As Sucessivas Greves Patrocinadas Pela Fenprof Visam Atingir A Escola Pública, Caro Francisco Lopes?

Francisco Lopes: “Enfermeiros estão a ser usados e pagos para atingir o SNS”

Hã algum tipo de provas ou as coisas são como aquelas acusações dirigidas à ILC (por exemplo numa “notícia” da AbrilAbril) porque um dos apoiantes (eu) era um conhecido desmobilizador de greves.

Este tipo de atitude contra iniciativas que escapam ao seu controle e revelam que é possível um sindicalismo eficaz fora da sua esfera é antigo, assim como a tentativa de lançar insinuações sobre motivações dos seus promotores que nunca se explicitam com toda a clareza.

O facto de a paralisação ter sido decretada por um mês e meio, ter causado já o cancelamento de cinco mil cirurgias programadas, aliado ao facto de os grevistas serem compensados pela perda salarial causada pelos dias de greve, levanta dúvidas. O protesto é inédito e foi convocado por um movimento recente, espontaneamente criado nas redes sociais. O pré-aviso foi apresentado por um sindicato, igualmente, recente e filiado na UGT.

Francisco Lopes não põe em causa a justeza das reivindicações, nem a ‘originalidade’ do protesto. “Não há formas de luta tradicionais ou não tradicionais”, diz, para sublinhar que a diferença está entre “formas de luta adequadas e não adequadas”.

O caso dos enfermeiros será um desses exemplos de desadequação.

A Fenprof decretou uma greve com duração maior, inviabilizando milhares de reuniões de avaliação, com evidentes perdas salariais que em algumas escolas/agrupamentos foram minorada por fundos de greve sobre os quais alguns aparelhistas levantaram dúvidas. De acordo com a lógica de Francisco Lopes, isso terá sido um ataque à Escola Pública. Algo que, por acaso, foi insinuado por alguma Direita.

Depois da greve dos estivadores em Setúbal – que teve uma solidariedade que primou pela invisibilidade pública por parte do sindicato dos trabalhadores da Autoeuropa – a greve dos enfermeiros levanta problemas ao PCP na sua função de controlar os protestos em moldes “responsáveis”. Ou seja, fazem-se greve e “lutas”, mas desde que não perturbem o status quo da geringonça.

Quando a coisa foge à formatação, o PCP sai em campanha anti-grevista activa. Eu era pequenito, mas lembro-me – e se não me lembrasse, tive oportunidade de estudar e ler sobre o assunto – que em 74-75, por exemplo, se passaram coisas similares, com acusações contra diversos movimentos grevistas (cf. aqui e aqui). Neste caso, em vez de se acusar o governo de estar a desqualificar os profissionais do SNS, atacam-se os grevistas.

É triste ver o PCP a fazer este papel de cão de fila do governo contra os enfermeiros, por muito que depois diga que as reivindicações até são justas. Repare-se que a investida é das mais fortes a que se assistiu nos últimos tempos contra um movimento grevista e nem sequer parte do PS. É nestas alturas que se percebe que há partidos que são apenas de alguns trabalhadores e que, como já escrevi, desconfiam imenso de profissões com qualificação superior, não enquadráveis na concepção clássica de “proletariado”.

Shame

 

O Regresso Da “Recolha de Evidências” Às Paletes

Sendo arcaico, sempre encarei a sala de aula como um espaço (e um tempo) para se desenvolverem aprendizagens, não importa agora com quem no centro e quem aprende ou ensina mais. Já vou ultrapassando essa fase do debate que nos faz saltar 30-40 anos, quase para os tempos do banco de escola em que as aulas mais fracassadas eram, quantas vezes, as mais “inovadoras”. Ainda me lembro de levar aulas de Biologia do 9º ano a fazer concursos (agora seriam quizzes) em volta de temas da música pop porque, pura e simplesmente, um professor novinho era incapaz de sobrepor a sua vontade à do “colectivo estudantil”.

Adiante.

Como ia escrevendo, há tempo para muito quando se sabe como o usar, sem ser a lamentar que ele falta ou a aplicá-lo com as famigeradas checklists. Há quem critique quem não use os meios digitais ou quem encare as aulas de forma mais “tradicional” e menos lúdica. Curiosamente, dou comigo a praticar mais esse recurso e o “jogo” como estratégia de “respiração” ao longo do período do que muita gente que bate com a mão no peito da inovação. Em História não uso manuais, preferindo apresentar materiais compilados por mim, mas há quem olhe isso com enorme desconfiança e me inquira sobre a razão e me questione se “assim ensinas alguma coisa?”. E estou a falar na primeira pessoa, porque às vezes me canso de escrever só no abstracto, como se o concreto me passasse ao lado. E é também na primeira pessoa que afirmo que acho um enorme desperdício de tempo e uma enorme inutilidade do ponto de vista pedagógico gastar uma parte substancial da aula a “registar” as mais minudentes minudências da “pintelhice” (para usar uma terminologia de CEO e Curador). Confesso-me mais interessado em que os alunos entendam os conhecimentos que lhes quero transmitir (lá vem ao de cima a minha faceta arcaica) do que preencher grelhas de observação sobre detalhes que em pouco contribuem para qualquer coisa de relevante.

O pior é ter de ouvir depois essas histórias de heróica acção, que mais não são do que confissões de medo. Verdadeiras epopeias da representação da realidade, registadas como que em tabuínhas de argila suméria, do decurso formal de uma aula, sem nada de substancial, o que depois se percebe bem quando aparece qualquer avaliação externa. Sim, há petizada que nada faz e que nem com a maior das enormes vontades perceberá que está a lixar o seu próprio futuro (o “sucesso” fabricado em algumas escolas de zero chumbos paga-se depois quando se chega ao mundo real do trabalho e o subemprego), mas acreditem que não é com cruzinhas que isso se combate. Em vez da obsessão com a presença diária do caderno ou da assinatura da ficha, que tal usarem esse tempo para falarem a sério, por difícil que seja e por muito tempo que demore a dar resultados, sobre as razões da indiferença?

Esclareça-se desde já que não sou dos que desculpa toda e qualquer falta de respeito pelo que se anda a falar nas aulas (e nem queiram saber como a nova disciplina de Cidadania tem servido para isso, benza-a o apóstolo Costa), mas quase ultrapassa a minha compreensão observar as pilhas de “evidências” acumuladas por muita gente que parece mais (pre)ocupada em provar que se não fez qualquer coisa do que em fazer. Seja o que for.

Sim, a época das avaliações pré-natalícias tende a despertar o melhor que existe em mim quanto ao que considero o pináculo do desperdício de tempo, papel e paciência.

Otavio

É Aproveitar

Uma editora cheia de livros interessantes para as “esquerdas” como cá não existe (a Tinta da China não é o mesmo, falta-lhe “massa crítica”), com gente a escrever depois de pensar e não apenas em piloto automático. Entre nós, assim, temos o André Freire (sim, sei que há muitos adeptos do BSS, mas eu não sou grande fã do relativismo só para algumas coisas) e pouco mais, porque muito do resto são os estudos pela malta do costume, após subsídio oficial, do instituto da “reitora”.

São promoções a sério. Sobre todos os livros, sem ser em cartão ou para gastar em nova encomenda. E o envio são apenas 6 libras, mesmo que mandem vir 10 ou 15.

Verso

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