Contas Quase A Sério

Na Madeira, a recuperação dos 9-4-2 de 6000 professores custa 28 milhões de euros. De acordo com o último Perfil do Docente (2016-17), há pouco mais de 90.000 docentes nos quadros, a que se podem acrescentar as vinculações e descontar as aposentações. Mas temos ainda os docentes que acederam ao 10º escalão e já não progridem e os do 9º, quanto muito será um escalão. Mas vamos acreditar que mesmo assim são 90.000 professores a progredir, 15 vezes os da Madeira. O valor equivalente por cá seria de 420 milhões de euros, que é mais ou menos o valor que o PSD de cá tem avançado. Mesmo se continuo a dizer que será menos porque, ao longo do tempo, muita gente se aposentará. E que é o total da despesa (sem contar com o que fica retido em impostos, cga e segurança social).

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Enfermeiro

Foi a palavra do ano para 2018, com 37,8% dos votos contra 33,4% de “professor”. Parabéns. Souberam mobilizar(-se). Perceberam como se travam guerras mediáticas.  Que interessam mais do que aplicar o guião formatado. Eles, sim, estão no século XXI. Há quem ainda ande a catar as barbas do Lenine. E alguns que não andam, nem sabem bem ao que andam.

Megafone

 

Sobre A ILC

Publico, com a sua expressa autorização, a comunicação do Luís Braga à Comissão de Educação, depois de nos terem convocado no dia 3 (5ª feira) por mail para uma audição no dia 9 (próxima 4ª feira) e depois terem desconvocado por telefone. O texto é dele, não é da Comissão, mas revejo-me no essencial e no acessório que, no fundo, é um pequeno historial deste processo que começa a ser algo kafkiano. Só discordo na parte em que, atendendo a tudo isto, 10 minutos me chegariam (mesmo não estando previsto ir, porque ando com pouca paciência para me lamentar) para dizer de forma concisa e clara como os números do governo acerca da sustentabilidade financeira são uma ficção.

Ex.mo Senhor Presidente da Comissão de Educação,
Após a receção da mensagem e comunicação de audição anterior, fui contactado telefonicamente para os serviços me informarem que a audição seria adiada, para data a indicar, em virtude de a comissão ir ainda decidir sobre a necessidade de apreciação pública do projeto e audiências com os sindicatos. Informamos o Senhor Funcionário parlamentar que, com muita cortesia e disponibilidade nos atendeu, que ficamos, por isso, a aguardar pacientemente, como até ao momento (nestes perto de 9 meses do processo da ILC).
Registamos que a ILC (pioneira na sua realização no site do parlamento e que pagou em atrasos o preço disso e de confiar no funcionamento do parlamento) entra em debate, depois de muitas delongas e por motivos, ironicamente ligados à verificação de assinaturas, que não são imputáveis aos subscritores e proponentes.
Os mais de 20 mil cidadãos, que o Parlamento reconhece terem assinado a ILC, exigem de nós que não descuremos a gestão do processo, evitando que um ato de participação democrática, que usa as virtualidades generosas do sistema, seja burocraticamente transformado num formalismo vazio e sem qualquer efeito político.
Por isso, apelamos a que haja a cautela por parte do Parlamento de não acrescentar mais capital de queixa às observações factuais negativas que se podem fazer à forma como o processo tem sido gerido.
Acresce que a ILC é uma iniciativa apartidária e não sindical (todos os sindicatos foram contactados para a apoiar mas só um o fez, o STOP; houve vários que protestaram publicamente contra a ILC). No processo da recolha de assinaturas houve pronunciamentos públicos negativos (em comunicado) de forças políticas (PCP) e de Sindicatos (FENPROF).
Por isso, atrasar o debate de uma iniciativa de cidadãos para ouvir a representação sindical merece que se reflita sobre a seguinte constatação, de que, cremos, os cidadãos em geral e os professores, em particular, farão nota: o parlamento vem-se abstendo há 2 anos de agir no âmbito das suas competências legislativas e limita-se a recomendar ao Governo que negoceie com os sindicatos.
A própria AR podia legislar e agir concretamente no assunto em apreço e não na base da remissão do assunto. Quando, fruto da entrada de um projeto de lei (via ILC, que os partidos podiam ter iniciado por si), se tem de confrontar com a realização de um processo legislativo sobre a matéria, não deve seguir no mesmo rumo dilatório e abstencionista.
Os sindicatos de professores independentemente da sua representatividade (que em alguns casos é relativamente desconhecida porque os dados não são públicos e o Governo se recusa a divulga-los) devem ser ouvidos mas isso não pode servir para desvalorizar e atrasar o debate da ILC e as obrigações processuais e políticas da AR face aos seus subscritores.
Num contexto em que tanto se fala da crise da imagem do Parlamento e da Democracia isso só acrescentará mais descrença ao que os cidadãos sem cargos políticos (como são os autores e subscritores da ILC) percecionam do valor que é dado à sua participação.
Creio que entenderá este quase lamento, de cidadãos que há quase 9 meses, esperam para ser ouvidos, e que tem suportado com paciência vários agravos à sua iniciativa de participação como um sinal não preconceituoso de como valorizamos o papel da comissão e do parlamento.
Mas, por exemplo, ao observar a grelha de tempos, que era anexo da notificação adiada, não deixamos de registar a surpresa por ver que um ato legislativo proposto por 20 mil cidadãos, num tema central da política nacional, nem terá meia hora da atenção dos senhores/as deputados/as para ouvirem as suas razões (2 intervenções de 10 minutos, evidenciam clara desproporção de atenção face a organizações representativas com meras centenas de associados que terão o mesmo tempo para exporem posições e que, como repetirão posições semelhantes, acabam sobrerrepresentadas em tempo de audição).
Cremos que valorizar a participação dos cidadãos poderá ser dar-lhes mais tempo para se explicarem, até porque, sendo inexperientes (e até podendo estar nervosos por falta de hábito de falar em comissões parlamentares), precisam de mais.
Pedia que os contactos sobre a tramitação da ILC fossem feitos com todos os membros da Comissão Representativa (de que a AR possui contactos) e não apenas comigo (que tendo sido porta-voz e redator de requerimentos em vários momentos, não sou sequer o primeiro subscritor).
Com os melhores cumprimentos e disponível para qualquer esclarecimento adicional,
Luís Sottomaior Braga
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A Garantia da Opacidade

