one held by teachers.

In these different worlds, teachers bring moral and service values that differ from the technical, scientific, and reputational values that policy makers hold. Of course teachers seek improvement in students’ test scores but they prize far more changes in students’ attitudes, values, and actual behavior on academic and nonacademic tasks.

lampadinha21

Um Tiro Certo Em Seis (Em Menos de Duas Semanas, Para Quem Se Diz Caçador…)

A média do desempenho do MST no Polígrafo está em linha com o expectável, a menos que decida informar-se a sério acerca dos assuntos sobre os quais escreve e fala assim como se lhe vêm à cabeça coisas que acha, tipo cenas giras de dizer, mas algo maradas em matéria de substância. Afinal, não estou sozinho na convicção de que, afinal, as fake news surgem de onde mais se protesta com elas. Mas desde que a TVI se sinta confortável com o seu novo editor de notícias das noites de 2ª feira, está tudo béééém.

MSTPoligrafo

(longe vão os tempos da Grande Reportagem, onde até a Câncio escrevia coisas jornalísticas passíveis de elitura)

Sapos do Ano

Não sei se agradeça ou espanque quem me inscreveu na coisa, mas parece que, sem saber pevas do assunto, este quintal passou à fase final dos Sapos do Ano 2018 na categoria Educação. Anda por lá também o António Duarte, portanto a iniciativa merecerá alguma credibilidade a alguns críticos residentes, mesmo se são notáveis as ausências de blogues com evidente popularidade. Claro que competir é que é importante. Ganhar vale o que vale, valendo naturalmente mais do que perder, excepto para os que não ganham. Ou vice-versa.

sapos2