Hoje, Pelo CNE

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Os 15 minutos não deram para expor tudo, mas a versão escrita vai terminar assim:

Em pleno século XXI, é essencial reforçar o direito a uma Informação não truncada, em especial quando tem fontes oficiais, assim como a uma Educação que, navegando em ondas de hiper-modernidades transitórias, não opte pelo relativismo científico em que a Filosofia quase desaparece do currículo, mas em que se acolhem como equivalentes propostas “formativas” como o mindfulness ou aquilo que Carlos Fiolhais e David Marçal designam como “banha da cobra” na Educação (Fiolhais e Marçal, 2017, 220). O Conhecimento não deve ser apresentado como algo de aprendizagem difícil e aborrecida, a secundarizar perante aprendizagens de carácter mais lúdico. E é um erro dramático desvalorizar o que a Humanidade alcançou de Universal para o substituir por curiosidades locais.

“Entre nós, voltaram, nos últimos tempos, as ideias da auto-aprendizagem. Desvaloriza-se o conhecimento disciplinar e os métodos adequados ao seu ensino em favor de métodos duvidosos de aprendizagem de coisas avulsas (…) As vítimas da degradação do ensino são certamente os alunos, principalmente aqueles vindos de meios mais desfavorecidos que, sem uma boa escola, não têm possibilidade de acesso ao melhor que a Humanidade tem para lhes dar, e que é de resto a função da escola (…).” (Idem, 225)

Se as primeiras vítimas são os alunos, as segundas serão os futuros cidadãos, despojados de saberes fundamentais para resistirem aos discursos do Medo e da Intolerância. Iludidos pela rapidez do clique, seduzidos pela quantidade de partilhas, crentes de que a quantidade define a qualidade.

No século XXI, a Informação e o Conhecimento são “essenciais” enquanto Direitos Humanos. O “direito à Educação” não se pode limitar a uma certificação desprovida de conteúdo, relativizando e menorizando os saberes que fundaram e definiram a Humanidade. Só assim poderemos ir mais longe.

E ser Livres.

11 thoughts on “Hoje, Pelo CNE

  1. Excelente texto.
    Obrigado.
    Infelizmente somos cada vez menos a defender a importância do pensamento crítico, da consciência, da compreensão e reflexão. O que dá um jeitão aos políticos, que preferem a carneirada acéfala e embriagada em bléques fráidais e tretas.

    1. José Chorão, adorei a transcrição fonética!
      “bléques fráidais”. 😊

      É mesmo isso: cheira a ‘estrangeiro’, mas é demasiadamente caseiro…
      É um bocado uma parolice provinciana…

  2. Parabéns, belíssimo texto!

    “Só assim poderemos ir mais longe.

    E ser Livres.”

    Não poderia estar mais de acordo!
    A questão é que quem manda não quer que a população vá a lado nenhum, muito menos que chegue longe… Também não quer que sejamos livres, pois quanto mais livres nós formos, logo menos manipuláveis, mais eles estarão presos… à nossa livre e esclarecida escolha/ação…

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