Eu Tenho Muitas Dúvidas (E São Mesmo Muitas)

Acompanho um ou dois grupos que nas “redes sociais” surgiram para debater e trocar experiências sobre como se aplica o 54/2018. A ideia é tentar fazer o melhor possível, com o ano em andamento. A maioria das pessoas tem dúvidas como eu. Mas há uma espécie de pós-doutorados na matéria que, mal alguém escreve qualquer coisa que escape ao guião pré-formatado que têm na cabeça, se saem logo com coisas do tipo “como é possível que ainda não tenham percebido que se faz assim” ou “não se entende como as escolas fazem as coisas (assim ou assado)” e arrancam daí para discursos inflamados pela verdade que sabem deter na plenitude. Idiotas somos, pois, todos aqueles que pensavam que não existiam fórmulas únicas aprovadas e que a “flexibilidade” é meramente retórica. Há gente que só tem certezas e não se coíbe de considerar que mais ninguém percebe como tudo se deve fazer e como se deve fazer é como el@s acham que se deve fazer. Entendo quem consegue continuar por lá a colocar dúvidas e quem continua a discutir as coisas sem um enorme aparato de certezas. A maioria anda a tactear em busca do que é melhor para os miúdos, penso ser isso que nos move por ali, docentes e encarregad@s de educação. Na sua maioria. Depois há os que sabem já tudo, com toda a certeza. Absoluta, analítica, sintética e comparativa de superioridade.

Phosga-se!

Duvida

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O Problema Destas Coisas É Serem Pensadas Para Toda A Gente, Menos Professores No Activo

cnefuturo

Exmo.(a) Senhor(a)

O Conselho Nacional de Educação organiza nos dias 29 e 30 de janeiro uma conferência sobre A Educação e os Desafios do Futuro, que conta com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e a colaboração da Presidência da República e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Os principais tópicos para reflexão e debate, com cientistas de diferentes áreas do conhecimento, centram-se nos últimos desenvolvimentos e perspetivas das seguintes temáticas e as suas implicações para o futuro da educação:

  • Relação entre tecnologia e comunicação, direitos humanos, ética e política
  • Inteligência artificial e supercomputação
  • Neurociências, Genómica e Biotecnologia
  • O futuro do trabalho
  • Desafios da cidadania: democracia, ética e política de inovação
  • A centralidade da educação frente aos desafios do futuro

Este evento terá lugar no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian.

As inscrições abrirão brevemente no site do CNE em www.cnedu.pt.

Há temas interessantes, mas são dois dias, a meio da semana. Não há no ECD legislação específica que permita faltar para este efeito, sem ser com o beneplácito das direcções. Mesmo artigo que permite faltar é explícito apenas para a componente não lectiva. Percebe-se que a ideia não é disseminar estes temas pelos docentes em exercício, mas apenas em circuito fechado

Há uma forma de contornar o problema, mas temos de recorrer ao “Novo Regime da Formação Profissional da Administração Pública” (decreto-Lei n.º 86-A/2016 de 29 de Dezembro) e ao seu artigo 10º, no qual se pode ler o seguinte:

Artigo 10.º
Tipologia
1 — A formação profissional tem a seguinte tipologia:
a) Cursos de formação de curta, média e longa duração;
b) Seminários, encontros, jornadas, palestras, conferências e outras ações de caráter similar que não pressuponham a sua conclusão com aproveitamento;
c) Estágios, oficinas de formação, comunidades de prática, mentoria, tutoria pedagógica e outras modalidades centradas nas práticas profissionais e no apoio à continuidade e transferência da aprendizagem.

Fazer o requerimento e esperar que não sejamos funcionários da administração pública só para umas coisas (deveres) e não para outras (direitos).