A Solução Dos Sete Anos E Três Mandatos

A proposta de extrema responsabilidade orçamental apresentada pelo PCP para recuperação do tempo docente, remete essa recuperação total para 2025, “no máximo”. Não conhecendo os detalhes, e fazendo fé nas declarações de João Oliveira (que contradizem as do actual Mário Nogueira, mas confirmam as do Mário Nogueira de há uns meses, em relação ao risco de ser perder “tudo” no caso de ser chumbado o decreto governamental), a proposta levanta-me as seguintes reservas:

  1. Haverá milhares de professores que nunca conseguirão recuperar esse tempo, visto irem reformar-se antes, de forma antecipada ou não, acabando por ver concretizada em definitvo uma perda.
  2. A remissão para sete anos correspondentes a três mandatos (porque não 12 anos e 4 mandatos) torna a solução muito vulnerável a mudanças de humor nos ciclos políticos.
  3. Essa diluição no tempo fará agravar os efeitos financeiros negativos de uma contabilização, às fatias fininhas, do tempo correspondente a mais de dois escalões e índices remuneratórios da carreira docente.

É melhor do que nada? Claro, até recuperar um dia seria melhor do que nada, ou de um ano ao longo de dez. Mas se esse passou a ser o padrão de conduta do PCP, o partido que se diz de “utopias” para os trabalhadores, estamos tramados. A menos que, claro, isto seja apenas uma manobra para disfarçar a enorme desconfiança que o PCP tem em relação aos professores que tem bastante dificuldade em enquadrar no conceito de “proletariado”.

homens-da-luta

10 thoughts on “A Solução Dos Sete Anos E Três Mandatos

  1. É deixar andar. Os resultados eleitorais ensinarão. É muito pouco provável que estes “jovens” tenham emprego a fulltime na política daqui por 10 anos. Como é sabido que as saídas da política para os conselhos de administração estão reservadas a um certo tipo de pessoas e que, por outro lado, há muitos ex-políticos a assinarem como “professores”, pode ser que,no fundo, eles estejam a preparar a boa cama onde se deitarão.

  2. A questão está na última frase. Em vez de “desconfiança” eu diria “desprezo”. Já vi delegados sindicais de esquerda referirem-se com desprezo aos professores com licenciaturas de cinco anos. Para eles, esses professores são filhos da burguesia. O anti-intelectualismo crescente (ideias new age na pedagogia, facilitismo, conteúdos mínimos, etc.) vem de longe e tem muitas faces.

  3. Que nos antecipem em anos de serviço para a reforma, por favor.
    Que eu estou a ficar farto disto tudo!
    Farto de falsos sindicalistas que não são mais que veios de transmissão partidária!
    Farto de políticos hipócritas e filhos de uma profissional de sexo a troco de remuneração variável! Farto de experiências pedagógicas da treta que repetem o que é velho ou desastroso!
    Farto do 54 e do 55 e dos outros todos!
    Farto de alunos de calças esfarrapadas e ténis fedorentos e de smartphone na mão!
    Farto dos pais dos alunos! E das mães e dos vizinhos todos até à rua de baixo!
    Farto de testes e fichas e textos e manuais!
    Farto de ver os colegas doentes e a arrastar-se, sem o respeito de ninguém e sem a dignidade que merecem!
    Farto de merdas!
    Farto, tão farto, que estou farto de mim próprio!

    1. Sinto-me igual. E acrescento:
      Farto de colegas que sempre tiveram um percurso medíocre antes de chegar à escola, mas que passaram a Xalentes porque sim…
      Farto de ser pontapeado pela tutela (burros e e arrivistas políticos), pelos alunos (malcriados e mimados), pelos pais (brutos e incompetentes), pelos colegas (invejosos e malformados), por jornalistas (de meia tigela).

  4. ” Com papas e bolos se enganam os tolos “. Posições tão… tão ridículas destes ditos partidos de esquerda…a posição do grande Nogas foi sempre evidente…safar o seu. Tempo para antecipação da aposentação dele próprio. E aos colegas que ainda estão longe… alguém propôs poderem optar pela contagem total ? Quem não os conheça que os compre. Triste o papel destes “nossos” ilustres defensores.
    Mas é triste. Assim , é só perder e levar baile.

  5. Estão todos (PS, PCP, PSD) a empurrar com a barriga. Daqui a nada temos a troika de volta (já faltou muito menos…) e voltaremos a congelar antes mesmo de termos progredido pela primeira vez!

    7 anos é simplesmente DEMAIS!

    Quero dois anos e 6 meses JÁ e o resto até dezembro de 2022.

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