Como se fazem as coisas por cá. Criam-se comissões parlamentares que nada produzem, mas são est@s senhor@s que depois votam as leis sobre as regras do resto da população. E quando produzem qualquer coisa, podemos ter a certeza que haverá alçapões estratégicos para ser possível escapar quem precise disso. Basta ver a composição da Comissão em causa para se encontrarem uns nomes muito curiosos em matéria de “ética”.

Comissão da Transparência: 1000 dias sem aprovar um único diploma

Lobbying, Estatuto dos Deputados, regime das incompatibilidades dos políticos e dirigentes administrativos e enriquecimento injustificado marcam passo no parlamento. Com 19 projectos de lei em cima da mesa e muitas questões sensíveis para decidir em causa própria, os deputados preparam agora um sprint final para terem tudo aprovado até final de Março.

Fog

Eu Até Gostava do Ministro Álvaro

Quando a OCDE publica estudos sem ser “por encomenda” sobre a Educação, as coisas parecem correr mal.

Pela mão da equipa do ex-ministro Álvaro Santos Pereira, a corrupção surge pela primeira vez em foco num relatório da OCDE sobre a economia portuguesa. Governo considera forçado e assente em preconceitos.

Santos Pereira foi um ET enquanto esteve no governo e lá teve de sair porque catrogas, mexias e amigos valem muito mais para as “elites” do que um estrangeirado. E ele foi muito menos fofinho do que o nosso ministro Tiago que diz uma coisa, faz outra e ainda rodopia. Santos Pereira foi enviado para uma prateleira dourada como quase todos os que se tornam dispensáveis (ainda me lembro dos cargos que aceitaram carrilhos&cravinhos), mas parece que não se esqueceu da forma como as coisas são feitas por cá.

exp5jan19

Mas, claro, já houve fuga de informação e o operacional governamental de agip-prop já entrou em campo e não me admiraria muito que em nome das boas relações com a OCDE, o relatório final tenha um destino parecido a algumas das medidas em estudo que na altura fizeram o ministro Álvaro ter de sair.

Mas alguém acha que a maior parte dos grandes negócios feitos por cá é feita de forma limpinha, limpinha? Basta ver quem negoceia, quem intermedeia e depois quem ficar a administrar. É quem sequer é uma forma subtil de fazerem as coisas.

Alcatrao

(claro que sabemos pelo SE Costa que os governantes de cá de nenhuma forma conseguem influenciar relatórios da OCDE, certo?)