Eu Tenho Muitas Dúvidas (E São Mesmo Muitas)

Acompanho um ou dois grupos que nas “redes sociais” surgiram para debater e trocar experiências sobre como se aplica o 54/2018. A ideia é tentar fazer o melhor possível, com o ano em andamento. A maioria das pessoas tem dúvidas como eu. Mas há uma espécie de pós-doutorados na matéria que, mal alguém escreve qualquer coisa que escape ao guião pré-formatado que têm na cabeça, se saem logo com coisas do tipo “como é possível que ainda não tenham percebido que se faz assim” ou “não se entende como as escolas fazem as coisas (assim ou assado)” e arrancam daí para discursos inflamados pela verdade que sabem deter na plenitude. Idiotas somos, pois, todos aqueles que pensavam que não existiam fórmulas únicas aprovadas e que a “flexibilidade” é meramente retórica. Há gente que só tem certezas e não se coíbe de considerar que mais ninguém percebe como tudo se deve fazer e como se deve fazer é como el@s acham que se deve fazer. Entendo quem consegue continuar por lá a colocar dúvidas e quem continua a discutir as coisas sem um enorme aparato de certezas. A maioria anda a tactear em busca do que é melhor para os miúdos, penso ser isso que nos move por ali, docentes e encarregad@s de educação. Na sua maioria. Depois há os que sabem já tudo, com toda a certeza. Absoluta, analítica, sintética e comparativa de superioridade.

Phosga-se!

Duvida

11 thoughts on “Eu Tenho Muitas Dúvidas (E São Mesmo Muitas)

  1. As medidas impostas no sistema de ensino lusitano ao longo das últimas décadas têm sido o resultado sistemático (e irritante) de caprichos. Não são medidas solicitadas por um coro de vozes conhecedoras da realidade. Não são medidas baseadas na análise de factos. Não são medidas pensadas para realmente resolver problemas, porque, logo à partida, são inventadas por quem desconhece quais são os verdadeiros problemas. Basta ver-se como, por exemplo, no meio de tanto discurso sobre as reprovações, em lado algum se procura analisar exatamente por que motivo os alunos portugueses reprovam. É como um desgraçado de perna partida que tem o azar de ir parar ao consultório de um médico cujo sonho sempre foi trocar o olho do ser humano por um berlinde multicolor, porque deve ficar mais giro – ao médico apenas basta a oportunidade autorizada superiormente para o fazer, e que se lixe a perna partida, porque valores mais altos se levantam, nomeadamente o capricho pessoal do médico. Resta acrescentar que o capricho de meia dúzia facilmente se transforma no capricho de 100. Estes 100 serão os que tudo sabem e que prontamente espancam quem achar que talvez fosse boa ideia parar um bocadinho para ver se o outro desgraçado não precisaria que lhe olhassem para a perna partida a ver se coiso…

    1. Fernando,
      Muito bem !
      Subscrevo.Vivemos de iluminados ,de caprichos e de peneiras.
      Criam as regras por possuírem “estatutos” superiores e defendem-se de forma hipócrita uns aos outros. Sumidades com pés de barro.

    2. Esses teóricos líricos, imaginativos, talvez muito ignorantes da realidade existente, precisavam de ter onze turmas de meninos e meninas que existem realmente nas cinturas citadinas ( e nas coroas urbanas…ah pois!) um pouco por todo o país…Sinceramente!

      Ou então,como diz o Zarolho, fechar essas escolas que se dizem de educação, de pedagogia, de didáctica…
      Rapidamente!

  2. Francamente, vocês stressam demais. Continuo a dar as minhas aulas, seguindo metodologias e estratégias que me parecem mais adequadas e ignorando a papelada defecada no verão passado.

    1. Faço o mesmo, de acordo com os alunos. Mas irrita um bocado ler aquela malta que “defeca d’alto” sobre qualquer sugestão que não lhes pareça.
      E depois o medo faz o resto.
      Se o raio do 54 tem uma vantagem é a possibilidade de alterar as medidas. Quando se tem de aturar alguém que diz que não, que isso não é assim, só dá vontade de disparatar.

  3. Seria preciso acompanhar as medidas que levam à inexistência de chumbos de outras transformações, como por exemplo exames com graus de dificuldade menor ou maior e respetivos diplomas ou certificados, como acontece em Inglaterra. E os pais já sabem que é assim e não há discussão. Claro que uma grande maioria não tem habilitação para nada, mas ficam – se pelo que conseguiram fazer.

  4. CJ
    Acredita que já utilizei essa acomodação e os alunos nem sabiam consultar o livro e o caderno era objeto nunca visto?
    Estas acomodações só resultam quando os alunos têm dificuldades de aprendizagem e não quando não querem aprender, pura e simplesmente. Para estes não existem acomodações que resultem.

  5. Eu dei conta este fim de semana que faço parte da EMAEI. Não tem graça? Parece que está escrito no Decreto Lei. Há coisas que nem vale a pena falar, referir. Reuniões para quê … De acordo contigo, como de costume.

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