O Problema Destas Coisas É Serem Pensadas Para Toda A Gente, Menos Professores No Activo

cnefuturo

Exmo.(a) Senhor(a)

O Conselho Nacional de Educação organiza nos dias 29 e 30 de janeiro uma conferência sobre A Educação e os Desafios do Futuro, que conta com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e a colaboração da Presidência da República e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Os principais tópicos para reflexão e debate, com cientistas de diferentes áreas do conhecimento, centram-se nos últimos desenvolvimentos e perspetivas das seguintes temáticas e as suas implicações para o futuro da educação:

  • Relação entre tecnologia e comunicação, direitos humanos, ética e política
  • Inteligência artificial e supercomputação
  • Neurociências, Genómica e Biotecnologia
  • O futuro do trabalho
  • Desafios da cidadania: democracia, ética e política de inovação
  • A centralidade da educação frente aos desafios do futuro

Este evento terá lugar no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian.

As inscrições abrirão brevemente no site do CNE em www.cnedu.pt.

Há temas interessantes, mas são dois dias, a meio da semana. Não há no ECD legislação específica que permita faltar para este efeito, sem ser com o beneplácito das direcções. Mesmo artigo que permite faltar é explícito apenas para a componente não lectiva. Percebe-se que a ideia não é disseminar estes temas pelos docentes em exercício, mas apenas em circuito fechado

Há uma forma de contornar o problema, mas temos de recorrer ao “Novo Regime da Formação Profissional da Administração Pública” (decreto-Lei n.º 86-A/2016 de 29 de Dezembro) e ao seu artigo 10º, no qual se pode ler o seguinte:

Artigo 10.º
Tipologia
1 — A formação profissional tem a seguinte tipologia:
a) Cursos de formação de curta, média e longa duração;
b) Seminários, encontros, jornadas, palestras, conferências e outras ações de caráter similar que não pressuponham a sua conclusão com aproveitamento;
c) Estágios, oficinas de formação, comunidades de prática, mentoria, tutoria pedagógica e outras modalidades centradas nas práticas profissionais e no apoio à continuidade e transferência da aprendizagem.

Fazer o requerimento e esperar que não sejamos funcionários da administração pública só para umas coisas (deveres) e não para outras (direitos).

 

9 thoughts on “O Problema Destas Coisas É Serem Pensadas Para Toda A Gente, Menos Professores No Activo

  1. Este pedaço do preâmbulo do DL55, explica muito:

    “… Por outro lado, a sociedade enfrenta atualmente novos desafios, decorrentes de uma globalização e desenvolvimento tecnológico em aceleração, TENDO A ESCOLA DE PREPARAR OS ALUNOS, QUE SERÃO JOVENS E ADULTOS EM 2030, para EMPREGOS AINDA NÃO CRIADOS, para TECNOLOGIAS AINDA NÃO INVENTADAS, para a RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS QUE AINDA SE DESCONHECEM.”

    A) COMO UMA ABERRAÇÃO DESTAS PODE ESTAR INSCRITA NUM DL É COISA QUE ME ULTRAPASSA, DE TODO,…MAS MOSTRA O RIDÍCULO A QUE SE CHEGA!

    B) A ESCOLA DEVE SER UMA INSTITUIÇÃO COMPOSTA PELOS ALUNOS, DIRECÇÕES ESCOLARES, AUXILIARES, FUNCIONÁRIOS ADMINISTRATIVOS, PAIS, AUTARQUIA, EMPRESAS LOCAIS,…, PROFESSORES SÃO VIRTUALIDADES A DESCARTAR (a não ser que acéfalos)

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  2. Mas, mesmo assim, creio que não se ultrapassa o facto de só se poder ser dispensado da componente não letiva. Ou estou enganada? A ligação com as universidades (assistir a palestras, seminários…) perdeu-se e era um modo de atualização. Mesmo que um professor pertença a um centro de investigação e que a escola tenha feito um protocolo para o efeito, isso não tem absolutamente nenhuma consequência. Não há qualquer estímulo à investigação ou, tão só, à actualização de conhecimentos segundo a escolha do professor. Era urgente repor a possibilidade de ter dias para formação como a lei antes da era L. R. Contemplava. A nossa destruição enquanto profissionais tem sido feita em várias frentes e muito bem feita. A suposta falta de dinheiro tem feito esquecer tudo o mais que poderia ser feito sem qualquer despesa. Mas isso supunha um respeito pelos professores que não existe, reduzidos que estão a funcionários e servos (de vários senhores, aliás).

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    1. Os professores da escola do séc. XXI não precisam de mais conhecimento, não precisam de investigação, não precisam de mais ciência…
      Esqueça o ensinar, esqueça as competências científicas e pedagógicas sem as quais não teria integrado a carreira… nada disso é preciso!
      O que é preciso é promover, a custo zero, 100% de sucesso.
      O que é preciso é que “transversalize”, flexibilize, integre, seja holística e multinível….
      O que precisa é de muitas acções de cidadanias, direitos humanos, direitos dos animais, sexualidades géneros transgéneros e todos os afins, prevenção de comportamentos de risco e da violência doméstica…
      O que precisa é aprender a colocar o acima exemplificado em grelhas fabulosas, com ligações ao perfil terminal e critérios de avaliação da coisa…
      O que precisa é planificar uns trabalhitos de projecto com muito trabalho colaborativo e desenvolver competências no domínio das conversas de café… Se introduzir uns quantos descritores (só a palavra dá vómitos) e variadas reuniões gratuitas para muito trabalho cooperativo entre professores a inspecção dará pulos de alegria…
      O que é preciso é a de frequências de coisas como (só alguns exemplos, nem são dos mais “engraçados”):
      – LABORATÓRIO DE CONTADOR DE HISTÓRIAS
      – PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A ABORDAGEM MULTI-NÍVEL E O DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM
      – Construção de portefólios,
      – Domínios de autonomia curricular – como fazer?
      – E DEPOIS DO ADEUS?! – TRANSIÇÕES ESCOLA- MUNDO DO TRABALHO: Princípios e práticas,
      -CONTAR A CIÊNCIA – PERCURSOS FILOSÓFICOS, EPISTEMOLÓGICOS E CULTURAIS
      – PROMOVER O ENVOLVIMENTO ESCOLAR, PREVENIR O ABSENTISMO E O ABANDONO ESCOLAR
      – XIII ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA GLOBAL – TRABALHAR EM REDE NA ESCOLA ATUAL: PRÁTICAS, OPORTUNIDADES E DESAFIOS.,
      -PARES PEDAGÓGICOS: DELINEANDO CAMINHOS E TRAJETÓRIAS DA/PARA A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL,
      – Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz – Formar os Professores na Educação para a Cidadania,
      -…
      -…
      Para isto há dinheiro… conversa de treta…

      Áreas específicas do saber???? AH, AH, AH;
      Nem na porcaria das TIC de que tanto falam… AH,AH,AH;
      Esqueça a Escola que Ensina, a Escola que promove a ascensão social, a Escola que promove o Conhecimento, a Escola que promove a capacidade de reflexão e decisão fundamentadas…

      Para equipar as escolas, com redes, programas e computadores ou aquecedores, apoios a miúdos com fome/ sem manuais, famílias com desemprego de longa duração, vidros quanto partem,…, virem-se … desde que o sucesso seja de 100% – na medida de cada um, até bastará saber escrever o nome sem erros mesmo que nem acentue caso o carecesse!

      Vem aí a mão-de-obra barata para a europa (do sul, claro) competir com a China.

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