O Pior de 2018

Por momentos, para mudar de registo, pensei escrever algo meio divertido sobre aquelas pessoas que são muito amigas do ambiente e todas sustentáveis, mas depois pedem para cortar as árvores que fazem cair-lhes folhas nos quintais e porque têm passarinhos que lhes fazem cocós nos tejadilhos dos carros. Mas desisti, por tentador que fosse a hipocrisia à micro-escala. Porque o pior continuou a ser, como há muito, a forma como as pessoas reagem ao poder, seja à sua proximidade, seja à sua “posse”, sendo raros os casos em que não façam quase tudo ao seu alcance para se chegarem mais, para o alcançarem ou perpetuarem. A forma como o Poder – ou os poderzinhos – transfiguram quem parece precisar de doses cada vez mais fortes ou de manter um estado de high permanente, como uma adição (é assim que agora se diz, anglicizando) insuperável. Como encaram a mentira como razoável quando é a sua, como se acham insubstituíveis ou quase predestinad@s para o exercício desses poderes sobre os outros. Como se formam cortes submissas, domesticadas, dúplices, para que um dia se possa chegar nem que seja a sub-secretário do vizir. A contaminação e corrosão do carácter pelo contacto próximo e demorado com o poder, em especial em sociedades periféricas, desiguais e com uma muito fraca habituação à transparência democrática, instala-se e forma uma cortina opaca que provoca uma sensação de claustrofobia que nos definha.

claustrofobia

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O Melhor de 2018

Não é dia para muitas palavras e reflexões, pelo que fica aqui de forma sucinta o meu reconhecimento aos enfermeiros e à sua capacidade de mobilização e renovação das formas de lutar pelos seus direitos, sem receio de entrar em confronto claro com um poder político que não recusa perante as mais abjectas mentiras para denegrir os adversários. Por provarem que, pelo menos por agora, há sindicatos que ainda não entram em jogos de mesa com o governo e que não é a existência de uma Ordem que enfraquece o poder de choque da “luta”, muito pelo contrário. Entre os professores, o terreno está muito minado e infiltrado, pelo que o esforço do S.TO.P. merece uma clara menção honrosa, nem que seja porque revelou que a Plataforma Sindical e o governo estavam do mesmo lado no desejo de controlar qualquer tipo de protesto fora dos valores médios e expectáveis para a geringonça.

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