Não Serei Conivente Com Pitonisos Que Argumentam Com Falácias E Falsidades

José Gomes Ferreira gostaria de ser um Centeno Plus. Já escreveu como gostaria que o país fosse, uma espécie de Nova Albânia, mas em modelo liberal. Sim, denunciou em tempo quase certo algumas das manigâncias dos tempos de Sócrates. Mas depois ensimesmou-se por ter acertado uma vez no totoloto e passou a achar que tem rtazão em tudo, mesmo que distorça gravemente os factos.

A luta dos professores (e não do Mário Nogueira ou de este ou aquele sindicato que provoque pesadelos ao JGF nestas noites mais frias) pela recuperação do tempo de serviço prestado não passa por qualquer exigência de recuperação do que já foi perdido definitivamente em termos salariais com o congelamento, os cortes, as sobretaxas, pelo que José Gomes Ferreira ou é menos espero do que parece ou, pelo contrário, é tão espertalhão como me parece quando escreve o seguinte:

Quando o Presidente da República veta o decreto-lei do Governo que limita a 2 anos, 9 meses e 18 dias a contagem do tempo de congelamento da progressão nas carreiras dos professores e obriga o Governo a negociar novamente, o que está a querer dizer ao país?

Que o tempo de contagem tem de ser maior, senão o veto não faria qualquer sentido. Mas se o tempo de contagem tem de ser maior, então qual é o limite? Os próprios sindicatos já o disseram, não há limite, querem todo o tempo que durou o congelamento.

Mário Nogueira nunca cedeu nem um dia dessa contagem, mostrando que não quer negociar coisa nenhuma, mas Marcelo Rebelo de Sousa obriga o ministro da Educação a chamá-lo para negociar…pondo a ridículo a posição do Estado empregador.

As contas estão feitas, o impacto da exigência dos sindicatos no orçamento do Estado vai ser de 635 milhões de euros por ano.

Mas se assim vai ser, então porque não começar também a exigir a devolução dos cortes de salários da função pública desde 1 de Janeiro de 2011, decididos por José Sócrates em 29 de Setembro de 2010?

E os trabalhadores do setor privado, porque não começam a exigir os cortes de salários que direta ou indirectamente suportaram durante os anos da crise e que ainda hoje muitos continuam a suportar porque perderam os empregos e tiveram de procurar outros mais mal pagos?

E porque é que os contribuintes não exigem a devolução imediata dos adicionais e sobretaxas de impostos que Vitor Gaspar aplicou a partir de 1 de Janeiro de 2013?

E porque é que os beneficiários da Segurança Social não reclamam também o pagamento imediato das pensões, dos abonos e subsídios que lhes foram cortados?

Não seriam todas estas devoluções, reversões e reposições socialmente muito mais justas do que apenas as de alguns grupos profissionais dependentes do Estado?

Por mim, tudo pode ser justo, mas José Gomes Ferreira mistura alhos com bugalhos e eu repito que há duas explicações para o fazer e nenhuma se coaduna com a postura de “consciência do regime” a que ele se atribui.

Porque:

  1. Os professores pretendem a recuperação do tempo de serviço que tiveram congelado, mas sem qualquer efeito retroactivo sobre as perdas salariais verificadas. Há quem aceite que isso seja feito de forma faseada ao longo de vários anos ou em antecipação do tempo para a aposentação. Em termos de passado o que está em causa é a realidade de um tempo que passou e não o dinheiro que se deixou de receber.
  2. Se as contas estão feitas de uma forma que se JGF acha certas (635 M€), estamos conversados quanto ao seu rigor técnico e seriedade. O ministério das Finanças apresenta um encargo inflacionado do lado da despesa (sem demonstrar essas mesmas contas) e oculta que parte dessas verbas nem chega a sair do perímetro orçamental, retidas pelo IRS, CGA e Segurança Social. Continuo a afirmar que despesa líquida, ao longo dos anos, será de 350 M€ numa estimativa generosa.
  3. JGF apresenta depois uma série de potenciais reivindicações que implicariam a reposição de verbas não recebidas no passado em virtude das medidas de austeridade. Em nenhum momento os professores pediram ou pedem isso, pelo que JGF apresenta um argumento falso, “alternativo”, inexistente. E apaga de tudo o que afirma que os professores já tinham sido congelados mais de dois anos antes de 2011.

Porque José Gomes Ferreira procede e argumenta desta forma, sem qualquer respeito por factos concretos?

Não me parece que seja por ignorância. Infelizmente. Antes fosse por ser o burro que não é.

Gomes

10 thoughts on “Não Serei Conivente Com Pitonisos Que Argumentam Com Falácias E Falsidades

  1. Paulo, concordo plenamente com o que escreveu. Este camarada que tanta verdade disse no tempo do Sócrates e que acertadamente previu o que se avizinhava, está agora a distorcer os factos para, mais uma vez, atacar os professores e a função pública. Se o dinheiro for para os funcionários públicos, menos sobra esta cambada das televisões e restantes media, que vive dos subsídios do estado.

