Pelo Educare

Com citação pop no final e tudo…

O Porquê das Coisas

Questionar o que é enunciado e carece de explicação é tão ou mais importante quando saímos da sala de aula e entramos na esfera das decisões políticas, da forma como são tomadas, preparadas ou divulgadas.

pg contradit

Anúncios

Ponto de Situação da ILC

Falta só ficar esclarecido quando e como uma delegação dos proponentes será recebida. Dia 9, a agenda da Comissão de Educação é esta.

Tempo dos professores vai a debate parlamentar

Iniciativa Legislativa de Cidadãos conseguiu colocar o tempo congelado aos docentes na agenda da Assembleia da República. Abre-se um processo legislativo para que os partidos possam apresentar propostas e um projeto de lei que defende a contagem integral do serviço prestado será discutido e votado.

ILC 20 000

Fiquei Curioso

O que terá MSTavares, a grande aquisição da TVI para a temporada 2018-19 como comentador e editor de um dos seus telejornais semanais, uma voz sempre feroz contra umas coisas, a dizer do convite e amena cavaqueira com Mário Machado?

Bucket

A Proposta (“Criativa”?) da Plataforma Sindical

Para “recompor” a carreira docente: propostarecomposicaocarreira18_12_18. Como é natural, quanto mais se dilui no tempo qualquer recuperação, menos são aqueles que dela podem beneficiar.

Mas fica a sugestão: estando a ILC admitida a discussão no Parlamento (com audição da Comissão Representativa para breve), que tal os partidos que acham justas a queixa central dos professores aproveitarem a oportunidade para, aberto um novo “processo legislativo”, apresentarem esta proposta a votação, já que parecem tolhidos em relação à iniciatica cidadã?

Bunsen

A “Solução Final”?

Mesmo com aspas, o título foi forte demais e foi transformado para consumo dos leitores do JL/Educação. Não me incomoda muito a alteração, desde que o conteúdo (acerca do projecto do insucesso a 0%) continue lá (embora a solução encontrada seja pouco imaginativa, tendo sido possível perguntar-me se eu não tinha um título alternativo). Do  texto longo, transcrevo três passagens:

O que significa que quanto maior é o nível de desigualdade económica na sociedade, maior é a possibilidade de existir uma forte desigualdade no desempenho académico e níveis de insucesso mais elevados. Não é estranho que países com um índice de Gini mais favorável estejam entre os melhor colocados em testes comparativos internacionais, sejam os PISA, PIRLS ou TIMMS. Entre os dez países com menor desigualdade económica, em termos de rendimento disponível, encontramos o norte escandinavo e o centro da Europa na esfera de influência da Alemanha. Portugal entra a custo nos melhores 30 classificados. Se recorrermos ao mais recente rácio Palma (usado pelo Banco Mundial), que compara o nível de desigualdade entre os 10% mais ricos da população e os 40% mais pobres, a distribuição é semelhante, com Portugal em pior posição, nos 10 mais desiguais da amostra[i].

Perante este panorama, seria expectável que uma estratégia para combater o insucesso escolar passasse por proporcionar melhores condições socio-económicas às famílias e alunos para que estes, ao chegarem à escola, estivessem nas melhores condições para desenvolver as suas capacidades. E por melhores condições entenda-se nível salarial, mas de igual modo uma menor precariedade dos laços contratuais e uma maior regulação dos horários de trabalho. Quando se identificam países a emular, seria interessante começar por essas variáveis, antes de transformar as escolas nos grandes (únicos?) instrumentos do Estado para promover a “justiça e equidade”.

(…)

Quando um governante afirma que já temos “sete Finlândias em Portugal” ficamos sem perceber se existe a percepção do ridículo de tal afirmação, mesmo que não seja literal. Basta estudar a evolução da escolarização na Finlândia, a sua homogeneidade cultural e étnica, o baixo nível de desigualdade económica, as características do seu comportamento cívico e ético ou mesmo a distribuição e dimensão das suas escolas, para se perceber o nível de desfasamento da nossa realidade.

(…)

Há uma nova geração de estratégias comunicacionais destinadas a convencer a opinião pública da bondade de reformas na Educação que passa por adoptar uma linguagem que evita dramatismos, não especifica os detalhes das mudanças e as apresenta como positivas, inovadoras e superiores do ponto de vista moral, transformando qualquer crítico em alguém negativo, arcaico e moralmente repugnante, por estar do lado do “insucesso” e não acreditar na “utopia”.

Mas é um dever cívico questionar o porquê e o como das mudanças. Será defeito de formação achar que a História nos ensina a perguntar “porquê” em busca de explicações de modo “a evitar a ilusão e o faz-de-conta, a pôr de lado os sonhos, o luar, as banhas da cobra, as magias, o maná dos céus – a sermos realistas.” (Graham Swift, O País das Águas, p. 88). Mas assim continuarei.

[i] Development Goals in an Era of Demographic Change. Global Monitoribg Report 2015/2016 (Washington, World Bank, 2016).

pg jl jan19 img_0240

O Mito Da Era Dourada

Que eu me lembre, a esmagadora maioria dos meus colegas achava a escola uma seca, desde que não fosse para jogar à bola e, a partir de dado momento, desenvolver o que agora se chamam “afectos”, mas antes tinha designações mais corpóreas. Tudo era chato, desinteressante, complicado, um horror. E chumbavam que nem tordos em dia de abertura de caça. Não se faziam sondagens, mas acredito que os valores de desafeição seriam maiores do que aqueles a que Daniel Sampaio, no JL/Educação deste mês, se agarra para reforçar as hostes que defendem uma revisão curricular. E no tempo dele também seria assim, excepto quando, já no Secundário, quem lá estava era uma minoria de alunos, privilegiados e interessados em continuar estudos.

Sim, nos tempos de Sócrates (o grego) os seus discípulos bebiam as suas lições (os do actual também beberam, mas foi uma coisa mais material) e os estudantes juntavam-se nas escadarias das nascentes universidade medievais, ansiosos por nova palestra do mestre escolhido. O que fica por dizer é que seriam entre 0,1% a 1% da população juvenil ou jovem adulta a fazê-lo (dados assim numa de “suponhamos” e não recolhidos na Pordata) e a ter interesse pelos estudos. E mesmo quando se alargou o acesso a estudos a algumas camadas da burguesia isso era mais um dever imposto em virtude da necessidade de negócios familiares do que a um gosto especial ou vocação. Mas parece que há quem ache que no passado os alunos adoravam a escola. Só quem ignora profundamente a dificuldade em espalhar a alfabetização no nosso país pode pensar isso. Ou quem vive(u) numa redoma social, económica e cultural típica as nossas estreitas elites.

No “século XXI” as coisas deveriam ser diferentes? Sim, mas raramente o futuro, os anseios e interesses dos “jovens” correspondem ao que é a sua representação em mentes que estacionaram algures nos anos 60 do século XX. É muito raro que quem foi responsável pelo estado em que se está e esteve associado ao que se tem, décadas a fio, perceba vagamente o que quer a petizada e miudagem 3-4 gerações mais novas. Não chega ter perfil no fbook ou distinguir o instagram do canal disney.

img_0239

JL/Educação, 2 de Janeiro de 2018