  2. A linha de argumentação já vai mudar. Voltarão a alegar a injustiça da progressão automática!

    De facto é preciso arrefecer a economia mundial porque o capitalismo previu mal o que aconteceria quando um magote de “chineses” entrasse na equação do lado do consumo e não apenas do lado da mão-de-obra. Enquanto não colonizarmos outro planeta ou descobrirmos energias mais eficientes, a coisa estará complicada. Além disso sempre que se abre o cordão à bolsa o Tuga desata a importar bens de consumo por conta das próximas gerações.

    É claro que o descontrolo da nata da sociedade, que foi educada para gastar e se considera no direito de tudo ter, que não sabe ler nem escrever mas apenas contar, que perdeu o temor a Deus e ao Diabo (a não ser quando ele incarna com um colete de bombas à lapela) e que considera os restantes nove décimos da Humanidade como biomassa sem livre arbítrio, deixam o pacato Zé pouco propenso a apertar o cinto: afinal de contas, ou há justiça ou todos comem da linguiça.

    O Zé já percebeu que a esposa e o motorista do senhor ministro são tão competentes para o exercício do cargo como o dito cujo. Está o mundo, em geral, entregue ao cuidado de indigentes, o que vem servindo para que se procure tábua de salvação nuns gajos pouco recomendáveis mas que até aparentam estar menos afectados da moleirinha.

    Além do mais, vive-se uma daquelas fases em que a malta confunde o universo virtual em que vive mergulhada — através dos seus acessórios electrónicos com valor de design acrescentado,— numa busca da satisfação imediata, com uma realidade menos iridescente em que facilmente se troca o apartamento do Cacém por uma caixa de cartão nas arcadas da Praça do Comércio.

    Mas mesmo que esteja alienada, a sociedade só apoiará a “justa luta” dos profs se houver contrapartidas. E desconfio que os professores, os enfermeiros e outros grupos profissionais daqui por cinco anos perceberão que, no fundo, fizeram o jogo dos linguiceiros. Assim como os coletes amarelos fizeram um favor ao patrão do Macron.

  3. Há ladrões de bicicletas , de azeitona, de melões, de pinhas e de galinhas… Agora há ladrões de TEMPO DE SERVIÇO. Conhecemos os nomes e as caras destes miseráveis.

  4. Texto claríssimo. O ponto 3 apenas ” consubstancia” o que é afirmado sobre efeitos retroativos no ponto 1. Noutros momentos não estive completamente de acordo com o Paulo no que se refere ao uso da palavra retroativos noutros contextos. Aqui, sem que ela seja usada pelo J.G.F., não posso deixar de estar de acordo.
    Um único senão. Acho que é por ignorância.
    Um bom ano.

    1. No contexto da quase polémica com o PTP, ele usou o termo de forma inadequada e em nenhuma explicação conseguiu demonstrar o contrário. Eu limitei-me a descrever o que a palavra pode referir, conforme o modo como seja usada e em nenhum deles está o que os professores pretendem.

  5. Longe vão os tempos em que havia isenção (não sei se é o termo mais indicado…) no discurso de José Gomes Ferreira.
    Quando não se percebe diferença substancial entre o discurso jornalístico e o discurso político, algo vai mal no reino de Portugal…

    Mais um que insiste nos 635 milhões de euros por ano… Até o PSD já fala em cerca de 400 milhões…

    Afinal o que é que foi feito daquela comissão técnica, ou lá o que era, que foi anunciada nas negociações de finais de julho? Ainda estão a fazer as contas??

    Quanto aos argumentos de JGF, não são mais do que palração de papagaio para agradar ao dono.

  6. Concordo e subscrevo a 100% o post.
    Reconheço começar a ficar sem pachorra para estes “nossos” experts que opinam sobre qualquer assunto. Opinam e apresentam “contas ” sobre as implicações de cada medida no O.E.
    Como tão bem disse o Paulo,misturam alhos com bugalhos,sentam-se na mesa da cozinha,lápis na mão e fazem assim umas contas. Umas contas…assim,assim.
    Publicam ,assinam e vão influenciando a opinião pública.
    Tudo isto é concertado,cada vez tenho menos dúvidas.
    Falam ,após os seus elevados estudos… em 635 milhões de euro / ano.
    Assim ?
    E questiono que formação académica tem o J.G.F. para chegar a esses valores ?
    E de que premissas partiu ? De que premissa ?

    José Gomes Ferreira .

    … ” É licenciado em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. “…

    Será que um licenciado em Comunicação Social terá essa capacidade ?
    Milhões ? Milhões ?
    Todas as premissas são falsas …nota-se sim que é mais uma encomenda…
    Triste !

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